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Os lúcidos e os idiotas

Pela passagem do Dia Mundial da Saúde, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns (Comissão Arns), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgaram um clamor pela união em torno do que chamam de Pacto pela Vida e pelo Brasil.

“É hora de entrar em cena no Brasil o coro dos lúcidos, fazendo valer a opção por escolhas científicas, políticas e modelos sociais que coloquem o mundo e a nossa sociedade em um tempo, de fato, novo”, diz o texto das entidades.

“Não é justo jogar o ônus da imensa crise nos ombros dos mais pobres e dos trabalhadores. O princípio da dignidade humana impõe a todos e, sobretudo, ao Estado, o dever de dar absoluta prioridade às populações de rua, aos moradores de comunidades carentes, aos idosos, aos povos indígenas, à população prisional e aos demais grupos em situação de vulnerabilidade. Acrescente-se ao princípio da dignidade humana, o princípio da solidariedade – só assim iremos na direção de uma sociedade mais justa, sustentável e fraterna” – faz uma advertência.

O clamor-convocação é para que as instituições e os poderes constituídos formem uma ampla aliança para enfrentar a grave crise sanitária, econômica, social e política na qual o país está mergulhado.

Felizmente, ainda que com atraso, a sociedade organizada começa a compreender que no tempo atual estamos sendo governados por pessoas “não lúcidas”, com raríssimas exceções. Por imbecis apoiados por outros que colocam a vida das pessoas em sério risco de morte ou, como queiram, risco de vida.

Além de enfrentar o “vírus da morte”, o Brasil parece querer sair de um pesadelo para enfrentar também os loucos, os desvairados, os imbecis que incentivam outros imbecis para a tragédia de forma irrefletida e com requintes de bestialidade para massacrar inocentes, os humildes e desvalidos da sorte.

Ao dizer que é hora de entrar em cena no Brasil o coro dos lúcidos, as entidades se convencem - ainda que tardiamente, repita-se - de que estamos vivendo uma fase ímpar no País para conviver, lamentavelmente, com idiotas na guerra contra a pandemia.

“Outra lição é que os idiotas no poder também matam. As dores, as desgraças e as mortes do coronavírus nos têm trazido algumas lições que deveríamos ter aprendido há muito tempo, mas agora elas se impõem de maneira cruel. Às vezes, a sociedade aprende a um ritmo tão desesperadoramente lento que só à base de punhaladas parece acordar de seu ensimesmamento. Talvez a mais importante dessas lições é que sem o Estado não há vida, literalmente”, diz Esther Solano, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri e professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para Esther, “sem serviços públicos, sem saúde pública, sem servidores públicos, sem gestores públicos que organizem, administrem e cuidem de nós, a morte está mais do que garantida. No decorrer dos dias e ao redor do mundo, tem sido o Estado, a máquina pública, o único ente capaz de pensar em estratégias de combate ao vírus e fornecer um mínimo de dignidade aos cidadãos. Nestes momentos, a privatização e a filosofia do Estado mínimo, matam. Literalmente. Não há metáforas aqui. A morte é muito real. E, quando a morte é real, não dá para falar com simbolismos ou meias palavras, devem ser palavras rotundas”.

“A pandemia passará, mas o rastro de miséria, desemprego, desigualdade e pobreza que vai deixar no país de Paulo Guedes será outra tragédia. Em vez de pensar em medidas para estancar a sangria que virá em termos econômicos, Guedes enxerga uma oportunidade de ouro para impor uma necropolítica capitalista que mata mais do que várias pandemias juntas”, conclui a doutora.

Para Gustavo Castañon, professor do departamento de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora-MG, o Brasil vive uma pandemia do corona e uma epidemia de idiotas. Diz que o idiota é matéria prima do mundo: ele é inevitável. Assevera que é evidente que um idiota não poderia deixar de fazer idiotice em um cenário de pandemia. Esmagado pelo senso de sua pequenez e impotência tanto política como para a fragilidade da vida humana, o idiota faz de tudo para acreditar que alguém, em algum lugar, tem controle sobre tudo o que acontece e, é claro: está querendo o fazer de idiota. O idiota, diz o professor, que luta violentamente contra seu complexo de inferioridade, precisa sempre mostrar que está contra a opinião majoritária para afirmar sua independência em relação à outras mentes reconhecidas socialmente como mais capazes que a dele.

Infelizmente, avalio eu, idiota nunca aprende! Nem a lição da idiotice o convence! A lucidez opina para mudar os fatos; a idiotice para negá-los. Enquanto o lúcido a sandice repele, o idiota compele.

