Pais podem transformar medo de crianças em trauma

Criança tem medo de quê?

"Eu tenho medo de trovão, às vezes", confessa um menino.

"Quando tinha 1 ano tinha medo do Papai Noel", conta uma paulista.

Haja mão da mamãe para segurar. O medo dá uma sensação estranha - difícil ter controle. Às vezes parece manha, um charminho para ficar perto da mamãe, do papai. Pode até ser saudável.

“O medo é uma ferramenta de defesa da pessoa contra tudo o que possa existir de errado e contra ela e no mundo. Então é uma defesa natural, já nasce com a pessoa", explica a psicóloga Eliane Pisani Leite

Mas existem limites. O sinal de alerta surge quando o medo começa a mudar a rotina da criança. Por exemplo, ela não quer mais ir a festinhas de aniversário para não ver o palhaço ou os animadores.

A hora de dormir pode ser um grande problema para as crianças que temem o escuro. Apagar a luz é como acender a imaginação. Qualquer sombra ou silhueta se transforma em monstro.

Ana Júlia está vencendo esse temor. Tudo começou quando a mãe contou uma história de assombração da própria infância: a de uma loira que aparecia em banheiros. E Ana Júlia acreditou: “Pensei que vinha a loira do banheiro no meu quarto, mas não vinha”.

“Ela não vai ao banheiro sozinha, não dorme com a luz apagada por nada. Ela dorme toda coberta, pode estar o calor que for que ela está com o edredom até em cima”, conta a mãe da Ana Júlia. Daniela Escosa

“A verbalização dos pais, as palavras ditas, têm um peso muito importante na vida das crianças. Evitar aumentar o medo da criança, falando coisas que podem não acontecer de verdade”, explica a psicóloga Eliane Pisani Leite.

O medo se transformou em agressividade com os coleguinhas na escola. Foi preciso procurar ajuda psicológica. Hoje, Ana Júlia está aprendendo a deixar os fantasmas para trás: “Agora sou corajosa”.

Outro medo comum entre crianças é o da violência. Esse é um pouco mais difícil de lidar, porque é preciso achar um equilíbrio entre os alertas que os pais precisam dar para os filhos e o exagero, a superproteção.

Os psicólogos sempre recomendam muita conversa e dar atenção, respeitar o que as crianças dizem, mesmo que pareça absurdo.

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