Líderes mundiais falharam em proteger biodiversidade, diz estudo

Pássaro SOldadinho do Araripe
Pássaro soldadinho-do-araripe, que vive no Brasil,
é um exemplo de animal considerado criticamente
ameaçado de extinção. (Foto: worldwildlifeimages.com / Divulgação)


Os líderes mundiais fracassaram no compromisso de reduzir, em 2010, a perda da biodiversidade do planeta, que na verdade se acelerou, lamentaram especialistas da ONU em relatório publicado nesta quinta-feira (29) na revista científica americana "Science".

"Nossa análise mostra que os governos não cumpriram os compromissos assumidos em 2002 e, de fato, a perda da biodiversidade continua em um ritmo mais veloz do que nunca", declarou em comunicado Stuart Butchart, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), centro de controle para a preservação da natureza, principal autor do estudo.

Além disso, "fizemos muito poucos avanços para reduzir as pressões sobre as espécies, os hábitats e os ecossistemas", acrescentou esta primeira avaliação desde o lançamento da Convenção das Nações Unidas sobre a Biodiversidade (CBD, na sigla em inglês), em junho de 2002.

Baseando-se em mais de 30 indicadores como as mudanças nas populações das diferentes espécies, seu risco de extinção e outras medidas, o estudo não apresentou nenhuma redução significativa da taxa de queda da biodiversidade.

"Nossos dados mostram que 2010 não será o ano durante o qual a queda da biodiversidade se deterá, mas deve ser o momento no qual começaremos a tomar medidas seriamente e a aumentar nossos esforços para cuidar do que resta do nosso planeta", destacou Stuart Butchart.

"Desde 1970, reduzimos a população animal da Terra em 30%, as zonas de mangues em 20%, bem como os recifes de corais, em 40%", informou o professor Joseph Alcamo, responsável científico do programa da ONU para o meio ambiente.

Estas perdas não se justificam, "já que a biodiversidade é uma contribuição essencial ao bem-estar humano e ao desenvolvimento duradouro como reconhecido nas Metas de Desenvolvimento do Milênio", concluiu.

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