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A debacle do mito

“Num momento de crise muitas pessoas pensam que a culpa é do funcionamento democrático, que se nós tivéssemos um regime mais duro, mais autoritário, mais centralizador, resolveríamos a crise. Não podemos dar asas para esse tipo de pensamento, porque é muito perigoso”, diz Esther Solano, socióloga, cientista política e professora na UNIFESP e uma das autoras de “Mascarados: A verdadeira história dos adeptos da tática Black Bloc”.

Recentemente, em entrevista concedida a José Cássio, do Diário do Centro do Mundo, a cientista disse que com o tempo as manifestações em favor de Bolsonaro vão “flopar” (fracassar, decepcionar, falhar, cair no esquecimento,...) e, segundo estudos que faz sobre o comportamento do eleitorado brasileiro, será a derrocada, a debacle, a queda, a ruina do presidente... “Bolsonaro vai acabar só, com Moro e a turma que acredita na Lava Jato” - profetiza.

Esther Solano tem mostrado muita indignação com o atual “status quo” brasileiro. E nas redes sociais tem procurado desmascarar os apoiadores “arrependidos” de Bolsonaro. Veja, ela é dura: “Desonestos, cúmplices. Vocês sabiam muito bem o horror que estavam apoiando. Ninguém pode dizer que Bolsonaro mentiu. Há 30 anos que fala o mesmo lixo. Vocês sabiam, sim, e são culpados. A quem pretendem enganar, hoje?”.

“A classe C e D bolsonarista está mostrando um arrependimento no voto porque Bolsonaro é visto como uma pessoa muito polêmica e violenta. Isso era algo aceitável durante a campanha, mas não durante o governo. A visão deles é que o presidente cria instabilidade e conflitos, é incapaz de manter a governabilidade e a estabilidade de que o país precisa”, afirmou Solano, que, com exceção do bolsonarista “hardcore” (palavra inglesa que se diz daquele que se encontra inteiramente comprometido com alguma coisa), vê um descolamento gradual e crescente de Bolsonaro.

Veja o texto completo:

“Essas manifestações vão flopar”, disse ao DCM, a partir da Espanha, onde está a dois dias de ganhar bebê, a socióloga e professora Esther Solano.

Detalhe: uma das principais estudiosas do fenômeno Bolsonaro, não usava o surto do coronavírus para justificar.

Segundo ela, outros motivos explicam o fracasso.

“Primeiro, porque Bolsonaro já tratou esse tema e recebeu inúmeras críticas institucionais: da imprensa, do Congresso e do STF. Depois, porque, ao contrário do que muitos pensam, ele já não tem tanta força quanto se pensa, mesmo dentro da sua própria base eleitoral”.

Esther pesquisa o comportamento do eleitor que apoiou Bolsonaro em 2018. Conta que esse grupo está dividido em duas partes.

“O campo radical, que tem grande afeição a ele, e o moderado, a maioria”.

É justamente entre esses moderados que a situação se complica para o capitão.

“São aquelas pessoas, praticamente 70% dos que votaram nele, que estão cansadas de tanta instabilidade”, diz a pesquisadora. “Eleitores que querem uma política tranquila, de negociação, de governabilidade e não estão dispostos a sair protestando por qualquer coisa”.

Puxa pela memória.

“Se você pensar um pouco, o último evento assim, mais simbólico, que foi a libertação do Lula e que tinha potencial para ser o auge do antipetismo, o que vimos? Quatro ou cinco gatos pingados protestando em São Paulo. Eu diria que essas coisas, somadas à falta de apoio dos setores institucionais, levaram a um cansaço e ao desgaste dessa política de confronto”.

Falamos novamente após Jair sugerir, em cadeia nacional, na noite de quinta, a transferência das manifestações para daqui uns 20 dias, não sem antes cravar que o recado ao Congresso havia sido dado.

“Isso é uma afronta à ordem democrática e institucional que deveria ser rejeitada”, diz Esther. “Inconcebível. Apresenta à República um mandatário com uma postura violenta”. Estilo prendo e arrebento do capitão, segundo ela, só funciona porque “os bolsonaristas radicais ainda têm um apego político simbólico pelas suas ideias”.

