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Wilson Martins é o 51º governador a tomar posse no Governo do Piauí

01/01/2011 • 18:59
Por Rômulo Maia
Fotos Dantércio Cardoso - Marcelo Cardoso

O governador eleito do Piauí, Wilson Martins (PSB), foi empossado no início da noite deste sábado (1º), na Assembleia Legislativa do estado, em Teresina. A assinatura do livro de posse ocorreu por volta das 18h35. Martins foi reeleito no segundo turno com 58,93% dos votos válidos.



O governador chegou por volta de 18h10 na Alepi. Quem comandou o ato de posse foi o presidente da Casa, deputado Themístocles Filho (PMDB). O termo de posse foi lido pelo deputado Nerinho, do PTB.

Wilson Martins é natural de Santa Cruz do Piauí, interior do Estado. Formado em medicina, é casado com a deputada Lílian Martins (PSB), com quem teve três filhos.

Antes de ser eleito governador, Martins presidiu a Fundação Municipal de Saúde (FMS), foi três vezes deputado estadual, secretário de Desenvolvimento Rural do Estado e vice-governador do Estado.

Em 1º de abril de 2010, quando Wellington Dias (PT) renunciou ao governo para se candidatar ao Senado, Martins assumiu o comando do Executivo estadual. Em outubro, ele disputou as eleições, vencendo no segundo turno o pleito disputado com Sílvio Mendes (PSDB).

O socialista é o 51º governador a assumir o comando do Piauí desde que o Estado deixou de ser província.



Veja o discurso de Wilson Martins na integra:

Minhas Senhoras, Meus Senhores.

Há mais de 2 mil anos, o romano Salústio já dizia: “O homem é o arquiteto do seu destino”.

Lembrar que o homem é Senhor de sua própria trajetória é especialmente importante para nós, piauienses, que crescemos ouvindo um discurso comodista e pessimista, considerando natural o fato do nosso Estado ocupar o final da fila em quase tudo.
Diante de qualquer adversidade, dizia-se: “É o destino”, como se destino fosse um carma que recebemos e do qual não conseguimos nos livrar. Como se destino fosse um roteiro prévio que não podemos reinterpretar. Como se destino fosse sinônimo de condenação.

Pois eu penso como Salústio: o nosso destino quem faz somos nós mesmos. E creio que posso falar a partir de minha própria trajetória, como demonstração de que o roteiro previamente definido pode ser reinterpretado ou mesmo reescrito, se assim quisermos.

Nasci num povoado em que faltava quase tudo. Mas também nasci numa casa onde a acomodação nunca teve pouso. E cresci ouvindo os incentivos de meus pais, que me empurravam para o mundo, em busca de melhor lugar. Meus pais não conheciam Carlos Drummond de Andrade, mas, como o anjo torto do poeta, sopravam: “vai, Wilson, ser gauche na vida”. Vai, Wilson, fazer teu caminho.

Esta foi a herança que eu e meus irmãos recebemos de nossos pais: a lição sobre o valor da coragem e do trabalho; o reconhecimento da necessidade de se enfrentar as circunstâncias; a convicção de que cada um pode fazer sua própria história.
Com essa herança, fui à luta.

Com as bênçãos de meus pais e amparo do meu tio e padrinho Sebastião, desembarquei em Teresina em busca de horizontes. Com uma bolsa do MEC, pude estudar no Diocesano. E lá aprendi, sobretudo, o que é a vida. Um aprendizado que me deu muitos amigos e, principalmente, um roteiro a seguir. Fiz Medicina na UFPI. Como estudante, empunhei a bandeira pela redemocratização. Como Médico, dediquei-me a salvar vidas; e também abracei as lutas de classe. Pelas mãos de Wall Ferraz, passei à administração pública, e logo à vida política e partidária.

Desde então, foram três mandatos de deputado, um de vice-governador e agora, de governador.

