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De tijolo em tijolo: o desenvolvimento construído pela indústria ceramista

29/02/2012 • 11:40
Texto e fotos: Juarez Oliveira
Edição: Astrid Lages


Família, amigos, animais de estimação, bens de uma vida inteira. Em comum, todos são acomodados com segurança dentro das quatro paredes de uma residência chamada lar. Se é verdade que, como diz o ditado, “quem casa quer casa”, também é fato que pouco se questiona a respeito de que material esse lar é construído. Tijolo cerâmico é a resposta que vem imediatamente à cabeça quando se pensa em qualquer tipo de construção. Fácil de ser encontrado e manuseado – afinal, não existe uma loja de materiais para construção que não o venda e nem um pedreiro que não saiba trabalhar com ele – o tijolo cerâmico continua sendo a primeira opção tanto para aqueles que constroem aos poucos a tão sonhada casa, como para empresários que pretendem ter preço baixo e segurança nos seus empreendimentos.


Tijolos cerâmicos continuam sendo a preferência nas construções

Além de ajudar a construir o sonho da casa própria, a indústria ceramista contribui para o desenvolvimento econômico e social nas regiões em que é instalada. Em áreas mais afastadas do centro de Teresina, onde as ofertas de empregos são escassas, essas indústrias são vistas como uma opção segura de emprego para moradores que, sem elas, precisariam se deslocar longas distâncias atrás de outras oportunidades de trabalho.

No Piauí, a argila é abundante e tem suas principais reservas localizadas nos municípios de Teresina, Campo Maior, Picos, Piracuruca, Jaicós, Parnaíba, Valença, Floriano e José de Freitas. A argila é explorada em Teresina, nas localidades Usina Santana, Cerâmica Cil, Alegria e Cacimba Velha, todas em áreas rurais do município, o que diminui os danos ambientais e socioeconômicos da extração em comparação com o perímetro urbano. As indústrias cerâmicas representam cerca de 80 empresas em todo o Estado, que produzem uma média de 25 milhões de peças de tijolo por mês e empregam até cinco mil pessoas.

Um exemplo da oportunidade oferecida pelas indústrias cerâmicas em Teresina é o caso da Cerâmica Santana, que fica localizada no bairro Santa Maria da Codipi, zona norte da capital, e que atualmente emprega 72 moradores da região. “Todos os nossos funcionários são moradores da região. As cerâmicas têm um forte impacto na economia, porque elas demandam muita mão de obra e é claro que esses resultados são sentidos na própria região”, destaca Valdir Júnior (foto abaixo), proprietário da Cerâmica Santana.

O presidente do Sindicato da Indústria de Cerâmica do Estado do Piauí (Sindicer) e proprietário da Telhas Mafrense, José Joaquim Gomes, também destaca a significativa quantidade de empregos gerados no setor, que ainda é essencialmente artesanal. “A indústria de cerâmica é uma grande geradora de oportunidades justamente nas áreas onde há maior dificuldade de emprego. Por exemplo, aqui na nossa região, se não fosse a indústria de cerâmica, haveriam muitas dificuldades. Nós atendemos 500 famílias que vivem no entorno da nossa fábrica e a única coisa que terceirizamos é o transporte, que normalmente, também é feito por pessoas da região”, destaca.

A maior parte dos tijolos produzidos no Piauí, no entanto, não ultrapassam as fronteiras do Estado. “O tijolo é um produto em que o frete inviabiliza você andar muito. É um produto que tem um valor agregado baixo e o frete pesa em cima dele. Com isso o tijolo atinge um raio de pelo menos 200 km, no máximo. Já a telha nós conseguimos andar bem mais, alcançando todo o Nordeste e chegando até Tocantins”, afirma José Joaquim.


Cerâmicas do Piauí priorizam qualidade e sustentabilidade

A produção de telhas e blocos cerâmicos, popularmente chamados de tijolos, passam por uma série de etapas, desde a identificação da mina de argila até chegar às mãos do consumidor final. José Joaquim informa que há dois tipos de argila: a que é retirada em locais mais baixos ou bases, e a retirada de áreas mais altas ou morros. Ele conta que nas áreas baixas, após a extração da argila, podem ser realizados projetos de criação de peixes para o repovoamento dos rios ou para a venda. Já nas áreas de morros, após a retirada da argila, o terreno é regularizado e a floresta que havia antes, é replantada no lugar, ressaltando assim a preocupação do setor com a questão ambiental.