“Representam o protótipo do fascista”, explica. “Aquela pessoa que sente de fato uma identificação psicológica e afetiva com o presidente e por isso é incapaz de enxergar o fracasso dos movimentos anteriores”.

Segundo ela, essas pessoas são personificadas na figura do “homem branco e de classe média”.

Para Esther, o grupo moderado está exausto.

“O que dizem é que Bolsonaro gasta muito tempo nas redes sociais batendo boca, que não deveria se comportar desse jeito agressivo”, diz.

Óbvio, e é desnecessário dizer, que todo brasileiro em sã consciência sabe que o Congresso não é um convento de carmelitas, mas os mais esclarecidos se perguntam se é momento de jogar tanta lenha na fogueira.
“Elas acham que é momento de trabalhar, ter cautela”, diz a pesquisadora. “Buscar governabilidade, levar o país para um ambiente de normalidade”.

E sobre as reiteradas mentiras de Jair, que dizer?

“De fato existe uma parcela considerável da sociedade que acredita nas fake news”, ela diz.

“Gente que não é capaz de diferenciar verdade de mentira e esse é um problema crucial. Vemos uma super valorização das redes sociais. Mas também encontramos quem não acredita em fake news e que votaram em Bolsonaro por outros motivos: antissistêmico, novidade, o outsider”.

“Muito disso é decorrência da Lava Jato”, continua a professora. “Ela foi fundamental para o crescimento do bolsonarismo. E, também, tivemos o cansaço com o PT. Muitos se sentiram traídos pelo partido. Um conjunto de fatores que talvez não tenha tanto a ver com a figura política de Bolsonaro e sim por uma conjuntura de exaustão”.

Bolsonaro encara a política como guerra. Vê seus adversários como inimigos.

“Isso funciona bem em períodos eleitorais”, diz Esther Solano. “Quando as pessoas são movidas pelas emoções, e ele soube aproveitar bem esse momento de ruptura proporcionado pela Lava Jato”.

Só que agora as coisas mudaram e ele já não é mais o franco atirador folclórico e sim a própria representação do sistema.

“Trata-se de um paradoxo que não se sustenta e o presidente acabou refém dessa figura antissistêmica, incoerente com a função de chefe de Estado. Para piorar, ele próprio é quem leva o país à instabilidade permanente”.

Bolsonaro tem, sim, seus dias contados, na opinião de Esther.

“Basta pensar em alguém que leva o país a uma sucessão de fatos instáveis, a uma dramatização continua arrastando consigo a economia, a política, a sociedade”, diz. “Nota-se que ele conta com alguns apoios, mas não apoios institucionais de fato. O STF se mobiliza, o Congresso, a imprensa, até os militares me parecem incomodados”.

O setor produtivo, isso o brasileiro está careca de saber, vai continuar com o presidente até que as esperanças com a retomada da economia se esgotem.

Então, quem vai sobrar?

“Sergio Moro e a turma que acredita na Lava Jato”, profetiza a estudiosa. “Mas esse apoio é menos importante, pois se trata de um valor mais do campo simbólico”.

Ana Pompeu, da Revista Congresso em Foco, descreve Bolsonaro como o “mito de pés de barro”, uma “incógnita ambulante”, cuja habilidade para criar conflitos é tão grande quanto a desconfiança sobre sua capacidade de governar o país.

Negar o coronavírus poderá ser trágico para Bolsonaro. Enquanto o mundo se arregimenta na contenção da pandemia, o desequilíbrio dele faz pouco caso da doença.  Sua falta de ação e sua irresponsabilidade podem causar mortes que poderiam ser evitadas. Inadmissível quando diz que a crise causada pelo vírus é apenas uma histeria, dando a entender que o mundo vive uma excessiva emotividade, uma hipotética condição neurótica, uma confusão mental,... Coisa de doido, mesmo!

Inequivocamente, Bolsonaro deu mau exemplo como cidadão, como pai e como chefe de Estado. Preocupado com a pandemia, o ator e ex-governador da Califórnia, Estados Unidos, Arnold Schwarzenegger, produziu uma frase que se encaixa perfeitamente à irresponsabilidade do presidente do Brasil e de seus seguidores: “Escutem os especialistas, ignorem os idiotas”.

