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Hora da Advocacia 5.0

Ricardo Alves, especialista em Direito das Relações de Consumo e sócio Head de Tecnologia do escritório Fragata e Antunes Advogados, dedica-nos um texto bastante interessante sobre os efeitos da Covid19 especialmente no campo do Direito, sob o título “As lições que o estado de calamidade deixa para escritórios de advocacia”.

Para o especialista, “enfrentamos uma crise global sem precedentes, a maior da nossa geração. Muitas das decisões tomadas por empresas e governos nas próximas semanas provavelmente definirão o futuro da humanidade nos próximos anos. Diariamente são implementadas mudanças nos sistemas de saúde, na economia, na política e na cultura. Sobreviverá quem agir de forma rápida e decisiva.

Artistas, impedidos de realizar shows, agora optam pelas lives. Escritórios de advocacia, que antes contavam com poucos colaboradores em trabalho remoto, agora operam 100% em ‘home office’.

O Poder Judiciário segue a tendência para não suspender a prestação jurisdicional. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por exemplo, adotou o Regime Diferenciado de Atendimento de Urgência (RDAU), que não reduziu a produtividade dos magistrados. Muito pelo contrário: com o uso de ferramentas de teletrabalho, videoconferência e escalas de plantão, os magistrados e servidores superaram no último mês os índices de março de 2019, ano em que o TJ-RJ foi reconhecido pelo CNJ como o tribunal mais produtivo do país pelo décimo ano consecutivo. O Tribunal de Justiça da Bahia iniciou, esta semana, sessões de julgamento transmitidas pelo Youtube, com sustentação oral feita pelos advogados por chamada telefônica.

Vários escritórios de advocacia completaram o primeiro mês operando 100% em home office, com resultados que em muitos casos revelam aumento de produtividade de suas equipes. Por meio da utilização de várias ferramentas tecnológicas apropriadas, consegue-se avaliar a movimentação dos tribunais através do acompanhamento de atos processuais e combinar estes dados com a demanda da equipe jurídica para gerar indicadores relevantes para a gestão de suas carteiras.

Algumas bancas de advocacia já estavam preparadas para essa virada porque possuíam o famoso plano B, com sistemas web (na nuvem), ferramentas de videoconferência, jurimetria e links backups de internet. Faltava apenas o malsinado empurrão de uma pandemia para conseguir estender em poucos dias o ‘home office’ para centenas ou mesmo milhares de colaboradores distribuídos pelo país inteiro”.

“(...) A realidade hoje não é apenas da "advocacia 4.0", conceito ligado à Quarta Revolução Industrial. Na verdade, estamos diante do surgimento da "advocacia 5.0", em que a tecnologia permite trabalhar de forma descentralizada, remota, com equilíbrio entre a tecnologia e os operadores do Direito. Neste contexto, inteligência artificial, bigdata e internet das coisas (IoT) são usadas para criar soluções com foco nas necessidades dos envolvidos independentemente da localização de cada um. O conceito '5.0" surgiu num projeto do governo japonês de "sociedade 5.0", que busca equilibrar o avanço econômico com a resolução de problemas sociais, proporcionando serviços necessários para o bem-estar a qualquer hora, em qualquer lugar e para qualquer pessoa”.

Segue: “(...) Não são raros os relatos de bancas de advocacia que estão produzindo mais do que antes do confinamento social, já que sem o deslocamento dos advogados até as sedes dos respectivos escritórios o tempo é melhor aproveitado.

Ferramentas como Google Meet,Teams e VPN passaram a ser utilizadas com mais intensidade no dia a dia. As reuniões com clientes, que não raro implicavam deslocamentos aéreos, agora são realizadas pontualmente, sem custos e sem todo o transtorno que uma viagem aérea exige.