“As cerâmicas hoje no Piauí são um exemplo de desenvolvimento sustentável. Todas elas têm plano de manejo, plano de reflorestamento e estão usando matrizes energéticas alternativas, como o bambu, como o cavaco de madeira, ou seja, são totalmente sustentáveis”, afirma Valdir Júnior. José Joaquim conta que a sua indústria está trabalhando para se tornar autossuficiente na área de energia de queima. “Para isso estamos produzindo eucalipto, na nossa própria floresta. Hoje temos 650 hectares plantados e dentro de seis anos pretendemos alcançar 1500 hectares, aí sim seremos autossuficientes”, diz.

Sobre a produção de telhas e tijolos, José Joaquim (foto abaixo) conta que o processo mais demorado é o sazonamento, ou maturação da argila. “Se você for calcular desde quando a mina é detectada, mensurada, o projeto de extração é elaborado e depois é iniciada a extração em si, normalmente se passa em torno de um ano. O sazonamento é o período em que a chuva vai tirar as impurezas, deixando a argila melhor”, explica.


José Joaquim inspeciona o final do processo de queima das telhas

Mas ele relata que nem todas as indústrias de cerâmica realizam o sazonamento. Em média, as cerâmicas do Piauí levam sete dias para a produção de uma peça, contando desde a hora em que apanham o material no sazonamento, até o momento em que a peça chega ao local da expedição. Nas indústrias mais modernas, onde os processos de secagem e queima são mais rápidos, as peças podem ser produzidas em até dois dias.

Para a produção da peça cerâmica, a argila deve ser analisada e de acordo com o tipo obtido é que se planeja qual tipo de peça será produzida. “Primeiro fazemos todo o levantamento para identificar o tipo de argila que temos e com isso planejar como fazer a composição. Se eu for trabalhar telha eu tenho um tipo de argila, se eu for trabalhar tijolo eu tenho outro tipo, se eu for trabalhar o estrutural, tenho outro tipo”, enumera José Joaquim. O primeiro passo da etapa de produção é a preparação da argila, que é levada para a moagem, onde será adicionada água e posteriormente segue para a de conformação. Nessa etapa é que a argila vai ganhar a sua forma definitiva, de telha ou tijolo.

“Após a argila passar pela etapa da moagem e descansar, ela retorna ao processo e vai para a conformação, onde a gente vai conformar o que a gente quer. Nós queremos tijolo, queremos telha? Então é nessa etapa que vamos conformar o que nós estamos pretendendo”, acrescenta José Joaquim. Quando a peça sai da conformação ela ainda está muito úmida e a etapa seguinte é justamente a secagem, que dura em média 24 horas, dependendo do clima, pois em geral essa etapa é feita ao ar livre.


A etapa da secagem geralmente é feita ao ar livre e dura em média 24 horas

Para o empresário ceramista Valdir Júnior, um dos maiores inimigos da indústria cerâmica é a chuva, porque ela atrasa a etapa da secagem e aumenta as ocorrências de queda no fornecimento de energia elétrica, interrompendo assim o processo de produção de tijolos e telhas. “Na nossa indústria a secagem é feita ao ar livre e por isso quanto mais sol melhor. Quando chove essa etapa demora mais, o que acaba atrasando todo o processo”, explica Valdir Júnior. “Essa semana nós perdemos um dia da produção por conta da falta energia. Sem energia o processo para, nós passamos o dia sem produzir”, acrescenta José Joaquim.

A última etapa da produção de uma peça cerâmica é a queima. Após a peça passar pela secagem ela é encaminhada para os fornos, que são alimentados à lenha e que vão deixar as peças prontas para o consumidor final. No processo de queima, as peças ficam expostas por até dois dias a uma temperatura de cerca de 900°C, até ficarem prontas para a venda.


Na última etapa da produção as peças ficam por até dois dias nos fornos

A qualidade da cerâmica piauiense é atestada nacionalmente


Reconhecida nacionalmente - e até internacionalmente - com prêmios que atestam a qualidades dos produtos ceramistas do Piauí, a indústria local tem investido de maneira crescente em mecanismos que assegurem a estética ideal, e que ao mesmo tempo tenham a segurança cobrada por um mercado consumidor cada vez mais exigente. Em 2007, a Telhas Mafrense foi eleita pela ANICER (Associação Nacional de Ceramistas) como a melhor cerâmica do Brasil. A empresa disputou esse prêmio com indústrias de cerâmica vermelha de todo o país.

