Fuvest desvincula bônus para aluno de escola pública de desempenho

A Universidade de São Paulo (USP) anunciou, nesta quinta-feira (5), que o bônus do Programa de Inclusão Social (Inclusp) - criado para incentivar o ingresso de alunos de escola pública na universidade - será concedido integralmente a todos os estudantes da rede pública que acertarem mais de 27 questões na prova da primeira fase da Fuvest. Antes, o bônus era calculado de acordo com o desempenho do aluno.

Até o último vestibular da Fuvest, só recebia o valor máximo do bônus o estudante que acertasse mais de 60, das 90 questões da prova da primeira fase.

Tipos de bônus
Pelo Inclusp, quem cursou o ensino médio em escola pública tem direito a 12% de bônus. Quem cursou tanto o ensino fundamental quanto o ensino médio na rede pública tem direito a 15% sobre a pontuação na prova.

Os candidatos que participam também do Programa de Avaliação Seriada (Pasusp) – que cursaram o ensino fundamental na rede pública e ainda estejam cursando o 2º ou 3º ano do ensino médio em escola pública – têm direito a 20% de bônus. Já os candidatos pretos, pardos e indígenas que cursaram ensino fundamental e médio em escola pública recebem ainda 5% de bônus adicional.

Outra mudança será que a nota de corte deve ser calculada depois do acréscimo do bônus, o que pode fazer com que ela aumente de um a dois pontos, segundo informações divulgadas pela Pró-Reitoria de Graduação da USP.

No último vestibular, o valor médio do bônus recebido pelos alunos de escola pública foi de 9%, de acordo com o pró-reitor de Graduação, Antonio Carlos Hernandes. Por esse motivo, ele considera que a mudança aumentará consideravelmente a bonificação. A expectativa é que haja um crescimento de 4% a 6% no número de ingressantes de escolas públicas na próxima Fuvest.

Em 2014, 32,3% dos ingressantes na universidade estudaram em escola pública. A expectativa é que, em 2015, com a modificação do bônus, essa parcela aumente para 37 ou 38%.

Hernandes observa que a USP ainda não alcançou a meta proposta pelo programa de cotas criado pelo governo do Estado de São Paulo, chamado Pimesp, que prevê reservar 50% das vagas para alunos de escolas públicas até 2016. O Pimesp previa que, em 2014, 35% das vagas das universiades estaduais paulistas já fosse ocupada por alunos da rede pública.

Em 2014, a USP ofereceu 11.057 vagas, um aumento de 105 em relação ao ano passado. Dos 172.037 inscritos no vestibular, 38% vieram de escolas públicas.

Desigualdade
A porcentagem de alunos de escola pública na USP varia bastante de acordo com a unidade. Na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, por exemp0lo, de 1669 vagas, 629 são ocupadas por estudantes que fizeram o ensino médio em escola pública, o que corresponde a 37,6%. Já na Faculdade de Direito, das 460 vagas, apenas 87 são ocupadas por alunos que fizeram escola pública, o que equivale a 18,9%. Na Facudade de Medicina, de 250 vagas, 103 foram ocupadas por alunos de escola pública, 41,2% do total.

G1

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