Dias atrás a revista americana "The New Yorker" relembrou um caso curioso: em 1846 ocorreu um surto de sarampo nas Ilhas Faroe, no Oceano Atlântico e 100% da população foi contaminada. Sessenta e cinco anos depois, houve outra epidemia de sarampo e todo mundo novamente foi contaminado, menos os que tinham mais de 65 anos: eles estavam imunizados desde o surto anterior.

Sobreviverão as empresas que se adaptarem mais rapidamente à nova realidade que a Covid-19 impõe a todos. Estarão preparadas para superar qualquer tipo de crise. Crescerão empresas de segmentos como e-commerce, produtos de higiene, telecomunicações e escritórios de advocacia adaptados à nova realidade. E, mesmo após o fim do confinamento, habitaremos um mundo diferente, onde a competência será ainda mais um diferencial, pois não teremos tantas chances para erros. Afinal, o mercado estará repleto de bons profissionais capacitados para assumir um posto de trabalho”.

Entendo, portanto, que para os profissionais do Direito de vanguarda ou não a crise vai impor uma questão muito forte e decisiva. De como lidar com os segredos dos negócios jurídicos do século XXI ante às transformações tecnológicas e sociais. De como as relações serão humanizadas de agora em diante no Estado de Direito.

Em um levantamento da Revista Empreenda, Gabriela Barreto lembra que no Supremo Tribunal Federal foi desenvolvida a tecnologia chamada “Victor”, que pode diminuir em até dois anos o tempo de tramitação no tribunal, através da análise de milhares de documentos jurídicos, identificando pormenorizadamente os temas que podem ser objeto de repercussão geral. Já na Ordem dos Advogados do Brasil foi desenvolvido um sistema de busca de jurisprudência avançada, dentre outras funcionalidades que já usam a Inteligência Artificial no país.

Assim, na Era da Advocacia 5.0, como aponta Gabriela, frente ao mercado tão concorrido e com diversos profissionais disponíveis, é imprescindível ao profissional do Direito na conjuntura atual enxergar sua carreira como uma empresa, que deve ser tratada com profissionalismo.

Ricardo Alves, especialista em Direito das Relações de Consumo e sócio Head de Tecnologia do escritório Fragata e Antunes Advogados, dedica-nos um texto bastante interessante sobre os efeitos da Covid19 especialmente no campo do Direito, sob o título “As lições que o estado de calamidade deixa para escritórios de advocacia”.

Para o especialista, “enfrentamos uma crise global sem precedentes, a maior da nossa geração. Muitas das decisões tomadas por empresas e governos nas próximas semanas provavelmente definirão o futuro da humanidade nos próximos anos. Diariamente são implementadas mudanças nos sistemas de saúde, na economia, na política e na cultura. Sobreviverá quem agir de forma rápida e decisiva.

Artistas, impedidos de realizar shows, agora optam pelas lives. Escritórios de advocacia, que antes contavam com poucos colaboradores em trabalho remoto, agora operam 100% em ‘home office’.

O Poder Judiciário segue a tendência para não suspender a prestação jurisdicional. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por exemplo, adotou o Regime Diferenciado de Atendimento de Urgência (RDAU), que não reduziu a produtividade dos magistrados. Muito pelo contrário: com o uso de ferramentas de teletrabalho, videoconferência e escalas de plantão, os magistrados e servidores superaram no último mês os índices de março de 2019, ano em que o TJ-RJ foi reconhecido pelo CNJ como o tribunal mais produtivo do país pelo décimo ano consecutivo. O Tribunal de Justiça da Bahia iniciou, esta semana, sessões de julgamento transmitidas pelo Youtube, com sustentação oral feita pelos advogados por chamada telefônica.

Vários escritórios de advocacia completaram o primeiro mês operando 100% em home office, com resultados que em muitos casos revelam aumento de produtividade de suas equipes. Por meio da utilização de várias ferramentas tecnológicas apropriadas, consegue-se avaliar a movimentação dos tribunais através do acompanhamento de atos processuais e combinar estes dados com a demanda da equipe jurídica para gerar indicadores relevantes para a gestão de suas carteiras.

