25/07/2008 - 08:56 - Uol
Crise nos EUAUm dia depois do maior aperto monetário no juro brasileiro em cinco anos, o dólar fechou abaixo de R$ 1,58, no menor valor desde janeiro de 1999, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou no nível mais baixo em seis meses.
A moeda norte-americana terminou o dia a R$ 1,579, em baixa de 0,38%. É a menor cotação de fechamento desde 19 de janeiro de 1999, dias após o Brasil adotar o regime de câmbio flutuante.
A Bolsa de Valores de São Paulo emendou a terceira queda consecutiva e atingiu o menor nível em seis meses. O Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista caiu 3,34%, para 57.434,37 pontos. Em 24 de janeiro, a Bolsa havia fechado em 57.463,31 pontos. No ano, a perda acumulada é de 10,1%.
Não bastasse a influência negativa da alta do juro sobre os setores financeiro, empresas ligadas a commodities, incluindo as blue chips Petrobras e Vale, tiveram outro dia de perdas pesadas.
Para piorar, Wall Street teve um dia de elevados prejuízos e influenciou os negócios domésticos. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones caiu 2,4%.
Mais dólares
O aumento do juro pelo Banco Central influi na cotação do dólar, porque atrai mais dinheiro estrangeiro ao país. Os investidores de fora querem aproveitar a boa remuneração. Com mais oferta de dólar, a cotação da moeda tende a cair.
O BC anunciou na véspera um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa de juro para combater as pressões inflacionárias. A Selic, agora a 13% ao ano, havia subido 0,5 ponto percentual nas duas reuniões anteriores.
"Já estava prevista uma possível alta de 0,5 (ponto). E hoje você vê que o real se valorizou mais ainda. Isso porque (o aumento do juro) não foi de 0,5 (ponto), foi de 0,75", disse Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista.
A queda do dólar ocorreu a despeito da turbulência no exterior. As Bolsas nos Estados Unidos caíam quase à tarde por conta da alta do petróleo e da queda das vendas de moradias usadas.
Com o juro maior, aumenta o espaço para as chamadas operações de arbitragem. Nelas, por meio de transações no mercado de derivativos, os investidores aproveitam a diferença entre o juro praticado no Brasil e no exterior. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa básica está em 2% ao ano.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros já tinham em derivativos cambiais na quarta-feira mais de US$ 6 bilhões em posições vendidas. Quando o agente detém uma posição vendida em dólar, ele lucra com a desvalorização da moeda diante do real.
Segundo Rodrigues, o grau de investimento obtido há alguns meses pelo Brasil potencializa o efeito que a alta do juro tem sobre o dólar. "Muitos fundos não podiam aplicar no Brasil, e agora podem", disse.
O Banco Central realizou no meio do dia um leilão de compra de dólares no mercado à vista. Foram aceitas duas propostas, segundo um operador, com taxa de corte de R$ 1,5746.
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