Já em 2008, o proprietário e diretor industrial da empresa, José Joaquim Gomes, recebeu o Prêmio João de Barro, na Categoria Personalidade, como reconhecimento por sua autoridade na área ceramista. No mesmo ano a Telhas Mafrense ficou em segundo lugar ao concorrer também ao Prêmio João de Barro na categoria instituição. Em 2010, o grupo empresarial recebeu o troféu de ouro de excelência em Madri, na Espanha. A homenagem foi entregue por representantes da Trade Leaders Club, uma associação internacional que reúne mais de 7 mil empresários.

A preocupação com a qualidade dos produtos cerâmicos também evita a perda de material durante o transporte e, consequentemente, gera mais economia para a indústria e para o consumidor. “O consumidor final ou mesmo os depósitos podem comprar o material cerâmico e terem uma perda muito grande durante o transporte, quando são produtos sem qualidade comprovada. Um produto com qualidade vai ter uma resistência maior e características que o mantenham com um percentual de quebra menor. O pessoal nas obras até brinca que tem dificuldades em quebrar nosso tijolo por ser muito duro”, conta José Joaquim.


A qualidade nos produtos cerâmicos é obtida também com investimentos em tecnologia

A qualidade dos produtos cerâmicos piauienses já foi atestada por institutos de renome internacional, como o Ethos, que realiza auditoria em empresas e destaca aquelas que são parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável. O grupo Mafrense, por exemplo, ficou classificado no segundo melhor nível, já na primeira avaliação.

Daniele Costa, diretora de qualidade da Cerâmica Mafrense revela que o controle de qualidade é feito diariamente. Entre os critérios verificados estão a resistência, absorção de água, empenamento e análise visual do produto. O objetivo é identificar problemas que podem vir a surgir no produto que vai chegar ao consumidor. “Esses produtos são analisados durante todo o processo produtivo. Também fazemos ensaios no SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que é um centro tecnológico que faz todo o estudo de argilas e que dá grande apoio técnico para as indústrias do Piauí”, diz.


Técnico da Cerâmica Santana realiza procedimento de análise de qualidade

De acordo com Valdir Júnior, o setor ceramista do Piauí é um exemplo de qualidade, preocupação ambiental e inovação. Ele cita a concorrência do tijolo com os blocos de concreto, utilizados geralmente em larga escala na realização de grandes projetos habitacionais, como um incentivo à inovação no setor cerâmico. “O empresário piauiense do setor de cerâmica está constantemente tentando desenvolver novos produtos, novas técnicas, baixar custos e aumentar a qualidade para poder enfrentar a concorrência que a gente está enfrentando hoje, com a ampla utilização dos blocos de concretos. Isso mostra a capacidade do empresariado do Piauí em buscar soluções dentro da própria empresa para baixar os custos”, revela o ceramista.

Estudos acadêmicos também comprovam a qualidade dos produtos cerâmicos piauienses. Os pesquisadores Roberto Arruda e Rubens Maribondo desenvolveram um trabalho científico que estudou o processo produtivo e a qualidade do produto cerâmico estrutural produzido no Piauí, principalmente em Teresina. O trabalho foi apresentado em 2007 no II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica, em João Pessoa, na Paraíba.


Peças cerâmicas do Piauí têm características superiores em relação às peças de outros estados

Os pesquisadores concluíram que todos os produtos cerâmicos pesquisados possuem propriedades tecnológicas bem acima do limite exigido pelas normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), evidenciando a boa qualidade da cerâmica estrutural do polo cerâmico do Piauí. Entre os produtos pesquisados, o destaque ficou por conta das telhas prensadas, que apresentaram as melhores propriedades tecnológicas, como o nível de absorção de água e a tensão de ruptura à flexão. Mas os tijolos e as telhas comuns também tiveram resultados bastante satisfatórios. De acordo com a pesquisa, essas características superiores das peças cerâmicas piauienses são obtidas devido à seleção das argilas utilizadas nas formulações da massa cerâmica, ao método de conformação, ao uso tecnológico e rigor no processo produtivo.