Algumas bancas de advocacia já estavam preparadas para essa virada porque possuíam o famoso plano B, com sistemas web (na nuvem), ferramentas de videoconferência, jurimetria e links backups de internet. Faltava apenas o malsinado empurrão de uma pandemia para conseguir estender em poucos dias o ‘home office’ para centenas ou mesmo milhares de colaboradores distribuídos pelo país inteiro”.

“(...) A realidade hoje não é apenas da "advocacia 4.0", conceito ligado à Quarta Revolução Industrial. Na verdade, estamos diante do surgimento da "advocacia 5.0", em que a tecnologia permite trabalhar de forma descentralizada, remota, com equilíbrio entre a tecnologia e os operadores do Direito. Neste contexto, inteligência artificial, bigdata e internet das coisas (IoT) são usadas para criar soluções com foco nas necessidades dos envolvidos independentemente da localização de cada um. O conceito '5.0" surgiu num projeto do governo japonês de "sociedade 5.0", que busca equilibrar o avanço econômico com a resolução de problemas sociais, proporcionando serviços necessários para o bem-estar a qualquer hora, em qualquer lugar e para qualquer pessoa”.

Segue: “(...) Não são raros os relatos de bancas de advocacia que estão produzindo mais do que antes do confinamento social, já que sem o deslocamento dos advogados até as sedes dos respectivos escritórios o tempo é melhor aproveitado.

Ferramentas como Google Meet,Teams e VPN passaram a ser utilizadas com mais intensidade no dia a dia. As reuniões com clientes, que não raro implicavam deslocamentos aéreos, agora são realizadas pontualmente, sem custos e sem todo o transtorno que uma viagem aérea exige.

Dias atrás a revista americana "The New Yorker" relembrou um caso curioso: em 1846 ocorreu um surto de sarampo nas Ilhas Faroe, no Oceano Atlântico e 100% da população foi contaminada. Sessenta e cinco anos depois, houve outra epidemia de sarampo e todo mundo novamente foi contaminado, menos os que tinham mais de 65 anos: eles estavam imunizados desde o surto anterior.

Sobreviverão as empresas que se adaptarem mais rapidamente à nova realidade que a Covid-19 impõe a todos. Estarão preparadas para superar qualquer tipo de crise. Crescerão empresas de segmentos como e-commerce, produtos de higiene, telecomunicações e escritórios de advocacia adaptados à nova realidade. E, mesmo após o fim do confinamento, habitaremos um mundo diferente, onde a competência será ainda mais um diferencial, pois não teremos tantas chances para erros. Afinal, o mercado estará repleto de bons profissionais capacitados para assumir um posto de trabalho”.

Entendo, portanto, que para os profissionais do Direito de vanguarda ou não a crise vai impor uma questão muito forte e decisiva. De como lidar com os segredos dos negócios jurídicos do século XXI ante às transformações tecnológicas e sociais. De como as relações serão humanizadas de agora em diante no Estado de Direito.

Em um levantamento da Revista Empreenda, Gabriela Barreto lembra que no Supremo Tribunal Federal foi desenvolvida a tecnologia chamada “Victor”, que pode diminuir em até dois anos o tempo de tramitação no tribunal, através da análise de milhares de documentos jurídicos, identificando pormenorizadamente os temas que podem ser objeto de repercussão geral. Já na Ordem dos Advogados do Brasil foi desenvolvido um sistema de busca de jurisprudência avançada, dentre outras funcionalidades que já usam a Inteligência Artificial no país.

Assim, na Era da Advocacia 5.0, como aponta Gabriela, frente ao mercado tão concorrido e com diversos profissionais disponíveis, é imprescindível ao profissional do Direito na conjuntura atual enxergar sua carreira como uma empresa, que deve ser tratada com profissionalismo.

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