Niemeyer já fala em voltar ao escritório

O arquiteto Oscar Niemeyer, 102 anos, continua internado no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo a assessoria de imprensa do centro clínico, ele passa bem e respira sem a ajuda de aparelhos. O único motivo que o mantém hospitalizado é a aplicação do antibiótico venoso. Ainda não há previsão de alta. O arquiteto modernista lembrado pelas obras de arte construídas em Brasília e em várias cidades do Brasil deu entrada no hospital na tarde do último domingo com infecção urinária e está em observação desde então devido à sua idade avançada. A mulher, Vera Lúcia Cambreira, 60 anos, acompanha Niemeyer no hospital.

O secretário de Cultura do Distrito Federal, Silvestre Gorgulho, amigo pessoal de Oscar Niemeyer, está no Rio de Janeiro desde ontem. Eles deveriam participar juntos do lançamento de uma revista em homenagem aos 50 anos de Brasília produzida pelo escritório do arquiteto. Mas o evento foi cancelado devido ao estado de saúde de Niemeyer. Segundo Gorgulho, a bactéria rara que teria causado a infecção urinária foi identificada e ele está reagindo bem ao tratamento. “Não para de falar em voltar para o escritório”, contou. O arquiteto está internado na UTI e recebe poucas visitas durante o dia. “Estão todos apreensivos devido aos 102 anos e meio dele. Mas ele está bem. Niemeyer é história”, disse.

Obras
Eterno apaixonado pela vida e pelo trabalho, Niemeyer foi obrigado a cuidar mais da saúde durante o último ano. Em setembro do ano passado, pequenas adversidades o levaram ao hospital. Em 23 de setembro, ele deu entrada no Samaritano com fortes dores abdominais e foi submetido a uma cirurgia de retirada de um cálculo na vesícula. Poucos dias depois, Niemeyer voltou ao Centro de Tratamento Intensivo (CTI) para retirar um tumor no intestino grosso. Três anos antes, o arquiteto havia sido submetido a outra cirurgia após sofrer uma queda. Ainda assim, guia alguns projetos de sua autoria. Um deles é O Caminho de Niemeyer — um conjunto de nove prédios idealizado por ele em Niterói (RJ).

Brasília e várias cidades do Brasil contam com as obras do arquiteto modernista. Sua primeira obra individual — a Obra do Berço — está localizada na Lagoa, bairro da capital fluminense. Ele trouxe para Brasília milhares de curvas nas arquiteturas da Catedral, do Congresso Nacional e do Museu Nacional. Durante a juventude, ele frequentou o Café Lamas, o Clube do Fluminense e a Lapa, no Rio de Janeiro, onde sempre morou. Aos 21 anos, casou-se com Anita Baldo, quando começou a trabalhar e retomou os estudos. Em 2004, ficou viúvo. Hoje, ele está casado com Vera Lúcia. Tem uma filha, cinco netos, 13 bisnetos e quatro trinetos.

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