Lula descarta Brasil como depositário de urânio iraniano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou nesta quarta a possibilidade de o Brasil ser depositário de urânio enriquecido pelo Irã. Ele afirmou que há países mais próximos do território iraniano que podem desempenhar esse papel. "O Brasil não trabalha com a hipótese de ser depositário do urânio do Irã. Tem países mais próximos que poderiam depositar urânio, mas isso também vai depender da disposição do Irã", afirmou, depois de reunião com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, no Palácio do Itamaraty.

Em visita a Teerã encerrada nesta terça, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) admitiu essa possibilidade, dizendo que o Brasil não recebeu nenhuma proposta para atuar como depositário, mas que se houver, será examinada. Pela primeira vez ontem, Lula afirmou explicitamente que sua visita ao Irã, no dia 16 de maio, servirá para tentar convencer o presidente Mahmoud Ahmadinejad a não desenvolver material bélico a partir do enriquecimento de urânio.

"Espero que a gente possa convencer os companheiros iranianos a não querer dar um passo adiante para construir bomba nuclear". Em meio à pressão internacional liderada pelos EUA por sanções econômicas mais duras contra o país persa, o presidente brasileiro disse que ainda acredita que há chance de entendimento, o que evitaria penalidades ao governo Ahmadinejad.

"Trabalhamos junto com China, Rússia, Estados Unidos, França, para evitar que houvesse precipitação de sanções contra o Irã porque isso não iria resolver absolutamente nada", afirmou Lula em declaração à imprensa.

Lula disse que, apesar de os Estados Unidos defenderem no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) sanções aos iranianos em razão de seu programa nuclear, não vê hipótese nem "oportunidade política" de que o país venha a invadir o Irã --hipótese que fora aventada na véspera pelo seu assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Segundo ele, não houve debate suficiente entre os países para que se garanta ao Irã o direito de desenvolver pesquisa nuclear para fins pacíficos, como o uso do urânio enriquecido para fabricação de remédios e de energia. Disse que o Brasil pode e deve se envolver no assunto tentando mediar uma solução porque tem grandeza e é pacifista.

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