Sei bem: ser político não é uma tarefa fácil, pela exposição pública, pela descrença reinante, pelas limitações do espaço particular e da convivência com a família. Mas é também muito gratificante, pela possibilidade de servir ao povo. Apesar dos senões, tenho muito orgulho de ser homem público, tenho uma enorme satisfação de trabalhar pelas causas de todos.

A causa de todos!!! Esta tem sido a minha causa.

Desde sempre, foram os interesse do povo que nortearam minha vida. Também são as causas do povo que endereçaram minha campanha para governador.

Uma campanha diferente desde o primeiro momento, pautada pelo diálogo, pela apresentação de projetos para o Estado, pelo debate sobre os rumos de nossa Terra.

Fiz uma campanha orientada pelo respeito a cada piauiense, incluindo os adversários.

Nesta campanha, não fiz promessas; apresentei propostas. Não agredi; ofereci argumentos. Não me encastelei em uma superioridade ilusória; ao contrário: mantive a humildade de Filho do Sertão, e desci às ruas, andei pelos bairros, visitei as cidades. Conversei com nossa gente, olhando no olho, sendo verdadeiro em cada contato com os piauienses de todas as regiões.

Em quatro meses de campanha, percorri todo o Piauí. E pude reafirmar minha convicção no grande futuro que temos pela frente. Com cada eleitor que conversei, fiz um pacto que se resume a três palavras: trabalho, compromisso e dedicação.

Aqui eu quero conclamar cada piauiense que me ouve, para que se junte a esta grande tarefa de redesenhar o futuro de nosso Estado. Mais que nunca, vamos precisar daquelas três palavrinhas: trabalho, compromisso e dedicação.

Vamos precisar do trabalho que constrói e transforma. Sem trabalho planejado e estrategicamente orientado, não seremos capazes de tornar realidade todos os sonhos que alimentamos há tanto tempo.

Vamos precisar do compromisso com esta terra e esta gente, para que o resultado do nosso suor seja o alicerce fundamental à construção do bem-comum.

E, mais que tudo, vamos precisar de muita dedicação, para que a dívida social que ainda persiste seja superada rapidamente, consolidando as transformações que nos encaminham para uma sociedade mais próspera e justa.

Repito: não é uma tarefa fácil. Mas está longe de ser impossível. Porque o destino que desejamos é filho da persistência.

E hoje posso dizer, sem medo de errar: sou fruto da persistência e do trabalho. Sou filho da teimosia. E também da certeza de que não precisamos esperar pelo destino que nos reservam. Podemos fazer nosso próprio caminho, e conseguir algo diferente, novo, melhor.
Quando digo “podemos”, no plural, é para lembrar que isto cabe a cada um de nós, piauienses.

E podemos mesmo. Primeiro, porque já não somos o último da fila. Isto é passado. Hoje somos muito mais. Somos o estado que mais cresce no Brasil. Somos o estado que mais gera emprego no Nordeste. Somos um estado que melhora a cada dia.

Diante dessas mudanças, devemos prestar agradecimentos a muitas pessoas, pelo empenho em defesa do Estado. Mas, me permitam, quero agradecer especialmente ao presidente Lula, que ousou mudar o roteiro tradicional e fez um governo que incluiu pessoas, que redescobriu regiões e redesenhou o mapa social do Brasil. As mudanças no Piauí são parte deste novo roteiro.

É preciso também reconhecer o trabalho de Wellington Dias, este “pequeno grande homem”, meu amigo e companheiro; parceiro de lutas e, acima de tudo, comprometido com sua terra. Wellington conciliou o olhar social com a busca do desenvolvimento.

O resultado é um Piauí mais estruturado, por fim em condições de dar o grande salto que precisa ser dado. Um salto para o futuro, mais seguro, mais comprometido com nossa gente, mais confiante nas próprias possibilidades que o Estado oferece, sempre ofereceu.

