Após atentado, senador paraguaio recebe alta

O senador liberal paraguaio Robert Acevedo, que foi alvejado no braço e no rosto durante um atentado na cidade de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, deixou na noite desta quarta-feira (28) a clínica San Lucas. Segundo informações da imprensa paraguaia, ele foi transferido para a sua casa, onde receberá tratamento domiciliar ao lado da família.

De acordo com o jornal ABC, depois de receber alta, Acevedo afirmou que continuará sua luta e não vai abandonar Pedro Juan Caballero, onde, segundo ele, estão suas raízes e toda a sua vida. “Amanhã já estarei muito melhor e pronto para seguir lutando por minha gente e meu povo”, disse. Os filhos do parlamentar, no entanto, devem ser levados para a capital Assunção, por questão de segurança.

Os médico responsáveis por ele ressaltaram que o senador apresenta bom estado de saúde, mas deve continuar em repouso por mais alguns dias. “Vou meditar e logo decidirei que ações tomar”, falou ele ao Ultima Hora.

Segundo Acevedo, a máfia local acredita que ele é um informante da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). “As denúncias que fiz quando era governador. Las denuncias que hice cuando era gobernador. A baixa da cocaína em janeiro. A prisão de Jarvis (Chimenes Pavão, chefe do tráfico de drogas) e de Caphilo (outro narcotraficante), e outras apreensões. Eu trabalhei com eles na construção da base da Senad. Disso, dizem que eu sou um informante, e não é assim”, disse à rádio paraguaia Ñanduti.

Segurança reforçada


A casa do senador teve a segurança triplicada. A cidade de Pedro Juan Caballero também recebeu ontem 150 militares, enviados pelo governo paraguaio para reforçar o estado de exceção.

Os soldados estão acampados na fronteira e mantém a vigilância durante 24 horas nas principais ruas e avenidas da cidade. A orientação é para que os moradores andem com documentos de identidade e dos automóveis.

Também serão reforçadas as operações para garantir a segurança na reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega paraguaio, Fernando Lugo, na próxima segunda-feira (3), em uma operação conjunta entre polícias e militares dos dois países, segundo confirmou um secretário da cidade de Ponta Porã, que sediará o encontro.

“A segurança foi repensada. Hoje temos um plano A, um plano B e um plano C. Do lado paraguaio, 150 militares já foram enviados a Pedro Juan Caballero. O governo brasileiro também vai tomar as medidas necessárias para garantir a segurança do encontro”, afirmou Marcelino Nunes, secretário de Integração, Turismo e Desenvolvimento Sustentável de Ponta Porã. “Os presidentes não vão cancelar o encontro. Isso seria se curvar ao crime organizado”, acrescentou o secretário, em entrevista por telefone ao UOL Notícias.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o encontro com o presidente do Paraguai, na próxima semana, também abordará questão da segurança nas fronteiras. A reunião, que deveria ter como ponto principal questões da hidrelétrica binacional de Itaipu, chega dias depois do atentado contra o político paraguaio.

Investigação

A promotora Loudes Peña, responsável pela investigação do atentado contra o senador, requisitou ontem vídeos de circuito fechado, de locais próximos aos do crime, que poderiam dar mais detalhes sobre a ação dos matadores. Segundo ela, as imagens são de melhor qualidade.

"O próximo passo é submeter os vídeos à perícia e tentar descobrir quem eram as pessoas que estavam no veículo de onde desceram os criminosos”, afirmou ela à rádio 650 AM.

Ontem, Peña também havia dito que os peritos criminalistas trabalham para descobrir os números originais do chassi da caminhonete Ford Ranger prata, usada pelos criminosos para atirar contra o senador. “Já temos três ou quatro números do chassi original”, disse.

Até o momento, quatro brasileiros foram presos em Pedro Juan Caballero por suspeita de envolvimento no atentado. Segundo a imprensa local, Josué dos Santos, Daniel dos Santos, Marcos Cordeiro Pereira e Eduardo da Silva têm ligação com o tráfico de drogas da cidade e há suspeitas de que eles façam parte da facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital).


Google Earth/UOL Arte
Imagem de satélite mostra conurbação das duas cidades na fronteira binacional

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