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Tropa de choque reprime manifestação pacífica e prende 16 pessoas

terça, 10 de janeiro de 2012 • 18:04
Atualizada às 02h06



Por Rômulo Maia

A Polícia Militar usou a força para desobstruir a Avenida Frei Serafim, centro de Teresina, mais uma vez bloqueada em protesto contra o aumento da passagem de ônibus em Teresina. A repressão ao movimento aconteceu no final da tarde desta terça-feira (10).

Balas de borracha, spray de pimenta, gás lacrimogênio e bombas de luz e som foram utilizadas pelas tropas da PM para dispersar o movimento. Mais de 450 homens foram utilizados na ação, contra um grupo de menos de 100 manifestantes.

Primeiro o major Adriano Lucena [imagem abaixo] se dirigiu até os estudantes e deu o ultimato. “Eu não vim para negociar ou dialogar. É pra desobstruir a via. Então vocês estão recebendo uma ordem de uma autoridade policial que está amparada pela lei. Vocês conversem entre si. A partir do momento que vocês não desobstruírem a via, aí vocês estarão na condição de desobediência a uma ordem legal”, comunicou.



Sentados no asfalto da avenida e com velas acesas, os estudantes decidiram manter o bloqueio da avenida. Em protesto, cantaram o Hino Nacional e trechos do Hino do Piauí. O grupo recebia apoio de pessoas que estavam no canteiro central da avenida e em frente ao supermercado Bompreço.

Minutos depois, o coronel Márcio Santos, do Bope, foi até o grupo. “Vocês têm cinco minutos. Se não desobstruírem a polícia vai usar a força”, avisou. Os manifestantes resistiram.

Expirado o prazo, uma formação de mais de 50 PMs com cassetetes na mão marchou contra os manifestantes. Quase todos os jovens correram. Policiais e estudantes trocaram empurrões. Após dispersar maior parte do grupo, a formação recuou e abriu espaço para a tropa de choque.



Treinados para ações de conflito, os homens do choque avançaram em coluna. Escudos protegiam a formação. Nas pontas, policiais disparavam as balas de borracha e as bombas de efeito moral.

Restavam poucas pessoas na via. Elas foram cercadas pelos policiais, sufocadas com gás lacrimogênio e spray de pimenta, agredidas e depois carregadas para viaturas do Ronda Cidadão. Mesmo dominados, uma mulher e um jovem foram arrastados pelos cabelos. Todos os presos foram encaminhados para a Central de Flagrantes de Teresina.

Correria

Após a segunda investida da PM, os manifestantes se dispersaram pela área. A polícia invadiu estabelecimentos comerciais e pensões para prender estudantes. Pessoas refugiadas no supermercado Hiper Bompreço também foram levadas.

O Portal AZ registrou o momento em que um homem que protestava verbalmente contra os PMs foi detido por cinco policiais da Rone. “Eu sou trabalhador. Eu sou trabalhador”, gritava ao ser carregado para uma viatura.

Nas calçadas, alguns populares discutiram com homens fardados. “Se for pra levar, leva logo, não bate boca”, ordenou um oficial a um soldado.



Imprensa vira alvo

Jornalistas também foram vítimas da repressão policial. O repórter Cícero Portela, do Portal O Dia, foi agredido por homens - supostamente policiais à paisana - na Rua 1º de maio, nas proximidades da Avenida Frei Serafim. O jornalista fazia imagens de homens agredindo um dos manifestantes quando teve o cartão de memória da máquina fotográfica roubado.

O fotógrafo Bruna Silva também teve o equipamento avariado quando registrava a ação da polícia. O jornalista Igor Prado também relata que foi ameaçado de prisão por policiais ao fotografar a prisão de manifestantes.

Feridos

O professor de música Willian Rodrigues estava entre os manifestantes. Ele conta que estava sentado no asfalto da Avenida Frei Serafim quando o choque avançou. Ferido no braço e na perna por estilhaços de uma bomba de efeito moral, ele avalia que a polícia usou muita força para reprimir um protesto pacífico. “São cidadãos vítimas do sistema que era para proteger”, disse ao Portal AZ.

Ao lado do professor, o estudante Rafael sangrava. O jovem foi atingido por um golpe de cassetete na cabeça. “Eu estava parado. Não achei que estando apenas sentado na pista sofreria algo desse tipo.”

