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Planalto teme que delação de Vargas aumente pressão por impeachment

18/04/2015 • 13:49
Expulso sumariamente do PT e abandonado pela cúpula partidária, o ex-deputado André Vargas, preso na semana passada pela Operação Lava-Jato por suspeita de integrar o esquema de corrupção na Petrobras, avisou a investigadores que estuda fazer um acordo de colaboração. A informação foi repassada pelo ex-político na quinta-feira. O temor do Palácio do Planalto e dos petista é que os fatos revelados por Vargas sirvam de base jurídica para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O ex-deputado ainda analisa se faz uma delação premiada ou se ajuda espontaneamente na apuração do caso.

Na delação, o ex-deputado assina uma espécie de “contrato” sobre os temas que revelará e obtém a promessa por escrito de que o Ministério Público Federal pedirá ao juiz uma redução da pena. No entanto, se optar simplesmente por uma colaboração espontânea, seria nos moldes da que foi feita pelo vice-presidente da Engevix, Gérson Almada. Ao pedir para prestar depoimento, o empreiteiro, por exemplo, revelou suas ligações com operadores do esquema e com o ex-ministro José Dirceu. Almada afirmou que deu dinheiro para o operador Milton Pascowith entregar a funcionários da Petrobras e do PT, como o tesoureiro licenciado, João Vaccari. Na sequência, pediu liberdade ao juiz Sérgio Moro, mas, até o momento, o executivo continua preso.

Na quinta-feira, Vargas prestou seu primeiro depoimento no prédio da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, no Paraná, no entanto, optou não dizer nada. A advogada dele, Nicole Trauczynski, só saiu de lá à noite. Ela defendeu o operador Enivaldo Quadrado na Lava-Jato, também investigado no mensalão. O Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou em 2012 a três anos e meio de prisão mais multa de R$ 28 mil por lavagem de dinheiro. Cumpriu pena com restrição de direitos.

Na Lava-Jato, Quadrado foi preso em novembro. Mas, antes mesmo disso, já tinha resolvido falar na operação. Ainda no primeiro semestre, revelou ter emprestado dinheiro ao doleiro Alberto Youssef para a compra de um Porsche Cayenne. Informou a que se referia um comprovante de pagamento de R$ 19 mil apreendido com o doleiro: dívida de impostos com operações em bolsa. Orientado por Nicole, o corretor concordou em dizer o que sabia. Em novembro, menos de quatro dias depois da prisão, Quadrado prestava outro depoimento à PF, que o considerou relevante. Hoje, ele já está fora da cadeia. É justamente isso que estimula André Vargas a contar à Justiça tudo o que sabe.

SilêncioPara os investigadores, uma colaboração de Vargas pode evitar que ele seja o único culpado no esquema de desvios de dinheiro da Petrobras ou de lavagem por meio do doleiro Alberto Youssef. No caso de uma delação premiada, poderia revelar fatos e suspeitas que não estão sob investigação ainda. Uma colaboração espontânea ajudaria a esclarecer atos já apurados pelos nove procuradores da força-tarefa do Ministério Público e pelos seis delegados da Polícia Federal que atuam no caso. Por outro lado, isso poderia envolver mais gente ligada ao PT e ao governo de Dilma Rousseff.

Correio Braziliense
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