Eu dizia que podemos fazer nosso próprio caminho. E podemos mesmo, também porque temos uma gente trabalhadora, a mais dedicada de todo o país. E temos um Estado de oportunidades, aberto aos que desejam realizar: as oportunidades dos cerrados e do litoral; as oportunidades da mineração e da agricultura irrigada; as oportunidades dos clusters da educação e da saúde; as oportunidades dos arranjos produtivos locais, do turismo e da indústria de transformação que começa a se insinuar.

Enfim, temos um Piauí inteiro pronto para fazer do sonho de ontem a realidade palpável de hoje e de amanhã.

Temos um enorme horizonte para o futuro. Mas também temos muitos desafios, no presente. Porque também enfrentamos uma realidade delineada pelas dificuldades.

Sim, temos muitas dificuldades. A crise de 2008 ainda pesa sobre nossos ombros, agravada por outros gargalos, como o exorbitante custo da dívida; e o enorme déficit previdenciário.

Temos dificuldade por uma economia ainda incipiente. Somente nesta década começamos a assentar uma nova base econômica que nos permita, no médio prazo, ficar menos dependente dos repasses federais.

Tudo isto quer dizer apenas uma coisa: precisamos ser mais eficientes que nunca. Precisamos racionalizar a máquina pública e otimizar cada centavo que é do povo. Em uma frase mais clara: precisamos fazer mais com menos.

Precisamos fazer mais e mais, porque o Piauí tem pressa. Vamos fazer os investimentos estratégicos: fortalecer a infraestrutura, redimensionar o setor de saúde, ampliar o papel da educação. Vamos levar mais segurança para as ruas, e produzir o conhecimento capaz de multiplicar nossas chances de inserção neste mundo globalizado. Porque esta terra tem sede de progresso; esta terra tem fome de grandeza. E, por tudo isto, vamos fazê-la cada vez maior, cada vez melhor, cada vez mais senhora do seu destino, o seu grande e merecido destino.

Para levar adiante essa empreitada, quero andar de braços dados com toda a sociedade piauiense:

Dar as mãos ao movimento social, agente fundamental das transformações coletivas. Ao Judiciário, parceiro imprescindível no estabelecimento da ordem e do alicerce democrático. Ao Ministério Público, vigilante na proteção dos interesses comuns. À Defensoria Pública, caminho de Justiça para o cidadão desamparado. Ao Tribunal de Contas, rigoroso na proteção dos bens resguardo dos interesses públicos.

Dar as mãos ao Poder Legislativo, viga-mestra da atividade política e espaço das diversidades ideológicas. Às universidades e faculdades, base da construção de uma sociedade realmente autônoma e independente. Ao setor empresarial, parceiros na geração de riquezas e bem-estar.

Enfim, dar as mãos a todos os segmentos sociais e políticos, visando fazer um governo democrático, transparente e, acima de tudo, eficiente na execução de políticas públicas. Porque somente juntos poderemos dar resposta rápida e precisa às demandas – que são tantas.

Podem ter certeza: seremos implacáveis na defesa dos interesses do Estado. Toda vez que se fizer necessário, vamos encabeçar movimentos que possam gerar dividendos importantes para nosso povo. Um exemplo é a luta pela redistribuição dos royalties do Pré-Sal. Estou certo que esta luta não terminou, e podemos construir um marco regulador que contemple a todo o Brasil, em especial os estados mais vulneráveis, como o Piauí.

Quero que o Piauí seja, cada vez mais, a terra querida cantada por Da Costa e Silva, cheia de belezas que os céus arrebatam, e de uma gente que encanta pelos dons que possui.

Minhas Senhoras, Meus Senhores...

Estou assumindo hoje este novo mandato à frente do governo do Estado. Assumo para um mandato inteiro, e me entrego inteiro ao trabalho de uma levar uma vida melhor para todo o povo.

E podem ter certeza: quem hoje assume este mandato de governador é alguém, acima de tudo, crente, confiante, otimista com as coisas deste estado. Não é uma confiança cega, sem base. Muito pelo contrário. Confio porque conheço cada canto do Piauí.