A expectativa do setor para 2012 é a melhor possível, depois de um período de alta demanda em 2010 seguido por uma paralisação dos avanços no ano passado. “Chegamos a ter dificuldade de atender à demanda. Já no ano de 2011 o Governo Federal elaborou novas normas para o Programa Minha Casa, Minha Vida, que praticamente ficou paralisado. Foi um ano que sobrou material dentro das cerâmicas, só no final de 2011 retomaram o Programa. Em 2012, esperamos uma retomada e que a crise internacional não venha atrapalhar nossas vidas no Brasil, havendo um equilíbrio nessa demanda da produção”, aposta José Joaquim.

Tijolos Cerâmicos são referência construtiva e cultural na arquitetura piauiense

Para os piauienses, a utilização do barro é uma característica de referência, não só construtiva, mas também cultural. Sem abandonar a tradição, o polo ceramista piauiense segue avançando com novas tecnologias. Se no passado, o tijolo aparente nas construções era sinônimo de uma tradição que não agregava estilo, hoje, faz parte do leque de opções dos arquitetos que pretendem aliar bom-gosto com um toque de rusticidade. O arquiteto Júlio Medeiros (foto abaixo) destaca que a arquitetura tradicional piauiense veio da taipa e do tijolo de adobe, feito de barro e cozido ao sol. Para Medeiros, o barro é uma “riqueza natural” do Estado, e um elemento que sempre favoreceu a região. “A própria arquitetura brasileira, que foi influenciada pela arquitetura portuguesa, tem essa tradição da utilização do tijolo de barro, o tijolo cerâmico”, pontua.



Arquiteto Júlio Medeiros costuma dar preferência aos materiais da cultura local em seu trabalho

O arquiteto frisa que o Piauí conta com um polo ceramista que, além de fortalecer o mercado regional, é referência nacional. As características peculiares do Estado, em relação a argila, propiciaram também o desenvolvimento de novas tecnologias utilizando o material cerâmico para construir prédios de até quatro andares com alvenaria estrutural, que consiste em tijolo sobre tijolo, em blocos especiais, onde as instalações passam todas embutidas.

“Temos obras tradicionais no Piauí que mostram a importância do uso da cerâmica, como o Troca-Troca, que é todo feito de alvenaria estrutural, tijolo sobre tijolo”, lembra. Júlio Medeiros afirma que a cor, tanto da telha, como do tijolo, é mais uma marca da cultura local na arquitetura contemporânea. “Quem pega um voo e chega em Teresina pode ver aqueles telhados todos vermelhos. Muitos arquitetos amigos meus que chegam de fora se encantam com essa característica da nossa cultura. Isso é uma referência que a gente tem que manter, e ao mesmo tempo dar esse salto de evolução tecnológica, de evolução da contemporaneidade, que é a evolução da tecnologia do tijolo, como operador estrutural, como painéis, como esse sistema abobadado, em que foi feito o Troca-Troca", argumenta.


Troca-troca é exemplo de arquitetura com tijolo estrutural / Foto: Divulgação

A utilização de tijolos aparentes em construções também evoca um novo conceito de sustentabilidade e preservação do meio ambiente. “A gente está fazendo um bem de geração de renda e transmitindo uma linguagem cultural, que é importante”, frisa Medeiros, que está realizando um empreendimento no município de Pedro II, onde pretende resgatar a utilização do tijolo de adobe. O arquiteto conta que, durante seu trabalho, procura sempre dar preferência aos materiais da cultura piauiense, entre eles, a cerâmica. “A gente tem que ser ao mesmo tempo contemporâneo e vernacular”, resume.


Tijolo aparente dá um ar de tradição e contemporaneidade / Foto: Divulgação

Degradação ambiental afasta olarias artesanais da produção de tijolos

O início da atividade oleira do bairro Poti Velho ocorreu há 45 anos, quando mais de 10 grandes proprietários de terra da zona norte de Teresina apropriaram-se dos 53 hectares da atual área de produção do tijolo artesanal, após terem exaurida toda a argila de uma lagoa localizada no bairro Nova Brasília. Os proprietários passaram então a arrendar pequenos lotes para trabalhadores, cobrando deles 20% da renda total auferida. Em 1987, o governo municipal tomou medidas judiciais que resultaram na retirada dos grandes proprietários de terras da área. Porém, nas gestões que se sucederam, a prefeitura nunca legalizou a situação dos posseiros.

