Pela primeira vez, o Tribunal de Justiça do Piauí vai eleger duas mulheres em uma única sessão para as vagas de desembargadoras, instância máxima da corte judiciária estadual. A sessão histórica, provavelmente, vai acontecer no dia 17 de julho deste ano. A juíza Maria Luíza de Moura Mello e Freitas é um nome certo para ocupar uma das vagas.
O TJ/PI terá a vacância de dois desembargadores que se afastam por aposentadoria. No mês passado, no dia 3 de junho, o desembargador Antônio Lopes de Oliveira deixou o cargo após passar nove meses na função. Em julho, será a vez do desembargador Joaquim Santana, que se aposenta no próximo domingo, dia 5 de julho.
A presidência do Tribunal abriu dois editais para a escolha das novas desembargadoras. Por antiguidade (vaga de Joaquim Santana), a juíza inscrita mais antiga é Maria Luíza de Moura Mello e Freitas.
Dos 22 cargos de desembargadores do Tribunal de Justiça do Piauí, pela primeira vez, terá quatro mulheres no plenário. Já atuando no TJ tem as desembargadoras Lucicleide Pereira Belo e Maria do Rosário de Fátima Martins Leite Dias. A terceira vaga será de Maria Luiza (antiguidade) e outra juíza escolhida.
O edital exclusivo para as mulheres é uma determinação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que orienta os TJs do Brasil de trabalharem a igualdade de gênero, devido a escassez de mulheres nos cargos do judiciário nacional.
As juízas Maria Luiza, Lucicleide Pereira, Elvira Osório e Maria Célia
Com a chegada de duas mulheres, o TJ registra a sexta mulher no pleno. A pioneira foi a desembargadora Eulália Pinheiro, Rosimar Leite, Lucicleide Belo, Maria do Rosário e as duas novas escolhidas.
Exposição celebra os 60 anos de carreira de Nonato Oliveira
A Mostra no Sesc Cajuína revisita seis décadas da produção de um dos maiores artistas plásticos brasileiros; evento fica aberto para visitação gratuita até 20 de agosto.
Seis décadas de uma obra que ajudou a construir a identidade visual do Piauí ganham uma nova leitura em Teresina. A exposição “Nonato Oliveira – 60 anos de cores e memórias” está aberta ao público na Galeria Dora Parentes, no Sesc Cajuína, reunindo pinturas de coleções particulares e acervos públicos que percorrem a trajetória de um dos artistas mais importantes do Estado.
A visitação do evento, completamente gratuita, começou na última quinta-feira (02) e segue até o dia 20 de agosto, das 10h às 20h, com entrada gratuita. Algumas das obras que fazem parte da exposição nunca haviam sido apresentadas ao grande público.
Nascido em 1949, na zona rural de São Miguel do Tapuio, Nonato começou a pintar ainda adolescente. Autodidata, improvisava seus primeiros trabalhos com sobras de materiais de construção e restos de tinta do pai, pedreiro.
Da infância no interior vieram também as memórias que, décadas depois, se transformariam em uma das assinaturas mais reconhecidas de sua produção artística. Oliveira ainda teve grande influência artística de seu tio, Mestre Dezinho, reconhecido como um dos artistas mais importantes na história da arte piauiense.
Ao longo dos últimos 60 anos, a carreira extrapolou as telas. Além de pinturas, Nonato produziu esculturas, monumentos e murais espalhados por diferentes cidades brasileiras, integrando escolas, hotéis e espaços públicos. Seu estilo, frequentemente descrito como uma combinação entre o primitivismo e o expressionismo, tornou-se uma referência nas artes visuais piauienses.
O artista também construiu uma trajetória internacional. Viveu por cerca de dez anos em Paris, onde ficou amigo de um dos maiores artistas do último século, Pablo Picasso. Na Europa, realizou exposições individuais em países como França, Portugal, Itália, Inglaterra e Noruega, além de participar de mostras coletivas nos Estados Unidos.
No Piauí, o trabalho de Nonato Oliveira é amplamente reconhecido. Ele é autor de uma das obras mais conhecidas do estado, “Cabeça de Cuia e as Sete Marias Virgens”, instalada no Encontro dos Rios, em Teresina.
O Curador da exposição e também filho do artista, Sérgio Donato destaca que conviver com Nonato significou crescer cercado pela arte. Segundo ele, o ambiente de casa influenciou diretamente sua formação e a homenagem busca reconhecer uma trajetória que pertence não apenas à família, mas também à cultura piauiense.
A exposição apresenta esse percurso por diferentes fases da produção de Nonato Oliveira, permitindo ao visitante acompanhar as transformações de seu trabalho sem perder de vista aquilo que permaneceu constante ao longo das décadas: o compromisso de traduzir, em formas e cores, as memórias, a cultura e os personagens do Piauí.
Fonte: TJ-PI / Rebeca Negreiros