Firmino jogou baixo

No que pese a demissão pura e simples dos secretários municipais ligados ao deputado e presidente do PMDB de Teresina Themístocles Filho ter sido uma atitude caudilhesca – ele sequer procurou o deputado para uma conversa pessoal e franca – isso precipita uma série de fatos que podem resultar em uma mudança significa da conjuntura político-eleitoral do momento. Firmino mostrou que as coisas não podem acontecer diferente do que ele pensa e quer, senão ele usa o poder que tem para reagir.

É óbvio que cargo comissionado é ad nutum (passivo de demissão) a qualquer tempo por quem tem a prerrogativa de nomear mas neste caso o autoritarismo predominou. De Barcelona (Espanha), onde estava em viagem oficial, o prefeito de Teresina fez uma ligação ao presidente da Assembléia pedindo a ele que intercedesse para que os vereadores do PMDB ficassem fora da manobra que originou na sessão que reconduziu Jeová ao cargo de presidente da câmara municipal de Teresina.

O PMDB possui dois vereadores na câmara mas só 1, no caso Zé Neto pode ser alguém que Themístocles possa ter influência (e tem). Mas no caso de Luiz Lobão é pouco provável que esse atendesse um pedido do presidente da Assembléia. E com certeza mudaria pouco o resultado. Ainda assim, o prefeito escolheu o PMDB como bode expiatório. Até agora, o que menos Firmino anunciou foi medidas de retaliação contra o próprio presidente da câmara, que era seu queridinho e o levou para o PSDB.

Por que razão, então, o prefeito considerou a recondução de um integrante de seu partido para comandar a presidência do legislativo municipal um acinte à sua liderança no poder do município? Quase sempre os governantes procuram colocar em cargos como a presidência dos legislativos em todos os níveis de poder alguém de seu partido e da sua confiança. Até onde se sabe desde que se elegeram em 2012 Firmino e Jeová desenvolveram uma relação bem próxima ao ponto de este presidir a câmara nesta legislatura com o apoio daquele.

Agora que Jeová decidiu articular sua permanência no cargo até o final da legislatura, o prefeito se sentiu que isso poderia comprometer sua liderança e o controle que tem sobre os vereadores de sua base na Casa. E tentou abortar mas não conseguiu. Nem que estivesse aqui é duvidoso apostar que o prefeito conseguiria impedir a manobra da maioria que assinou o requerimento para marcar a data da sessão quando ele se encontrava fora do país. Magoado decidiu partir para a retaliação de forma truculenta.

A ira do prefeito não se ateve apenas no plano político da capital, porque sobrou até para o governador Wellington Dias (PT), a quem também recorreu e não foi atendido. Ora, o governador nada tem a ver com a disputa na capital. O PT de Teresina é oposição à gestão de Firmino, assim como o PSDB faz oposição ao governo Dias na Assembléia . O PSDB não votaria para presidente da Casa num candidato do PT.

Isso não justifica o recado de Firmino dizendo que doravante apoiará e articulará o nome do ex-senador João Vicente para o governo em 2018. Com essa reação, Firmino não demonstrou só que jogou duro mas também mostrou estar no mesmo patamar daqueles que julga o terem traído, jogando baixo.