*Pauta do golpe é abafar a Lava Jato e as conquistas sociais

13/09/2016 02h00

 

A dialética nos ensina que a prática é o critério da verdade. Durante o longo período de enfrentamento do golpe nós sustentamos, como restou provado, que as "pedaladas e decretos" não eram crime de responsabilidade e serviam de mero pretexto para "justificar" o golpe.

 

Dizíamos também que o objetivo do golpe era interromper a política de inclusão executada nos últimos 13 anos, parar as investigações da Lava Jato, retomar as privatizações e fazer as reformas trabalhista e previdenciária.

 

Infelizmente, a presidenta Dilma nem bem decolou de Brasília e toda essa pauta já está escancarada a fim de agradar o "deus mercado" e o império norte-americano. Fábio Medina Osório, por exemplo, sustenta que sua demissão da AGU foi para abafar a Lava Jato e impedir que o órgão continue tomando medidas contra expoentes do governo.

 

Afinal, nomes da linha de frente desse governo ilegítimo, como o próprio Temer, Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, Moreira Franco e José Serra aparecem nas delações. Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, proclama que "no Brasil há muito que privatizar".

 

Críticos no passado da política de desonerações e aportes financeiros de bancos públicos às empresas privadas, eles acabam de criar no BNDES a "bolsa privatização". Anunciam agora que até o final do mês encaminharão, ao Congresso Nacional, proposta contra o sistema previdenciário.

 

Não poupam nem sequer aqueles que já deram toda uma vida para o desenvolvimento da economia nacional. Definem 65 anos de vida como idade mínima para a aposentadoria.

 

E, mais grave, para homens e mulheres, ignorando não apenas a particularidade da maternidade como da dupla ou tripla jornada de trabalho a que a maioria das mulheres está submetida.

 

Mas o mais emblemático acaba de ser anunciado: jornada diária de até 12 horas! Todos sabem que a tendência mundial é pela redução, e não ampliação da jornada de trabalho. Tal aberração, porém, ainda veio acompanhada de outro despropósito, que é a prevalência do negociado sobre o legislado.

 

Provavelmente algum desavisado foi aos protestos contra a presidenta Dilma acreditando, de boa-fé, que estava lutando para melhorar o país. A esses devemos conceder o beneplácito da dúvida ou da desinformação. O mesmo não se pode conceder aos parlamentares que votaram pelo impedimento da presidenta. Todos eles tinham absoluto conhecimento da real motivação e objetivos do golpe.

 

Diante de tantas barbaridades, a tendência é que as manifestações explodam e ganhem amplitude, na mesma proporção do anúncio das medidas antipovo do governo usurpador. 

 

*Texto da senadora pelo PC do B do Amazonas Vanessa Grazziotin, colunista do jornal Folha de São Paulo