Modelos feitas por IA geram polêmica e dividem o mundo fashion

Artista critica uso exclusivo da IA em criações e alerta para retrocesso na criatividade da moda

Pela primeira vez, a maior revista de moda do mundo publicou um anúncio estrelado por uma modelo criada integralmente por inteligência artificial.

Foto: Reprodução/Divulgação

Na edição impressa de agosto da Vogue americana, britânica e francesa, uma mulher loira, de olhos claros e proporções de boneca aparece posando para a campanha de verão da Guess. No rodapé das fotos, um aviso discreto: “Produzido pela agência Seraphinne Vallora a partir de IA”.

A escolha gerou polêmica nas redes e acendeu o alerta entre profissionais da moda, que já se sentem ameaçados pelo avanço acelerado das ferramentas generativas. A organização Model Alliance, em Nova York, criticou a propaganda e questionou os impactos no futuro do mercado.

A Vogue se defendeu, alegando que se trata de publicidade, não de editorial, mas o caso reabriu um debate global.

A polêmica
Para especialistas, a questão não está na IA em si, mas na forma como é usada. Em casos anteriores, como na criação de cenários para ensaios fotográficos, a tecnologia parece ter sido utilizada apenas para reduzir custos, sem agregar autenticidade, mas não gerava 100% das imagens.

Marcas como Mango e Reebok também têm recorrido a modelos artificiais para suas campanhas, enquanto a Levi’s chegou a anunciar que usaria IA para aumentar a diversidade corporal em anúncios. A proposta, no entanto, foi tão criticada que a marca precisou se explicar, garantindo que não abandonaria ensaios fotográficos tradicionais.

Um suporte, não um substituto
Para a artista de moda e designer Ana França, que inclui na produção da sua galeria uma visão artística sobre a moda, o grande problema é transformar a IA em um substituto total da criatividade.

“A inteligência artificial é fascinante quando usada como suporte criativo, por exemplo, para prever tendências, testar croquis ou otimizar processos. Mas quando ela se torna a única ferramenta, eliminando o trabalho humano, o risco é cair no banal".

“Sem toque artístico, sem originalidade, sem personalidade. Essas ferramentas não podem substituir pilares tão exclusivamente humanos e que, com certeza, fazem toda a diferença no resultado final”, afirma Ana França, reconhecida por já ter criado mais de 600 vestidos de noiva ao longo de sua carreira.

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Sobre Ana França
Graduada em Designer de Produtos pela UEMG, Especialista em Moda Noiva pelo Instituto Marangoni de Paris. Com formação em Designer Artístico de Moda com Ênfase no Comportamento Humano. Com quase 20 anos de experiência, tem em seu portfólio mais de 600 noivas e dezenas de convidados.

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