Advogados denunciam a indústria da grilagem no Piauí

Da Redação do Portal AZ

Documento encaminhado à Ouvidoria Agrária Nacional pelos advogados Antônio Tito Pinheiro Castelo Branco e José Odon Maia Alencar Filho denunciam grilagem de terras no Sul do Piauí, inclusive no mesmo sentido que foi denunciado pelo deputado estadual Manoel Ribeiro (PTB-MA), líder do governo de Roseana Sarney na Assembleia Legislativa do Maranhão.

O agente dessa grilagem é um homem conhecido como Euclides de Carli, residente em Balsas (MA), mas com atuação em cidades piauienses, especialmente o município de Santa Filomena, onde mantém disputa com posseiros.

Em 22 de julho de 2011, um desses posseiros, Vitório Antonio Lopes, denunciou perante o corregedor nacional de Justiça que estava sendo ameaçado pelo juiz da comarca de Santa Filomena, Adeson Antônio de Brito Nogueira, exatamente porque já tinha denunciado a leniência judicial e irregularidades no cartório. O irmão de Vitório, José Antônio, foi morto em Balsas. Há suspeitas de que por causa da disputa com Euclides de Carli.

A participação do cartório de Santa Filomena na grilagem, dizem os advogados, “parece patente”. Isso porque foi feita uma “venda póstuma” de terras. Um homem chamado João Pereira da Silva, morto em 1973, “vendeu” terras para Manoel Carmona sete anos depois, em 1980.

Outro caso de falsificação de documentos denunciado pelos advogados deu-se em Uruçuí, município vizinho de Santa Filomena, que junto com Baixa Grande do Ribeiro e Ribeiro Gonçalves reúnem um território de 27 mil quilômetros quadrados – maior que o estado de Alagoas.

Esse tipo de falsificação, dizem os advogados, não atinge somente posseiros. Outra vítima da ação de grilagem do senhor De Carli seria o empresário Dagoberto Antônio Faedo.

A falsificação de documentos parece uma prática recorrente. Os advogados denunciam que no município de Gilbués, a mais de 600 quilômetros de Teresina, foram falsificados inúmeros documentos para facilitar a grilagem de terras públicas. Neste caso, o Conselho Nacional de Justiça fez correição e constatou as irregularidades.

Um caso emblemático é que envolve a venda de 100.000 hectares por Francelina Alves Araújo a Rovílio Mascarello, transformada de um título originário de 55 hectares.

O cartório de Gilbués é uma espécie de central de falsificação de documentos. Foi de lá que saiu a procuração pública falsa que permitiu a grilagem das terras de posseiros em Santa Filomena, em cuja disputa já tombou morto o posseiro José Antônio Lopes, morto em Balsas (MA).

Falsificação de documentos é um negócio atraente no Sul do Piauí. Em Bom Jesus (600 quilômetros de Teresina) os dois cartórios da cidade estão sob suspeita de não somente falsificar como também de sumir com documentos.

Dá-se a falsificação de documentos para grilagem também em Uruçuí.

Em razão das dificuldades de se intervir nos cartórios em ação própria da Corregedoria de Justiça do TJ-PI, os advogados pedem que a Ouvidoria Agrária Nacional interceda para uma intervenção do CNJ.

Mais lidas nesse momento