Gleise Hoffmann diz que é cedo para falar de possíveis vices nordestinos de Lula

Gleisi Hoffmann evitou falar sobre os nomes de Flávio Dino, PC do B, e Ricardo Coutinho, do PSB.

Muito se especula sobre as eleições de 2018, onde serão eleitos 27 governadores das unidades federativas, dois terços do Senado, a totalidade da Câmara dos deputados, representantes do legislativo estadual e presidente da República. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), a presidenta - como prefere ser chamada - nacional do Partido dos Trabalhadores, falou exclusivamente à Política Real sobre a estratégia do partido para o pleito no Nordeste, a possível candidatura do ex-presidente Lula, e sobre um projeto nacional de poder incluindo os mais pobres.  Ela disse que é muito cedo falar de vice-presidentes na chapa de Lula vindos do Nordeste. Ela evitou falar sobre os nomes de Flávio Dino, PC do B, e Ricardo Coutinho, do PSB.

De acordo com a senadora, a intenção do PT é mostrar aos nordestinos que o país foi tomado por golpistas, liderados pelo atual presidente Michel Temer (PMDB), pelo deputado cassado, Eduardo Cunha (PMDB) e pelo senador Aécio Neves (PSDB)

"Juntos, eles já conseguiram aprovar o congelamento dos investimentos públicos em saúde e educação por 20 anos e acabaram com a CLT, retirando uma série de direitos dos trabalhadores. O governo de Temer é um desastre, pois aumenta salários de juízes e promotores, que são a elite do funcionalismo público, enquanto suspende reajustes e corta benefícios do Bolsa Família; distribui R$ 14 bilhões em benefícios a parlamentares para evitar sua cassação por corrupção, ao mesmo tempo em que acaba com as unidades do programa Farmácia Popular e com os investimentos no Minha Casa, Minha Vida", afirmou Gleisi.

Para a senadora, as pessoas estão com saudade de Lula, que foi o único governante que incluiu os mais pobres no orçamento brasileiro. "Em agosto, nosso ex-presidente terá a oportunidade de fazer a caravana de 20 dias pela Região Nordeste para se reencontrar com um Brasil que muitos, infelizmente, ainda insistem em ignorar", contou.

O PLEITO DE 2018

A presidenta contou que ainda é prematuro falar das eleições de 2018, porque existe muita especulação. Mas, com base nos retrocessos do Congresso Nacional, Gleisi afirma que a saída da crise se dará por meio de partidos de esquerda.

"Hoje são [os partidos de esquerda] os mais preocupados em defender uma pauta que contempla desenvolvimento social e desenvolvimento econômico. Ano que vem temos eleição e as pessoas precisam se conscientizar da importância de seus votos para o Congresso Nacional. Precisamos de deputados e senadores com propostas que sejam do interesse da população para não repetirmos o que está ocorrendo atualmente, em que a bancada de ruralistas consegue perdão de dívidas bilionárias e empresários aprovam leis que prejudicam o trabalhador", ressaltou.

A CANDIDATURA DE LULA

Gleisi contou que a candidatura de Lula irá unir vários nomes de peso em torno de um projeto político voltado aos mais pobres, buscando a retomada do crescimento e do emprego, mas falar de qualquer montagem de candidaturas seria um equívoco.

"Lula já provou que sabe governar e acredito que essa experiência adquirida em seus oito anos de mandato vai aglutinar forças importantes para derrotar o projeto entreguista de Temer, que só beneficia os mais ricos de nossa sociedade", ressaltou.

Segundo a senadora, nenhuma discussão eleitoral começou, e nomes nordestinos especulados para vice-presidente - como Flávio Dino (PCdoB-MA) e Ricardo Coutinho (PSB-PB) - só serão discutidos depois que as regras para novas eleições sejam aprovadas.

"O que posso adiantar é que o PT e Lula vão buscar um vice comprometido com o projeto de nação que queremos, e que saiba respeitar o candidato eleito nas horas mais fáceis e nas mais difíceis, que seja companheiro, leal, a exemplo do que fez o saudoso e honrado José Alencar", garantiu a senadora.

GRANDES LIDERANÇAS

A senadora também falou da integração do sul num projeto nacional de poder. A região sul do Brasil - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - tem o IDH elevado, é raiz do empreendedorismo, cooperativismo e agronegócio, e onde os setores econômicos mais se integram.

"A região Sul do País já produziu grandes lideranças, como os ex-presidentes Getúlio Vargas e João Goulart, fortemente marcados pela defesa de causas sociais, e o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. Esses três gigantes de nossa história deixaram um legado de conquistas que ainda hoje tem impacto sobre a vida dos brasileiros", lembrou a senadora.

"Os governos recentes do PT, embora liderados por um nordestino, Lula, contaram com a participação de várias figuras da região Sul, entre as quais destaco Olívio Dutra e Tarso Genro, o ex-senador Pedro Simon e o atual Roberto Requião, entre outros. Mais do que nunca, está na hora de integrarmos esse país com solidariedade e conhecimento. Queremos um Brasil soberano e que tenha como prioridades o atendimento aos mais pobres, que hoje voltaram a passar fome e a pedir esmola nos semáforos e nas portas dos supermercados. Não podemos aceitar esse retrocesso, ainda mais depois de todo o trabalho realizado por Lula e Dilma, que lutaram incansavelmente para reduzir um pouco das desigualdades sociais que afligem os brasileiros", finalizou.

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