“Num momento de crise muitas pessoas pensam que a culpa é do funcionamento democrático, que se nós tivéssemos um regime mais duro, mais autoritário, mais centralizador, resolveríamos a crise. Não podemos dar asas para esse tipo de pensamento, porque é muito perigoso”, diz Esther Solano, socióloga, cientista política e professora na UNIFESP e uma das autoras de “Mascarados: A verdadeira história dos adeptos da tática Black Bloc”.

Recentemente, em entrevista concedida a José Cássio, do Diário do Centro do Mundo, a cientista disse que com o tempo as manifestações em favor de Bolsonaro vão “flopar” (fracassar, decepcionar, falhar, cair no esquecimento,...) e, segundo estudos que faz sobre o comportamento do eleitorado brasileiro, será a derrocada, a debacle, a queda, a ruina do presidente... “Bolsonaro vai acabar só, com Moro e a turma que acredita na Lava Jato” - profetiza.

Esther Solano tem mostrado muita indignação com o atual “status quo” brasileiro. E nas redes sociais tem procurado desmascarar os apoiadores “arrependidos” de Bolsonaro. Veja, ela é dura: “Desonestos, cúmplices. Vocês sabiam muito bem o horror que estavam apoiando. Ninguém pode dizer que Bolsonaro mentiu. Há 30 anos que fala o mesmo lixo. Vocês sabiam, sim, e são culpados. A quem pretendem enganar, hoje?”.

“A classe C e D bolsonarista está mostrando um arrependimento no voto porque Bolsonaro é visto como uma pessoa muito polêmica e violenta. Isso era algo aceitável durante a campanha, mas não durante o governo. A visão deles é que o presidente cria instabilidade e conflitos, é incapaz de manter a governabilidade e a estabilidade de que o país precisa”, afirmou Solano, que, com exceção do bolsonarista “hardcore” (palavra inglesa que se diz daquele que se encontra inteiramente comprometido com alguma coisa), vê um descolamento gradual e crescente de Bolsonaro.

Veja o texto completo:

“Essas manifestações vão flopar”, disse ao DCM, a partir da Espanha, onde está a dois dias de ganhar bebê, a socióloga e professora Esther Solano.

Detalhe: uma das principais estudiosas do fenômeno Bolsonaro, não usava o surto do coronavírus para justificar.

Segundo ela, outros motivos explicam o fracasso.

“Primeiro, porque Bolsonaro já tratou esse tema e recebeu inúmeras críticas institucionais: da imprensa, do Congresso e do STF. Depois, porque, ao contrário do que muitos pensam, ele já não tem tanta força quanto se pensa, mesmo dentro da sua própria base eleitoral”.

Esther pesquisa o comportamento do eleitor que apoiou Bolsonaro em 2018. Conta que esse grupo está dividido em duas partes.

“O campo radical, que tem grande afeição a ele, e o moderado, a maioria”.

É justamente entre esses moderados que a situação se complica para o capitão.

“São aquelas pessoas, praticamente 70% dos que votaram nele, que estão cansadas de tanta instabilidade”, diz a pesquisadora. “Eleitores que querem uma política tranquila, de negociação, de governabilidade e não estão dispostos a sair protestando por qualquer coisa”.

Puxa pela memória.

“Se você pensar um pouco, o último evento assim, mais simbólico, que foi a libertação do Lula e que tinha potencial para ser o auge do antipetismo, o que vimos? Quatro ou cinco gatos pingados protestando em São Paulo. Eu diria que essas coisas, somadas à falta de apoio dos setores institucionais, levaram a um cansaço e ao desgaste dessa política de confronto”.

Falamos novamente após Jair sugerir, em cadeia nacional, na noite de quinta, a transferência das manifestações para daqui uns 20 dias, não sem antes cravar que o recado ao Congresso havia sido dado.

“Isso é uma afronta à ordem democrática e institucional que deveria ser rejeitada”, diz Esther. “Inconcebível. Apresenta à República um mandatário com uma postura violenta”. Estilo prendo e arrebento do capitão, segundo ela, só funciona porque “os bolsonaristas radicais ainda têm um apego político simbólico pelas suas ideias”.

