Oposição ameaça ir à Justiça contra Lula na TV

A oposição acusou nesta quinta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de favorecer a sua candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT), na mensagem sobre o Dia do Trabalho, comemorado em 1º de maio. A fala de Lula foi exibida em rede nacional de televisão. O DEM e PSDB estudam uma ação na Justiça.

Na mensagem, o presidente disse que a população aprendeu a não dar “ouvidos à turma do contra” e que o Brasil está preparado para o futuro. “Mas é preciso que a gente continue tomando as decisões certas, nas horas certas”, continuou.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que o discurso de Lula força uma mensagem subliminar a favor da candidata do PT e o presidente aproveita o momento na televisão para criticar a oposição. “Ele tem mostrado reiterada disposição de desdenhar do passado recente como se a estabilidade econômica não fosse produto disso também”, disse Dias.

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), ironizou as críticas da oposição sobre o pronunciamento do presidente. “Eu acho importante que a oposição saiba que quando o presidente diz que a população vai saber escolher, o presidente está falando de Dilma”, disse.

O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, afirmou que vai acionar o departamento jurídico do partido para ingressar com uma possível ação na Justiça Eleitoral. “Vou pedir para os nossos advogados analisarem as fitas. Mas achei politizado demais. Não tem quase nada de dia do trabalho”, disse.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) afirmou que Lula zombou mais uma vez da Justiça. “Ele se acha ‘o cara’, aquele que pode tudo. Já ridicularizou a Justiça e acaba de fazer isso de novo”, disse. “Lula se esquece que jurou a Constituição. Os partidos de oposição devem entrar com uma ação contra ele”, afirmou.

O advogado do PSDB, Ricardo Penteado, disse que poderá tomar alguma medida caso o comando do partido determine. “Esse apelo à continuidade não tem nada a ver com o Dia do Trabalho. Precisa ser ingênuo demais para não notar isso”, disse. “Mas eu preciso de uma ordem do partido para ingressar com qualquer ação”, completou.

O deputado Paulinho da Força (PDT-SP) afirmou que a mensagem “não teve caráter eleitoreiro”. “A oposição está muito nessa de tentar caracterizar tudo como se fosse campanha”, criticou. Segundo o deputado, o modelo a que Lula se referiu foi ao econômico e não a uma eventual continuidade de Dilma no governo.

No dia 1° de maio, o presidente e a sua candidata confirmaram presença na festa das centrais sindicais em São Paulo. Só a festa da Força Sindical, por exemplo, deve reunir mais de dois milhões de pessoas na Praça Campo de Bagatele, na zona norte da cidade, para assistir a apresentações de shows populares.

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