Fundada em 16 de agosto de 1852, Teresina surgiu da determinação de seu mais dedicado idealizador, o baiano José Antônio Saraiva, então presidente da província piauiense, que concebeu uma nova capital estrategicamente localizada entre os rios Parnaíba e Poti. A cidade nasceu a partir de um plano aparentemente simples, mas inovador por ter sido a primeira pensada com o objetivo de ser a capital de uma das províncias do Império.
Diferentemente de muitas cidades brasileiras, que cresceram de maneira mais espontânea, acompanhando o ritmo e as necessidades que surgiam ao longo do processo de ocupação, característica que Sérgio Buarque de Holanda associou ao “semeador” português, Teresina nasceu de um projeto deliberado de organização do espaço urbano. Planejada e construída a partir de um traçado previamente definido, a nova capital aproximava-se, nesse sentido, do “ladrilhador” espanhol, cuja ação colonial, segundo Holanda, caracterizava-se pela preocupação em ordenar geometricamente o território. Se pudesse recorrer à metáfora de Raízes do Brasil, talvez Sérgio Buarque dissesse que Teresina, em vez de simplesmente ter sido semeada, foi cuidadosamente ladrilhada.
Ao longo de sua história, Teresina consolidou-se como o principal centro urbano, econômico, político e cultural do Piauí. Sua posição geográfica e sua infraestrutura fizeram-na um importante ponto de circulação de pessoas, conhecimentos, serviços e oportunidades. A capital deixou de ser apenas a sede administrativa do estado para assumir uma função regional, atraindo pessoas de diferentes municípios piauienses e, também, de outros estados, em busca de serviços especializados, formação profissional e melhores condições de vida. É um vai-e-vem permanente que se firma desde sempre e, felizmente, segue como torrente que para cá traz talentos, coragem, inovação.
Sobre essa condição de cidade-polo a atrair pessoas, cito dois exemplos próximos de mim: Antônio Guimarães e Thalysson Santana, ambos meus alunos, quando lecionei no Estado do Maranhão e, atualmente, estudantes em Teresina. Antônio Guimarães cursa Medicina Veterinária, enquanto Thalysson Santana cursa Direito. São exemplos que ilustram como a capital piauiense exerce força gravitacional sobre estudantes de outras localidades, especialmente pela oferta de formação superior. Esse movimento contribuiu para transformar Teresina em uma cidade dinâmica, plural e fundamental para a integração do Piauí com outras regiões do Nordeste.
Entre os principais motivos que fazem de Teresina um polo de atração regional estão, especialmente, a educação e a saúde. A cidade reúne instituições de ensino que oferecem desde a educação básica até cursos de graduação e pós-graduação, atraindo estudantes interessados em ampliar sua formação acadêmica e profissional.
Na área da saúde, a cidade se destaca pela concentração de hospitais, clínicas, profissionais especializados e serviços de média e alta complexidade. Entre as instituições que evidenciam essa importância estão os Hospitais São Marcos e Getúlio Vargas, que contribuem para consolidar a capital piauiense como proeminente polo de atendimento médico-hospitalar, atraindo pacientes de diversas cidades do Piauí e de outros estados do Nordeste e do Norte.
Celebrar os 174 anos de Teresina, neste 16 de agosto, é reconhecer uma história construída por muitas mãos e marcada por desafios, conquistas e transformações. É celebrar uma cidade que preserva suas memórias, mas que também olha para o futuro e continua se reinventando. Teresina é feita de gente, de rios, de praças, de bairros, de escolas, de universidades, de hospitais, de mercados, de manifestações culturais e, sobretudo, de sol. Não é possível esquecer o sol.
Mais do que uma capital planejada no século XIX, tornou-se um espaço de acolhimento e oportunidades para milhares de pessoas que nela vivem, estudam, trabalham ou buscam seus serviços. Parabéns, Teresina, pelos seus 174 anos de história, vividos à plena luz do sol.
Pós-doutor em História pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.