Aécio sai desse processo “menor” que todos

Entre todos os implicados no maior escândalo de corrupção já levantado no Brasil através de uma megaoperação de investigação, incluindo o atual presidente da República Michel Temer, realizada por uma força tarefa envolvendo o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público Federal, o juizado da 1ª Instância da Justiça Federal, em Curitiba, e a Polícia Federal, o que amis chama atenção é sem dúvida é o caso do senador e presidente licenciado do PSDB Aécio Neves.

Aécio, no que pese ser neto do ex-presidente Tancredo Neves e filho de Aécio Ferreira da Cunha, que foi deputado federal, sai desse processo menor do que todos os outros envolvidos. Mostrou toda a sua baixeza como político e como indivíduo ao liderar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff tão logo recebeu o resultado da eleição de 2014 em que foi derrotado no segundo turno. Essa atitude levou o país a uma situação de caos não só no plano político, como econômico e social.

Apoiado por setores e instituições influentes da vida privada nacional, que tinha interesse em ver o PT fora do governo, uma vez que a reeleição da presidente Dilma completaria um ciclo de 16 anos do partido no poder, Aécio, blindado na campanha pelas denúncias de envolvimento em corrupção ao longo do período em que governou Minas Gerais, incluindo o caso Furnas, onde responde a processo por corrupção, viu a chance de liderar o movimento sem se preocupar com as conseqüências.

Na época em que iniciou o movimento, aproveitando a divulgação seletivas das denúncias contra integrantes do Partido dos Trabalhadores e ainda protegido pelos órgãos de investigação – como o Ministério Público e o juiz condutor do processo Sérgio Moro, suspeitos de ligações com a cúpula do PSDB do Paraná, nos casos em que ele estava denunciado – Aécio fazia duros ataques contra o PT chegando a declarar que o partido era uma organização criminosa e devia ser extinta.

Ao longo de todo esse período, Aécio Neves posou de bom moço e portador de um currículo de moralidade sem tamanho. Contra a presidente Dilma disparou ataques e pedia a sua cassação, assinando inclusive o pedido de cassação da chapa Dilma/Temer no Tribunal Superior Eleitoral acusando a presidente de ter gasto na campanha dinheiro das propinas pagas pelas empresas investigadas na Lava Jato. Aécio queria a cassação para que a justiça eleitoral o proclamasse presidente da Republica vencedor.

Quando começaram a aparecer as primeiras denúncias do envolvimento do senador com o pagamento de propinas, ele até debochou mas percebeu que as denúncias não cessariam e passou a adotar providências – agindo nas sombras – para estancar a sangria da Lava Jato, como o senador Romero Jucá foi flagrado em grampo. As gravações da JBS em poder do STF revelaram não só um Aécio mais corrupto que todos mas também do que ele é capaz de fazer para para eliminar provas contra ele..

O Aécio Neves de hoje – revelado nas gravações – é muito diferente daquele que apareceu em público na campanha eleitoral como alternativa de poder à presidente Dilma propondo um Brasil mais honesto e mais participativo. Só agora com todas essas revelações caiu a sua máscara e tudo o mais, deixando-o nu. Enquanto os órgãos que investigam a Lava Jato tentam encontrar provas contra Dilma e Lula, elas surgem robustas para mostrar um Aécio “pequeno”, cuja baixeza comprova que ele sai menor que todos os outros corruptos.