'Se não for neste ano, será no início do ano que vem', diz Temer sobre votação da Previdência

Questionado por jornalistas, ele disse que 'talvez seja possível' a votação ainda em 2017. Presidente participou de um encontro da Organização Mundial do Comércio em Buenos Aires

O presidente Michel Temer afirmou neste domingo (10), durante viagem oficial a Buenos Aires, que se a reforma da Previdência não for votada ainda neste ano na Câmara, deverá ser analisada no início do ano que vem.

Questionado por jornalistas, ele disse que supõe ser possível o plenário apreciar o tema ainda neste ano. Mas, se não der, Temer avalia que a matéria não ficará parada.

Presidente Michel Temer durante evento de abertura da conferência da OMC, em Buenos Aires (Foto: Marcos Corrêa/PR )
Presidente Michel Temer durante evento de abertura da conferência da OMC, em Buenos Aires (Foto: Marcos Corrêa/PR )

"Eu suponho que talvez seja possível [votar em 2017], mas, se não for, vamos encerrar a discussão ainda neste ano, e essa matéria da Previdência não vai parar. Se não for neste ano, será no início do ano que vem", afirmou o presidente, após discursar em conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos principais articuladores em favor da reforma, anunciou neste sábado (9) que vai iniciar a fase de debates da proposta no plenário no dia 14. A previsão de governistas é que, passado o debate, a votação possa ser realizada no dia 18.

Enquanto isso, o governo corre contra o tempo para conquistar os votos que ainda faltam. O recesso parlamentar no Congresso começa oficialmente no dia 22 de dezembro e vai até fevereiro.

Votar a Previdência em 2018 é considerado mais difícil, por se tratar de um ano eleitoral. Além de precisar de 308 votos dos 513 deputados em dois turnos na Câmara, o texto ainda precisa passar pelo Senado. O governo teria uma vitória se o tema precisasse ser analisado só pelo Senado em 2018.

Na Argentina, Temer quis passar otimismo com as negociações em torno da Previdência. Ele citou os partidos que já fecharam questão a favor da proposta. Ou seja, determinaram que sua bancada vote pela reforma e abriram possibilidade de punição para o deputado que desobedecer a orientação partidária.

"Eu quero dizer que a reforma da Previdência vai muito bem. O presidente Rodrigo Maia resolveu começar a discussão na quarta-feira (13) [Maia disse que será na quinta (14)], seguirá até segunda (18) ou terça (19). Quem sabe na terça (19), nós consigamos fechar", disse o presidente.

"Fecharam questão já o PMDB, o PTB, o PPS. Hoje falei com o presidente do PP, do PSD. Agora falei com o presidente do PRB. E estão todos entusiasmados com eventual fechamento de questão", completou Temer.

Comitiva presidencial

Temer deixou Brasília rumo a Buenos Aires na manhã deste domingo e voltou no mesmo dia para a capital federal. Ele levou na comitiva do governo o novo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB-MS), que ficará responsável pela articulação política do Palácio do Planalto no Congresso. Também viajou com o presidente o relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA).

A ideia de Temer era aproveitar a viagem a Buenos Aires para afinar com os aliados as negociações para votar a reforma.

Recessão

No discurso na abertura da conferência da OMC, o presidente citou dados da economia do país e disse que o Brasil deixou a "recessão para trás".

Ele falou a uma plateia formada por líderes e ministros de países que integram a OMC.

"O Brasil de hoje deixou para trás a recessão. Nossa economia se recupera, cria postos de trabalho, a produção industrial tem crescido, as taxa de juros recuaram para o menor patamar histórico, a inflação é a mais baixa em muitos anos", afirmou Temer.