Pela passagem do Dia Mundial da Saúde, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns (Comissão Arns), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgaram um clamor pela união em torno do que chamam de Pacto pela Vida e pelo Brasil.

“É hora de entrar em cena no Brasil o coro dos lúcidos, fazendo valer a opção por escolhas científicas, políticas e modelos sociais que coloquem o mundo e a nossa sociedade em um tempo, de fato, novo”, diz o texto das entidades.

“Não é justo jogar o ônus da imensa crise nos ombros dos mais pobres e dos trabalhadores. O princípio da dignidade humana impõe a todos e, sobretudo, ao Estado, o dever de dar absoluta prioridade às populações de rua, aos moradores de comunidades carentes, aos idosos, aos povos indígenas, à população prisional e aos demais grupos em situação de vulnerabilidade. Acrescente-se ao princípio da dignidade humana, o princípio da solidariedade – só assim iremos na direção de uma sociedade mais justa, sustentável e fraterna” – faz uma advertência.

O clamor-convocação é para que as instituições e os poderes constituídos formem uma ampla aliança para enfrentar a grave crise sanitária, econômica, social e política na qual o país está mergulhado.

Felizmente, ainda que com atraso, a sociedade organizada começa a compreender que no tempo atual estamos sendo governados por pessoas “não lúcidas”, com raríssimas exceções. Por imbecis apoiados por outros que colocam a vida das pessoas em sério risco de morte ou, como queiram, risco de vida.

Além de enfrentar o “vírus da morte”, o Brasil parece querer sair de um pesadelo para enfrentar também os loucos, os desvairados, os imbecis que incentivam outros imbecis para a tragédia de forma irrefletida e com requintes de bestialidade para massacrar inocentes, os humildes e desvalidos da sorte.

Ao dizer que é hora de entrar em cena no Brasil o coro dos lúcidos, as entidades se convencem - ainda que tardiamente, repita-se - de que estamos vivendo uma fase ímpar no País para conviver, lamentavelmente, com idiotas na guerra contra a pandemia.

“Outra lição é que os idiotas no poder também matam. As dores, as desgraças e as mortes do coronavírus nos têm trazido algumas lições que deveríamos ter aprendido há muito tempo, mas agora elas se impõem de maneira cruel. Às vezes, a sociedade aprende a um ritmo tão desesperadoramente lento que só à base de punhaladas parece acordar de seu ensimesmamento. Talvez a mais importante dessas lições é que sem o Estado não há vida, literalmente”, diz Esther Solano, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri e professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para Esther, “sem serviços públicos, sem saúde pública, sem servidores públicos, sem gestores públicos que organizem, administrem e cuidem de nós, a morte está mais do que garantida. No decorrer dos dias e ao redor do mundo, tem sido o Estado, a máquina pública, o único ente capaz de pensar em estratégias de combate ao vírus e fornecer um mínimo de dignidade aos cidadãos. Nestes momentos, a privatização e a filosofia do Estado mínimo, matam. Literalmente. Não há metáforas aqui. A morte é muito real. E, quando a morte é real, não dá para falar com simbolismos ou meias palavras, devem ser palavras rotundas”.

“A pandemia passará, mas o rastro de miséria, desemprego, desigualdade e pobreza que vai deixar no país de Paulo Guedes será outra tragédia. Em vez de pensar em medidas para estancar a sangria que virá em termos econômicos, Guedes enxerga uma oportunidade de ouro para impor uma necropolítica capitalista que mata mais do que várias pandemias juntas”, conclui a doutora.

Para Gustavo Castañon, professor do departamento de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora-MG, o Brasil vive uma pandemia do corona e uma epidemia de idiotas. Diz que o idiota é matéria prima do mundo: ele é inevitável. Assevera que é evidente que um idiota não poderia deixar de fazer idiotice em um cenário de pandemia. Esmagado pelo senso de sua pequenez e impotência tanto política como para a fragilidade da vida humana, o idiota faz de tudo para acreditar que alguém, em algum lugar, tem controle sobre tudo o que acontece e, é claro: está querendo o fazer de idiota. O idiota, diz o professor, que luta violentamente contra seu complexo de inferioridade, precisa sempre mostrar que está contra a opinião majoritária para afirmar sua independência em relação à outras mentes reconhecidas socialmente como mais capazes que a dele.

Infelizmente, avalio eu, idiota nunca aprende! Nem a lição da idiotice o convence! A lucidez opina para mudar os fatos; a idiotice para negá-los. Enquanto o lúcido a sandice repele, o idiota compele.

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