Governo pode alargar bancada federal

As dificuldades da oposição no Piauí em viabilizar uma chapa para a disputa da eleição deste ano não se dá apenas no plano majoritário. As perspectivas não são animadoras também para a disputa por uma cadeira na câmara dos deputados se se considerar que hoje a bancada oposicionista soma apenas três parlamentares: Átila Lira, Heráclito Fortes e Rodrigo Martins. Para agravar a situação, há uma expectativa de que nenhum dos três (Fortes já se desligou) permanecerá no partido (PSB) que o elegeram.

A não ser que alguns dos partidos da base do governo que possuem representantes na câmara deixem a aliança governista e com isso possam se unir ao bloco de partidos que se opõem a ele e somem forças, as projeções, com base nas pesquisas de intenção de votos, não favorecem o futuro dos parlamentares. Separados por legendas, os três precisarão estimular outras candidaturas que possam somar legendas para manter as cadeiras. Ademais, Átila Lira tem admitido que pode até disputar vaga no senado.

A bancada do governo na câmara soma 7 deputados de cinco partidos – PT (2), PTB (2), PMDB, PP e PSD 1 cada. As projeções feitas por líderes governistas apontam que a chapa governista pode conquistar até 8 cadeiras no parlamento federal; as outras duas seriam disputadas pelas chapas de oposição e da coligação dos chamados pequenos partidos. Essa coligação – formada por PTC, PC do B, PR e Podemos – pode conquistar uma cadeira, enquanto a outra ficará com a aliança oposicionista.

Essa projeção se dá antes do prazo de abertura da janela de transferência, para que deputados possam trocar de partido para se candidatar – mas a tendência é que esse troca-troca praticamente não afetará a coligação governista. O que pode provocar mudanças de rumo nesta eleição é o prazo de desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos que se candidatarão em outubro. A partir dele será possível saber se algum partido da base deixa ou permanece no governo para a campanha eleitoral.

Nesta etapa da campanha não está incluída a definição do nome do candidato a vice-governador na chapa do governador Wellington Dias. A previsão disso fica para o período que antecede a realização das convenções partidárias. Essa definição pode influir, evidentemente, na formação das chapas proporcionais. É preciso não esquecer que a conjuntura política do país também será um fator que pesará na definição das composições partidárias, incluindo a disputa por mandatos eletivos.

Em termos de situação fiscal, relativo ao desempenho administrativo do governo atual, é provável que esse segmento não venha ser fonte de desgaste na imagem da gestão e do governador Wellington Dias. Se mantiver as contas equilibradas, Dias administrará seu favoritismo. A conseqüência disso é que nenhum partido deixará a aliança e as projeções de que a bancada governista alargará sua representação na câmara acabarão por se confirmar ao final da apuração das urnas.