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O Nordeste do Brasil

Na esteira da discriminação do Nordeste e dos nordestinos proferida pelo atual ocupante do Palácio do Planalto, em brutal desconhecimento da História do Brasil e, por isso, ser imprevisível qualquer ação vantajosa para a sociedade brasileira em geral por governo federal desconectado da realidade da Nação, foi publicado no dia 24 de fevereiro de 2005 artigo da minha autoria intitulado “O Nordeste do Brasil” no jornal Meio Norte, conforme abaixo, na íntegra:

O Nordeste do Brasil 

Por Deusval Lacerda de Moraes 

Ao longo da sua história, os nordestinos conviveram com as mazelas que causaram a pobreza da maioria da sua população. Por causa disso, foi forjada uma cultura regional que retrata a dor, o sentimento, o lamento e a sorte desses desarvorados brasileiros. Além da criação de algumas figuras míticas que também fizeram parte do misticismo desta parte do Brasil. Convém lembrar, entretanto, que a escassez das chuvas neste recanto nacional contribui decisivamente para a agudeza dos seus problemas socioeconômicos e a expansão das manifestações culturais em razão do desencanto daqueles que vivem sob o flagelo humano e da terrível falta de perspectiva. 

Por ironia do destino, o Descobrimento do Brasil ocorreu no Nordeste, quando, em 1500, aportaram em Porto Seguro as caravelas de Pedro Álvares Cabral e, exatamente por isso, a administração colonial começou pela capitania de São Salvador, o atual estado da Bahia. Na Colônia, os discursos infamados do padre Antônio Vieira e a verve mordaz do poeta Gregório de Matos, chamado “Boca do Inferno”, em defesa na nordestinidade. No Império, os retirantes das secas cearenses propiciaram a construção do açude de Orós e da ferrovia do Baturité, para aplacar a inanição dos famintos. 

Destacam-se na luta pela abolição da escravatura o político e intelectual pernambucano Joaquim Nabuco e o baiano Castro Alves, o poeta dos escravos. Ressalte-se também o combate do jurista baiano Rui Barbosa na Proclamação da República e, ato contínuo, na defesa das causas civilistas - embrião da nossa democracia.

Com a República, surgiu no interior da Bahia o beato Antônio Conselheiro que, diante do desalento de muitos nordestinos, formou a comunidade de Canudos, destroçada por várias incursões militares (1896-1897), que foram magistralmente narradas em Os Sertões, do escritor carioca Euclides da Cunha. Enaltece-se a obra magnífica O Ato da Compadecida, do escritor paraibano Ariano Suassuna, como também das músicas regionalistas do trovador pernambucano Luiz Gonzaga e do bardo cearense Patativa do Assaré, bem como da literatura de cordel - proeminente expressão cultural popular nordestina. 

Vale ressaltar ainda a contribuição cultural do filósofo sergipano Tobias Barreto e do folclorista potiguar Câmara Cascudo, o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, o notável escritor baiano Jorge Amado, o poeta pernambucano Manuel Bandeira, o maranhense Gonçalves Dias, os piauienses Da Costa e Silva e Torquato Neto, bem como o paraibano Augusto dos Anjos. Além dos escritores José de Alencar, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, João Cabral do Melo Neto, Humberto de Campos, José Américo de Almeida, Barbosa Lima Sobrinho e Raquel de Queiroz. Não se pode olvidar o pioneiro na industrialização nordestina, Delmiro Gouveia. A cinematografia do baiano Glauber Rocha. E o ideal do economista desenvolvimentista Celso Furtado, entre tantas outras personalidades das artes, ciências e letras.

Todos os personagens acima referenciados marcaram indelevelmente a história, a ciência, a literatura e a arte nordestina formando um mosaico cultural que decanta em prosa e verso a sua realidade. Têm-se, hoje, como mandatário do País o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva, como presidente do Senado da República o alagoano Renan Calheiros, como presidente da Câmara Federal o pernambucano Severino Cavalcanti, como ministro da Integração Nacional o cearense Ciro Gomes e como presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o maranhense Edson Vidigal. Conclui-se, pois, que, o Nordeste brasileiro, desde a celebração da primeira missa no Brasil até os dias atuais, com denodado trabalho, inesgotáveis riquezas naturais e reconhecido valor humana, participa ativamente na construção de um País com vistas a promover o desenvolvimento e o bem-estar da nossa tão merecida população.

