Representante do Piauí é campeão nacional de badminton para surdos

O Campeonato Brasileiro de Badminton para Surdos, realizado em Brasília, teve como vencedor um representante do Piauí. Natural da Paraíba, mas em terras teresinenses antes mesmo de dar os primeiros passos, o atleta Rodolfo Cavalcanti trouxe a medalha de ouro para o Estado e planeja levar a bandeira a outros cantos do país.


Convidado por um amigo a conhecer o badminton, desporto praticado com uma raquete e um volante ou peteca, Rodolfo descobriu no esporte um talento que pretende explorar. Jogando badminton há apenas um ano, na modalidade individual, o jovem de 26 anos já participou de duas competições nacionais e, em ambas, ficou entre as três melhores colocações.

Em novembro do ano passado, o atleta trouxe ao Piauí a medalha de bronze do Campeonato Nacional de Badminton, realizado em Fortaleza, no qual pessoas com deficiência e pessoas ditas normais participaram. Dentre os competidores, apenas dois possuíam deficiência auditiva, sendo que um deles era Rodolfo. A partir desta competição, o jovem passou a incentivar a criação de um campeonato de badminton somente para os surdos.

Após um trabalho de divulgação da ideia, a Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS Brasil) promoveu o 1º Campeonato Brasileiro de Badminton para Surdos, no qual Rodolfo alcançou o lugar mais alto do pódio. “Fiquei muito feliz em poder representar o Piauí e trazer essa medalha de ouro. O próximo passo é o Campeonato Sulamericano de Surdos que será no Rio Grande do Sul e se eu conseguir vencer, farei de tudo para participar do Mundial em 2015”, planeja o jovem.


Com a ajuda de uma intérprete de libras cedida pela Central de Interpretação de Libras de Teresina, Rodolfo conta que pretende estimular os jovens a praticar o badminton, apesar das dificuldades encontradas no esporte. “Além da falta de incentivo e recursos, o badminton exige muita técnica, estratégia e locais adequados. No entanto, vem crescendo no Estado, principalmente entre os atletas que possuem alguma deficiência. Acho que estou fazendo a minha parte e assim como eu, espero que mais pessoas descubram esse desporto”, ressaltou.

Além do badminton, Rodolfo já praticou por muito tempo a natação, esporte pelo qual obteve cerca de 28 medalhas, a maior quantidade já alcançada no Piauí por um atleta com deficiência auditiva. Atualmente, o jovem também faz um curso de formação de árbitro de badminton e deseja ser um dos selecionados para apitar as Paraolimpíadas de 2016, entretanto, seu foco é a prática do esporte e se tornar um dos melhores atletas de badminton é a sua meta para um futuro próximo.

Badminton no Piauí

O Badminton chegou ao Piauí há um pouco mais de oito anos, a partir de uma ideia visionária de um ex-atleta que carrega consigo a frustração de não ter sido um competidor olímpico. Em 2005, Francisco Ferraz saiu do Paraná com o objetivo de implantar o esporte no estado, e trouxe na bagagem uma série de preconceitos e descrenças, que teve de enfrentar.

No primeiro momento, a intenção era massificar o esporte para torná-lo conhecido contando apenas com o apoio do governo do estado. Em poucos anos, foi possível perceber a força desse grande projeto com engajamento social, que logo mostrou a que veio.

Consolidado no Piauí como o esporte que mais revela talentos na atualidade, o badminton aos poucos vai conquistando espaço, principalmente entre os paratletas nos Centros de Treinamento de Teresina.

Ascom

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