Conheço cada município, sei das aspirações e dos desejos de nossa gente. Também sei o que esta terra pode produzir, e sei do que nosso povo é capaz de realizar.

Assumo confiante porque sei que levo comigo a vontade de todos os piauienses.

Estou tomando posse porque conquistei uma vitória. E uma vitória nunca é solitária. Ela é uma construção coletiva. E se é assim, preciso fazer alguns agradecimentos...

Quero agradecer a Deus, pela fé que me enche de confiança e me dá força para a luta. Ao povo do Piauí, sempre generoso e esperançoso. Quero agradecer a meus companheiros de empreitadas: partidos, candidatos, militantes e anônimos que abraçaram nossas propostas e nosso nome.

Ao Zé Filho, meu querido vice, meu incansável parceiro de empreitada, sempre disposto a colaborar. Agradeço em especial à militância do PSB, que desde muito cedo acreditou e deu suporte a um projeto socialista de governo.

Quero agradecer à minha família: meus irmãos, solidários em cada momento, em especial os mais difíceis. A meus filhos: ao Raphael, uma revelação extraordinária pela sensibilidade e carinho no trato com o povo... Ao Victor, sempre discreto, atento a tudo; apesar da juventude, oferece conselhos de uma maturidade incrível... Ao Wilson Filho. Para me dirigir ao Wilson Filho, uso as palavras de Quintana: Nunca diga que esqueceu um amor, diga apenas que consegue falar nele sem chorar.

Claro, quero agradecer à Lílian, minha conselheira de todos os dias, minha companheira de todas as horas. Olhando para a Lílian, também me utilizo de Quintana: É tão bom morrer de amor... e continuar vivendo.

Lílian, você me faz um homem melhor.

Minhas senhoras, Meus senhores.

Para encerrar, queria retomar a idéia inicial, aquela de que todo homem é o arquiteto de seu destino. Ou, como diria Shakespeare: “O destino é quem embaralha as cartas, mas somos nós que jogamos”.

A propósito, esta semana, parei para rever um certo filme.Tornei a vê-lo porque conta a história de um homem que teimou em não se entregar, que teimou em fazer algo novo para seu povo e, de tanto teimar, construiu uma nova história para toda uma Nação.

O filme (Invictus) conta a historia de Nelson Mandela, da ascensão do líder negro ao poder. No governo, Mandela unificou uma Nação dividida, deu a ela o reconhecimento mundial e abriu caminhos para uma nova realidade.

Ao possibilitar a convivência entre brancos e negros, Mandela realizou o que parecia impossível, o que certamente se mostrava improvável. Mas realizou porque acreditou que o impossível existe quando a vontade está ausente. E o improvável é apenas uma barreira que a determinação costuma derrotar.

O exemplo de Mandela é o exemplo da superação, da determinação e da realização do sonho improvável.

Creio que é um bom exemplo para a Humanidade; e vem bem a calhar para o caso piauiense. Diria mais: é um espelho que tomo para o enfrentamento dos desafios que tenho pela frente.

O titulo do filme vem de um pequeno poema, que Mandela guardava como o canto de guerra, como um ânimo para a alma. O nome da obra é Invictus, que em Latim significa invencível. Diz o poema, ao final:

Não importa a estreiteza da saída.
Tampouco os percalços do caminho:
Sou o dono do meu destino;
Sou o comandante de minha alma.

Portanto, esqueçamos o que projetaram para nós. Esqueçamos o destino que nos reservaram. Esqueçamos o cantinho que nos deixaram escondido. Vamos decidir (nós mesmos) o que desejamos ser. Vamos decidir (nós mesmos) onde queremos chegar.

Vamos construir nosso próprio caminho, para alcançar o destino que escolhemos ter. Vamos tomar as rédeas de nossa trajetória, porque somos donos de nosso destino, somos comandantes de nossas almas.

Ao futuro. Ao sonho. À realização de nossas metas e nossos desejos.

Muito obrigado.































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