Na esteira da discriminação do Nordeste e dos nordestinos proferida pelo atual ocupante do Palácio do Planalto, em brutal desconhecimento da História do Brasil e, por isso, ser imprevisível qualquer ação vantajosa para a sociedade brasileira em geral por governo federal desconectado da realidade da Nação, foi publicado no dia 24 de fevereiro de 2005 artigo da minha autoria intitulado “O Nordeste do Brasil” no jornal Meio Norte, conforme abaixo, na íntegra:

O Nordeste do Brasil 

Por Deusval Lacerda de Moraes 

Ao longo da sua história, os nordestinos conviveram com as mazelas que causaram a pobreza da maioria da sua população. Por causa disso, foi forjada uma cultura regional que retrata a dor, o sentimento, o lamento e a sorte desses desarvorados brasileiros. Além da criação de algumas figuras míticas que também fizeram parte do misticismo desta parte do Brasil. Convém lembrar, entretanto, que a escassez das chuvas neste recanto nacional contribui decisivamente para a agudeza dos seus problemas socioeconômicos e a expansão das manifestações culturais em razão do desencanto daqueles que vivem sob o flagelo humano e da terrível falta de perspectiva. 

Por ironia do destino, o Descobrimento do Brasil ocorreu no Nordeste, quando, em 1500, aportaram em Porto Seguro as caravelas de Pedro Álvares Cabral e, exatamente por isso, a administração colonial começou pela capitania de São Salvador, o atual estado da Bahia. Na Colônia, os discursos infamados do padre Antônio Vieira e a verve mordaz do poeta Gregório de Matos, chamado “Boca do Inferno”, em defesa na nordestinidade. No Império, os retirantes das secas cearenses propiciaram a construção do açude de Orós e da ferrovia do Baturité, para aplacar a inanição dos famintos. 

Destacam-se na luta pela abolição da escravatura o político e intelectual pernambucano Joaquim Nabuco e o baiano Castro Alves, o poeta dos escravos. Ressalte-se também o combate do jurista baiano Rui Barbosa na Proclamação da República e, ato contínuo, na defesa das causas civilistas - embrião da nossa democracia.

Com a República, surgiu no interior da Bahia o beato Antônio Conselheiro que, diante do desalento de muitos nordestinos, formou a comunidade de Canudos, destroçada por várias incursões militares (1896-1897), que foram magistralmente narradas em Os Sertões, do escritor carioca Euclides da Cunha. Enaltece-se a obra magnífica O Ato da Compadecida, do escritor paraibano Ariano Suassuna, como também das músicas regionalistas do trovador pernambucano Luiz Gonzaga e do bardo cearense Patativa do Assaré, bem como da literatura de cordel - proeminente expressão cultural popular nordestina. 

Vale ressaltar ainda a contribuição cultural do filósofo sergipano Tobias Barreto e do folclorista potiguar Câmara Cascudo, o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, o notável escritor baiano Jorge Amado, o poeta pernambucano Manuel Bandeira, o maranhense Gonçalves Dias, os piauienses Da Costa e Silva e Torquato Neto, bem como o paraibano Augusto dos Anjos. Além dos escritores José de Alencar, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, João Cabral do Melo Neto, Humberto de Campos, José Américo de Almeida, Barbosa Lima Sobrinho e Raquel de Queiroz. Não se pode olvidar o pioneiro na industrialização nordestina, Delmiro Gouveia. A cinematografia do baiano Glauber Rocha. E o ideal do economista desenvolvimentista Celso Furtado, entre tantas outras personalidades das artes, ciências e letras.

Todos os personagens acima referenciados marcaram indelevelmente a história, a ciência, a literatura e a arte nordestina formando um mosaico cultural que decanta em prosa e verso a sua realidade. Têm-se, hoje, como mandatário do País o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva, como presidente do Senado da República o alagoano Renan Calheiros, como presidente da Câmara Federal o pernambucano Severino Cavalcanti, como ministro da Integração Nacional o cearense Ciro Gomes e como presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o maranhense Edson Vidigal. Conclui-se, pois, que, o Nordeste brasileiro, desde a celebração da primeira missa no Brasil até os dias atuais, com denodado trabalho, inesgotáveis riquezas naturais e reconhecido valor humana, participa ativamente na construção de um País com vistas a promover o desenvolvimento e o bem-estar da nossa tão merecida população.

Algo estranho está acontecendo? Viva o Nordeste!