Remédios contra Aids em falta

Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia
No Centro do Rio, manifestantes se reuniram na Candelária
para fazer um alerta sobre o problema
Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia


Portadores de HIV e Aids fizeram ontem protestos em pelo menos 11 estados do País devido à falta de fornecimento de antirretrovirais — remédios que integram o coquetel contra a doença. No Rio, o Fórum Estadual de ONGs Aids reuniu cerca de 100 militantes, que reclamaram sobre a falta dos remédios abacavir, lamivudina e biovir, usados no tratamento de soropositivos.

Segundo o secretário do fórum, Willian Amaral, a interrupção do tratamento faz com que o vírus se torne resistente aos antirretrovirais. “ Ter esses remédios é nosso direito. Um desabastecimento como esse é uma vergonha”, protestou.

De acordo com o Programa de DST/Aids do Ministério da Saúde, 56 mil pessoas utilizam a lamivudina no Brasil. No caso do biovir (lamivudina e zidovudina), o índice aumenta para 116 mil. Os que utilizam abacavir somam 3,6 mil pessoas.

“Esse ano não recebi lamivudina, nevirapina e abacavir. Se continuar sem os remédios, vou ter que mudar o tratamento. Temos 20 crianças dependendo dos antirretrovirais”, protestou Lucinha Araújo, fundadora da Sociedade Viva Cazuza.

Segundo o diretor do Departamento de DST/Aids do Ministério, Eduardo Barbosa, o desabastecimento do abacavir ocorreu por problemas no contrato com o laboratório fabricante.

“A Anvisa fez exigências que o laboratório não conseguiu cumprir a tempo. Em dezembro, fizemos nota técnica orientando que os médicos mudassem o tratamento de quem usa o abacavir para que pacientes não fossem prejudicados”.

Em relação à lamivudina, ele explicou que houve atraso na produção, em Farmanguinhos, prejudicando a distribuição em alguns municípios.

A secretaria estadual de Saúde negou problemas na distribuição e no estoque dos medicamentos, que informou estarem “regulares”. Já a municipal disse, por nota, que houve diminuição do estoque devido a problemas no fornecimento do ministério, mas que “os pacientes não foram prejudicados”.

Mais lidas nesse momento