Pesquisa comprova que disputa pelo senado está em aberto

Não é a primeira vez que nos reportamos aqui neste espaço sobre o quadro de disputa das duas vagas de senador pelo Piauí no qual se afirmou que a concorrência, faltando pouco menos de 7 meses, está aberta. A pesquisa de intenção de votos realizada pelo Instituto DataAZ, que começou a ser divulgada na terça-feira (13), veio comprovar isso. Só em contabilizar que 85% dos entrevistados estão indecisos e não souberam dizer em que votarão já mostra a completa ausência de entusiasmo do eleitor.

Basta lembrar que 8 anos atrás (2010), onde também se disputou 2 vagas, o nome do então governador Wellington Dias (PT) já despontava com um índice de aceitação que superava os 50% de intenção de votos. Os seus concorrentes diretos – os à época senadores Mão Santa e Heráclito Fortes – apareciam bem situados; Mão Santa próximo dos 40% e Fortes beirando os 30%. Quando lançou sua candidatura o hoje senador – eleito naquele pleito – Ciro Nogueira aparecia com 11% e acabou ganhando.

Em 2014, Wilson Martins, praticamente sozinho na disputa pela vaga de senador já não conseguia se aproximar dos 40% de preferência do eleitorado, o que em tese não o favorecia já que seu antecessor Wellington Dias, antes de deixar o governo já tinha uma larga vantagem nas intenções de voto. Quem achou que a derrota de Wilson Martins surpreendeu não soube avaliar o resultado. Em campanha eleitoral a imagem positiva de um candidato conta muito na hora de “vender” o nome ao eleitorado.

A liderança do ex-governador Wilson Martins – com pouco mais de 16% de preferência do eleitorado nesta pesquisa DataAZ – não é para comemorar. Esse percentual não reflete o favoritismo. Mesmo que o eleitorado ainda não tenha entrado no clima de campanha – isso só vai acontecer a partir do final do mês de agosto – dá para se perceber que a lista de nomes oferecida aos eleitores pelo instituto não parece agradar aos que irão às urnas em outubro escolher seus representantes no senado.

É primeira vez em muitos anos que nos três primeiros meses de um eleitoral a preferência dos eleitores por candidatos majoritários chegue a índices tão baixos. A explicação pode está na descrença que a classe política vem causando na população em conseqüência do envolvimento da grande maioria nas denúncias e escândalos de corrupção investigadas nos últimos anos. As denúncias de má conduta dos políticos ante os seus julgadores – os eleitores – estão fazendo estragos imensuráveis.

Se a indecisão ou falta de motivação com a oferta de nomes tem sido a resposta dos eleitores, é grande o risco de a eleição deste ano apresentar um volume elevado de votos nulos e brancos e até abstenção (não comparecimento do eleitor ao local de votação). O mais grave é que antes dos escândalos, os discursos apontavam como mau políticos apenas os governantes (presidente, governador e prefeitos). Hoje, com a devassa aos parlamentares, o eleitor já começa a discernir o bom do mau político.