O tiro está saindo pela culatra

Com 50% de intenção de votos para reconduzi-lo ao governo, apurado na pesquisa divulgada na quarta-feira (13), é possível afirmar que o governador Wellington Dias tem uma posição consolidada na disputa por mais um mandato à frente do Palácio de Karnak? Não é possível afirmar mas a cada levantamento, mesmo feito por institutos diferentes, Dias dá provas de que é um candidato forte para vencer os adversários a menos que uma pedra no caminho o faça tropeçar, cair e não mais levantar.

É óbvio que a campanha ainda não começou mas os pré-candidatos que já se posicionam no cenário eleitoral ainda não conseguiram achar o “calcanhar de Aquiles” do governador para enfraquecer sua força político-eleitoral. Um dos pontos fortes de Wellington Dias é que ele não entra em “bola dividida”, ou seja, nunca se dispõe a polemizar com os que o atacam sob a justificativa de não oferecer de bandeja um palanque para os adversários insistirem no bombardeio contra sua pessoa.

Desde que a oposição lançou seu candidato em janeiro deste ano, que o Palácio de Karnak e a pessoa do governador viraram alvo de pesados ataques, contra o governo e a maneira de Wellington Dias governar o estado. A criação de novos órgãos na estrutura administrativa, onde a oposição afirmava que geraria mais gastos, a denúncia da prestação de contas irregular do empréstimo da Caixa Econômica, o aumento de impostos, enfim medidas que municiaram os opositores ao governo.

Não foi pouca a munição que abasteceu o arsenal da oposição, como é o caso do atraso no pagamento dos empréstimos consignados, para atingir mortalmente o governo. Ainda assim, o governo e o governador sequer balançaram. Era uma situação para ser comparada à de Michel Temer que hoje enfrenta baixos índices de rejeição por o país está enfrentando uma crise séria em sua economia onde a recessão e o desemprego em massa o tornam um cadáver político pronto para ser enterrado.

Por qual razão essas denúncias que a oposição faz, algumas comprovadas, como é o caso do atraso dos empréstimos consignados, a prestação de contas da Caixa, enfim, fatos que por si só já seriam suficientes para atingir a imagem de um governante. Mas surpreendentemente o governador mantém sua imagem intacta. Pode alguém dizer: “mas a campanha ainda não começou; quando começar o bicho pega”. É possível, porém, Dias parece que não está envergando nem vai envergar.

E se em vez da fórmula de Dias para saber rechaçar os ataques, a oposição buscasse um novo discurso? Se uma estratégia não está funcionando – quando uma equipe esportiva está perdendo, a saída do técnico é mexer no time ou no sistema tático – só há uma solução: mexer no time ou mudara tática. Em vez de questionar a pesquisa, os coordenadores das campanhas oposicionistas poderiam parar um pouco, analisar o resultado, e ver o que pode ser feito. Continuar batendo, batendo, batendo, o tiro pode acabar saindo pela culatra.