“Representam o protótipo do fascista”, explica. “Aquela pessoa que sente de fato uma identificação psicológica e afetiva com o presidente e por isso é incapaz de enxergar o fracasso dos movimentos anteriores”.

Segundo ela, essas pessoas são personificadas na figura do “homem branco e de classe média”.

Para Esther, o grupo moderado está exausto.

“O que dizem é que Bolsonaro gasta muito tempo nas redes sociais batendo boca, que não deveria se comportar desse jeito agressivo”, diz.

Óbvio, e é desnecessário dizer, que todo brasileiro em sã consciência sabe que o Congresso não é um convento de carmelitas, mas os mais esclarecidos se perguntam se é momento de jogar tanta lenha na fogueira.
“Elas acham que é momento de trabalhar, ter cautela”, diz a pesquisadora. “Buscar governabilidade, levar o país para um ambiente de normalidade”.

E sobre as reiteradas mentiras de Jair, que dizer?

“De fato existe uma parcela considerável da sociedade que acredita nas fake news”, ela diz.

“Gente que não é capaz de diferenciar verdade de mentira e esse é um problema crucial. Vemos uma super valorização das redes sociais. Mas também encontramos quem não acredita em fake news e que votaram em Bolsonaro por outros motivos: antissistêmico, novidade, o outsider”.

“Muito disso é decorrência da Lava Jato”, continua a professora. “Ela foi fundamental para o crescimento do bolsonarismo. E, também, tivemos o cansaço com o PT. Muitos se sentiram traídos pelo partido. Um conjunto de fatores que talvez não tenha tanto a ver com a figura política de Bolsonaro e sim por uma conjuntura de exaustão”.

Bolsonaro encara a política como guerra. Vê seus adversários como inimigos.

“Isso funciona bem em períodos eleitorais”, diz Esther Solano. “Quando as pessoas são movidas pelas emoções, e ele soube aproveitar bem esse momento de ruptura proporcionado pela Lava Jato”.

Só que agora as coisas mudaram e ele já não é mais o franco atirador folclórico e sim a própria representação do sistema.

“Trata-se de um paradoxo que não se sustenta e o presidente acabou refém dessa figura antissistêmica, incoerente com a função de chefe de Estado. Para piorar, ele próprio é quem leva o país à instabilidade permanente”.

Bolsonaro tem, sim, seus dias contados, na opinião de Esther.

“Basta pensar em alguém que leva o país a uma sucessão de fatos instáveis, a uma dramatização continua arrastando consigo a economia, a política, a sociedade”, diz. “Nota-se que ele conta com alguns apoios, mas não apoios institucionais de fato. O STF se mobiliza, o Congresso, a imprensa, até os militares me parecem incomodados”.

O setor produtivo, isso o brasileiro está careca de saber, vai continuar com o presidente até que as esperanças com a retomada da economia se esgotem.

Então, quem vai sobrar?

“Sergio Moro e a turma que acredita na Lava Jato”, profetiza a estudiosa. “Mas esse apoio é menos importante, pois se trata de um valor mais do campo simbólico”.

Ana Pompeu, da Revista Congresso em Foco, descreve Bolsonaro como o “mito de pés de barro”, uma “incógnita ambulante”, cuja habilidade para criar conflitos é tão grande quanto a desconfiança sobre sua capacidade de governar o país.

Negar o coronavírus poderá ser trágico para Bolsonaro. Enquanto o mundo se arregimenta na contenção da pandemia, o desequilíbrio dele faz pouco caso da doença.  Sua falta de ação e sua irresponsabilidade podem causar mortes que poderiam ser evitadas. Inadmissível quando diz que a crise causada pelo vírus é apenas uma histeria, dando a entender que o mundo vive uma excessiva emotividade, uma hipotética condição neurótica, uma confusão mental,... Coisa de doido, mesmo!

Inequivocamente, Bolsonaro deu mau exemplo como cidadão, como pai e como chefe de Estado. Preocupado com a pandemia, o ator e ex-governador da Califórnia, Estados Unidos, Arnold Schwarzenegger, produziu uma frase que se encaixa perfeitamente à irresponsabilidade do presidente do Brasil e de seus seguidores: “Escutem os especialistas, ignorem os idiotas”.

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