Com duas manchas de sangue na camisa, Paulo Diogo, 19 anos, esperava na Central de Flagrantes de Teresina para conversar com um delegado. O estudante secundarista foi atingido por duas balas de borracha nas costas e vai fazer exame de corpo de delito para comprovar a agressão.

Dois estudantes deram entrada no Hospital de Urgências de Teresina. Ambos com ferimentos causados por estilhaços de bombas lançadas pela polícia. Um deles, identificado apenas como Hudson, apresentava um sangramento na região do olho. O outro, Fragne Morais, teve ferimentos na perna e braço.

Presos


A Polícia Militar não divulga informações sobre os presos durante a manifestação. Na Central de Flagrantes, comandada pela Polícia Civil, apenas advogados e policiais têm acesso aos detidos.

O Portal AZ conseguiu a confirmação de que pelo menos 16 pessoas foram detidas (entre elas, três menores de idade).

Alguns manifestantes presos ficaram com os celulares no bolso. Dessa forma, conseguiram entrar em contato com amigos e familiares.

A mãe de um dos menores estava revoltada. Jaciara Conceição ligou para o número do filho e uma pessoa estranha atendeu. A voz do outro lado da linha informou que o adolescente havia sido preso. “Disseram que ele estava preso e machucado”, relata.

Ao informar que o filho era menor de idade e que não admitiria agressões contra ele, Jaciara ouviu: “Pancada dada não se tira; venha pegar seu filho que ele tá todo arrebentado.” Minutos depois o jovem ligou tranquilizando a mãe. “Fizeram pressão psicológica. Isso é um abuso”, protestou.

O advogado Lúcio Tadeu, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PI, acompanha todo o procedimento policial na Central de Flagrantes. A assessoria jurídica do Fórum em Defesa do Transporte Público de Teresina também atua na defesa dos manifestantes presos. Nenhum representante do Ministério Público Estadual compareceu ao local.

Fiança


Em um Despacho de Concessão de Fiança, o delegado Osvaldo Lemos, plantonista da Central de Flagrantes, condiciona a soltura dos presos ao pagamento de 10 salários mínimos (R$ 6.022.00) por pessoa. O valor, informa o documento, foi estipulado pelo delegado geral da Polícia Civil do Piauí, James Guerra.

“O delegado geral não pode fazer isso. Só um juiz pode estipular o valor da fiança”, afirma a advogada Adoniara Azevedo. Um grupo de advogados voluntários elabora um Habeas Corpus para ser encaminhado para o Judiciário.

“Já identificamos quem é o juiz de plantão e vamos dar entrada no HC. Mas para fazer isso, temos que esperar que todos os manifestantes sejam autuados, o que ainda não aconteceu”, explica a advogada.

Durante as manifestações de ontem (10), sete estudantes foram presos. A fiança estipulada foi de R$ 414 por pessoa.

Ônibus depredado


Já era noite em Teresina quando um ônibus foi depredado na Avenida Maranhão, distante cerca de dois quilômetros do palco dos confrontos. Segundo testemunhas, um grupo de 10 pessoas encapuzadas atirou pedras nas vidraças do coletivo.

Após a ação, o grupo de dispersou rapidamente em diferentes sentidos e não foi localizado pela Polícia Militar. Funcionários do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina (Setut) recolheram rapidamente o ônibus.

Vigiados

Reunidos na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresina (Sindserm), representantes do Fórum em Defesa do Transporte Público de Teresina avaliavam o sétimo dia de manifestações contra o aumento da passagem de ônibus quando perceberam que estavam sendo vigiados.

“Dois carros descaracterizados estavam parados em frente ao sindicato”, relata o estudante Leonardo Alencar. “Quando saímos e começamos a filmar e fotografar, eles saíram.” As placas dos veículos de passeio são do Piauí (NHY 2441) e do Pernambuco (NIN 7248).

A entidade não estava na Avenida Frei Serafim no momento do confronto com a Polícia Militar.

Repressão

A Polícia Militar reuniu mais de 450 homens para impedir bloqueio de ruas e avenidas nesta terça-feira (10), justamente no dia em que uma menor quantidade de pessoas se reuniu no ato contra o aumento da passagem.

Nas seis manifestações anteriores, a interdição de vias públicas começou logo cedo e se estendeu até a noite. Ônibus foram apedrejados e um foi incendiado durante os protestos. Houve confronto com a polícia na terça-feira (03) e na quinta (05).

