Piauiense Mauro Sampaio participa de exposição Quadrantes 2 em Brasília

De ônibus!

Iniciou a exposição Quadrantes 2, promovida pelo Centro Cultural Câmara dos Deputados, com a participação do trabalho De ônibus do piauiense, Mauro Sampaio.

A exposição acontece no 10 andar do Anexo IV da Câmara do Deputados de 27 de setembro a 08 de novembro.

Vamos conferir! O trabalho dele está lindo!


Mauro Adriano Ribeiro Gonçalves de Sampaio nasceu no dia 9 de outubro de 1968 no Morro da Chapadiinha, em Esperantina, Piauí. Um ano cheio de histórias no Brasil e no mundo.

Foto: Divulgação
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Aqui, o regime militar apertava o cinto. Lá fora, jovens faziam barricadas por mais liberdade, para o corpo e para a alma. Mauro Sampaio conheceu por fotografias aquele ano que nunca acabou, segundo o escritor Zuenir Ventura.

Seria um grande fotógrafo, quem sabe, se tivesse nascido uns 20 anos antes de 1968 e morasse, com uma câmara Leica, em Paris, São Paulo, Rio de Janeiro ou mesmo na iniciante Brasília, onde o poder era de chumbo.
Sem traumas. O tempo passou e ficou por Teresina, com suas limitações. Pensava em ser político ou empresário para tirar o Piauí da condição de Estado mais pobre do rico e desigual Brasil. Era sonhador.

Foto: Divulgação
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Veio a redemocratização no Brasil, mas, os estudantes se enganaram com aquele refrão de que o povo unido jamais seria vencido. Não é bem assim.

Mauro Sampaio teve uma breve participação no movimento estudantil, nada que mereça constar no currículo. Algumas passeatas e fugas da polícia e muita reunião para discutir o futuro da humanidade.
Formou-se em Agronomia e Comunicação Social. Não voltou para Esperantina para cultivar a terra. Ficou em Teresina imaginando que um dia iria bater às portas do jornal Folha de S. Paulo e se tornar colunista perene da página 2.

Se fosse fácil, todo mundo era, desiludiu-se ouvindo a canção “Filhos do câncer”, de Zé Ramalho.
Virou servidor público por meio de concurso, com horário especial para concluir o curso que lhe colocou numa sala escura para revelar fotografias. Aprendeu o básico e comprou uma câmara russa, a Zenit.


Faltavam histórias para fotografar. 1968 não acabava, mas não voltaria mais. Faltava, sobretudo, definir-se, ou melhor, sentir-se como fotógrafo.
Passaram-se duas décadas. Mauro Sampaio continuou no serviço público, mudando-se três vezes de patrão. Começou no Judiciário, migrou para o Executivo e deverá encerrar a carreira no Legislativo.
A Zenit acompanhou o indefinido fotógrafo do Judiciário ao Executivo. O que restou dela? Algumas imagens capturadas pelo ex-escrivão de Polícia Federal. Um álbum. A câmara e todos os negativos foram para o lixo em São Luís do Maranhão. Triste ignorância.

Em Brasília, já na era digital, Mauro Sampaio se reaproximou da fotografia. Convidado para escrever, nas horas vagas, para o portal Acessepiauí, assumiu a coluna Brasília encarregado de tratar de assuntos políticos, especialmente pertinentes ao Congresso Nacional. Deram-lhe a dica: “compra uma dessas máquinas digitais pequenininhas para ilustrar a coluna.” Foi à Feira dos Importados e ficou com uma Canon bastante amadora. Depois uma menos, outra menos ainda, até que evoluiu para uma quase profissional.

Tornou-se um jornalista que fotografa. Dois em um. Mas é a fotografia de rua, muito mais do que o fotojornalismo, a pretensa especialidade de Mauro Sampaio. Vida que segue desde 1968.

 

Alexandra Vieira
Presidente da Acampi
Associacao Cultural dos Amigos do Piauí