Apple vai liberar atualização do iOS com opção para desabilitar função que deixa celular lento

Empresa admitiu que reduzia o desempeno do iPhone de propósito para contornar a degradação da bateria

Tim Cook, diretor-executivo da Apple, afirmou nesta quarta-feira (17) que a próxima atualização do iOS, sistema operacional de iPhones e iPads, vai permitir que os donos dos aparelhos desabilitem a redução do desempenho do processamento dos aparelhos, feita propositalmente pela empresa para contornar a degradação das baterias.

(Foto: Reprodução)
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O CEO da Apple fez o anúncio durante uma entrevista à rede de TV ABC News.

“Isso nunca foi feito antes”, afirmou Cook. “Nós vamos dar às pessoas a visibilidade da saúde da bateria, então é muito, muito transparente.”

Em dezembro do ano passado, a Apple admitiu que retardava de propósito a capacidade dos aparelhos de executar tarefas. “Se você não quiser isso, poderá desabilitar”, afirmou Cook.

A versão de testes da próxima atualização do iOS deve ser liberada a desenvolvedores em fevereiro.

Entenda o caso

A polêmica começou quando a Apple admitiu ter liberado um recurso, embutido em uma atualização de seu sistema operacional, para reduzir a performance de iPhones que tivessem baterias antigas.

A empresa diz que o intuito era "oferecer a melhor experiência de performance para os consumidores". Só que, na prática, o recurso limita a agilidade do smartphone e o deixa mais lento, já que reduz a demanda do celular por energia nos picos de uso e impede que o telefone apague de repente.

Logo depois de a empresa admitir a conduta, consumidores entraram na Justiça em busca de reparação. Até o momento, são oito ações diferentes nos Estados Unidos relacionadas ao caso, mas também há processos em Israel e na França.

Baterias

As baterias de íon-lítio passam por um processo natural de deterioração devido aos vários ciclos de carga e descarga. Nos dois casos, os íons migram entre os eletrodos positivos e negativos da bateria. Para fazer isso, atravessam o eletrólito, o material que forma a bateria.

Cada vez que os íons percorrem esse caminho, promovem mudanças na estrutura do eletrólito. Essas alterações provocam uma erosão do material, o que prejudica a capacidade de reter uma carga e de ser uma fonte de energia constante

Para contornar esse processo natural, a Apple criou uma forma de o sistema operacional exigir menos capacidade de processamento.

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