Hoje, um pequeno grupo se reuniu no canteiro central da Avenida Frei Serafim já no final da tarde. Por volta de 17h40 os manifestantes resolveram interditar a via Centro/Leste da avenida. Logo em seguida a PM assumiu formação. O confronto aconteceu minutos depois.

Pautas

A redução da tarifa cobrada no sistema de transporte público da capital (reajustada de R$ 1,90 para R$ 2,10 no dia 02/01) é apenas uma das pautas dos manifestantes que estão há sete dias nas ruas de Teresina.

Há grupos que reivindicam até 13 pontos, que vão de questões simples, como cortinas e ar-condicionado nos coletivos até pautas polêmicas e complexas, a exemplo da licitação para escolha das empresas que vão operar no sistema e tarifa social em feriados e finais de semana.

Estudantes e entidades organizadas também brigavam pela gratuidade da segunda passagem na integração de linhas. Esse é o único ponto onde houve um avanço. Em pronunciamento na TV, o prefeito Elmano Férrer que o segundo embarque não será tarifado em um prazo de até seis meses.

Sem diálogo

Prefeitura e manifestantes até agora não dialogaram. Teresina caminha para o oitavo dia de manifestações de rua e nenhuma das partes demonstra querer ceder. O prefeito Elmano Férrer já avisou que não recua nas decisões. Estudantes e entidades organizadas planejam manifestações a cada novo dia.

Um novo ato já foi agendado para as 09h de quarta-feira (11) na Praça do Fripisa, centro de Teresina.


Sequência de vídeos mostra o que aconteceu na Avenida Frei Serafim











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postado:
11/01/2012 - 16:35
Isso é de fazer vergonha a todos que realmente se sente piauiense. Triste!!! Cade o governo do estado? Cade o prefeito de teresina? Cade as autoridades que dizer priorizar a educacao e a pessoa humana? cade? O piauí está abandonado. entregue as cobras. Sim, isso mesmo, as cobras! Nenhum ser humano, que tem plena conciencia de ser humano mesmo faz isso, que vimos nessas imagens. Me sinto envergonhado! Penso que o diálogo existe com o proposito de pacificar conflitos. Esse comandante tem que entender que as pessoas tem direito de se manifestar. sim, tem! Por querem calar os estudantes? Explique senhor governador!! explique senhor prefeito! pq vcs tem medos das empresas que vivem sugando o povo apoiadas na maioria das vezes por vcs? pq? Lembrem-se quem elege vcs são os estudantes, é o povão. pq vcs esquecem eles na hora em que vão se manifestar contra as decisões que na maioria das vezes são tomadas em interesse próprio. isso é o que penso!! naum sei vc? Me sinto invergonhado e ao mesmo tempo impotente diante do absurdo que vejo hoje no Piauí. Povo do piauí especialmente de teresina, gravem isso. Esse ano é ano de eleitoral e muitos desses vão bater a sua porta. A resposta pode ser dada nas urnas. tristeza, vergonha, inresponsabilidade.

Manoel Galvão

postado:
11/01/2012 - 14:17
O secretário de segurança e delegado geral estão usando os rigores da lei para combater o movimento estudantil, mais esses mesmos senhores não usaram os rigores da lei para investigar o crime da ESTUDANTE FERNANDA LAGES, nem o incêndio da secretária de saúde. Por que?

Pedro Filho

postado:
11/01/2012 - 13:21
Polícia, pra que polícia? Ah, para manter a ordem? Que ordem? A ordem de ferrar com o povo. O prefeito quer bem ao povo de Teresina, contanto que paguem o preço. O governador faz tudo pelo povo do Piauí, contanto que não lhe incomode. Os vereadores representam o povo, fazendo representação na câmara são capazes de ganharem oscares de canastrões. A PM mostrou para que realmente existe. Prender bandido é passatempo. Ah, liberdade de ir e vir só existe para quem tem carro e moto. Para os outros ela custa R$ 2,10 a condução. Ou vai a pés "besta", pois tu é liso e não tem cargo na STRANS nem no $ETUT.

Núbia

postado:
10/01/2012 - 23:11
Só mesmo no Piauí, um estado tomado pela violência, sem a necessária segurança que o Estado precisa, e os militares agredindo estudantes, ISSO É UM ABSURDO!!!!Vão para os bairros prestar o serviço que a população precisa....Pois isso que fizeram hoje é pura agressaõ e abuso de poder...
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