Apesar de ainda persistir em Teresina a extração artesanal de argila, principalmente nos bairros Olarias e Poti Velho, situados numa região caracterizada pela formação de lagoas e no encontro dos rios Parnaíba e Poty, a atividade de oleiro, ou seja, produtor de tijolos, desempenhada por décadas pelos moradores do lugar está deixando de existir com o apoio da iniciativa pública.

A dependência dos oleiros em relação aos períodos sem chuva acarretam perdas de cunho econômico e social, já que a atividade é exercida somente entre os meses de junho e novembro. Além disso, a área de onde os oleiros tiram seu sustento está severamente degradada e pode contribuir para o crescimento dos alagamentos e do risco para a saúde da população.

Polo ceramista do bairro Poty Velho, em Teresina / Foto: Divulgação

As pesquisadoras Mugiany Oliveira Brito Portela e Jaíra Maria Alcobaça Gomes, da Universidade Federal do Piauí, realizaram uma pesquisa intitulada “Extração de argila no bairro Olarias (em Teresina – PI) e suas implicações socioeconômica e ambiental”, onde explicam que a exploração da argila sem cuidados com o meio-ambiente pode acarretar em impactos negativos ao ambiente, como degradação no solo, com cavas abandonadas, acúmulo de lixo, desmatamento, assoreamento e poluição do ar.

“Para a fabricação dos tijolos, os oleiros desmatam, consomem lenha como fonte de energia, contribuem para a poluição da atmosfera, da água e do lençol freático, prejudicando o ciclo natural do escoamento dos sedimentos (areia, argila, silte) para os rios, causando como principal consequência, o assoreamento bem evidente nos rios Poti e, especialmente, no rio Parnaíba. Os recursos utilizados para a fabricação dos tijolos incluem também a areia, a palha de arroz e a serragem, provenientes de outros pontos da cidade, o que representa danos ambientais indiretos, visto que são explorações sem cuidados ambientais”, diz o estudo.


Olarias tradicionais resistem com dificuldades / Foto: Divulgação

Para deixarem a profissão, sem perderem renda, os oleiros são apoiados pela Prefeitura de Teresina em atividades como cursos de corte e costura, tecnologia em cerâmica vermelha, pedreiro, cabeleireira, informática e modelagem e pintura em argila. O consultor do Programa Lagoas do Norte, Raimundo Caminha, afirma que a atividade oleira é irregular do ponto de vista da lei, já que não obedece às legislações trabalhista, de mineração e ambiental. “A extração de argila chegaria a um fim natural durante os próximos quatro ou cinco anos", ressaltou.

O projeto de reconversão laboral dos 59 posseiros de lotes das olarias e dos 189 trabalhadores que atuam na exploração da argila e fabricação de tijolos foi elaborado conjuntamente por técnicos da secretarias municipais de Planejamento, Desenvolvimento Econômico e da secretaria de Trabalho, Cidadania e Assistência Social, somando recursos de R$ 1.484.160,00, sendo R$ 1.456.620,00 de indenização e R$ 27.540,00 para capacitação profissional, aportados pelo financiamento do Banco Mundial com a contrapartida da prefeitura municipal de Teresina.

Conheça os diferentes tipos de tijolos:

Estar bem informado sobre os diferentes tipos de tijolo é essencial antes de iniciar uma obra. Fatores como carga estrutural, isolamento termoacústico, absorção de água, luminosidade e estética devem ser levados em conta antes de iniciar qualquer tipo de construção, adequando assim as vantagens de cada tipo de tijolo às necessidades da obra.

Tijolo de barro cru

Esse tijolo é também conhecido como adobe ou adobo, muito utilizado antigamente, mas hoje é pouco usado devido aos cuidados que requer para resistir às intempéries.

Tijolo comum

Também chamado de tijolo de barro cozido, é maciço e pequeno, proporcionando conforto térmico e acústico.

Tijolo baiano

O tijolo furado é o mais barato e mesmo sem suportar cargas estruturais possui desempenho térmico superior ao tijolo comum. Em geral se encontram os de seis e de oito furos, mas há uma grande variedade de tijolos furados.

Tijolo laminado

São uma evolução do tijolo de barro cozido. Indicados para alvenaria aparente, possuem maior resistência mecânica e menos porosidade, com menor absorção de água.

Tijolo refratário

Um tipo especial de tijolo cozido, feito com argila enriquecida de materiais que diminuem a retração mecânica quando exposto ao forte calor.
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