A confirmação da participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 abriu uma nova frente de tensão diplomática envolvendo os países-sede do torneio. Neste sábado (9), a Federação Iraniana de Futebol afirmou que disputará o Mundial, mas condicionou a presença da delegação ao cumprimento de uma série de exigências ligadas à segurança, emissão de vistos e tratamento político dado aos representantes do país.
O posicionamento ocorre em meio ao agravamento do cenário no Oriente Médio e após um incidente envolvendo o presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, barrado recentemente no Canadá durante viagem para o Congresso da Fifa. As autoridades canadenses alegaram vínculos do dirigente com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), classificado pelo país como organização terrorista desde 2024.
Apesar das incertezas geradas pelo conflito regional e pelas restrições diplomáticas impostas por países ocidentais, dirigentes iranianos garantiram que a seleção estará na Copa. Segundo a imprensa estatal de Teerã, o governo apresentou uma lista com dez condições para assegurar a participação da delegação no torneio organizado por Estados Unidos, México e Canadá.
Entre as exigências estão garantias para concessão de vistos, reforço na segurança em aeroportos, hotéis e deslocamentos oficiais, além do respeito aos símbolos nacionais iranianos, como bandeira e hino. O Irã também demonstrou preocupação com possíveis restrições migratórias a atletas e membros da comissão técnica ligados ao CGRI.
A situação envolve nomes importantes da seleção, como Mehdi Taremi e Ehsan Hajsafi, ambos citados pela imprensa local por passagens ligadas ao grupo militar iraniano. O governo quer assegurar que jogadores e integrantes da delegação não sejam impedidos de entrar nos países-sede durante a competição.
Em comunicado, a Federação Iraniana declarou que disputará o Mundial “sem abrir mão de seus valores culturais e políticos” e afirmou esperar tratamento respeitoso por parte dos organizadores.
Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que os jogadores serão recebidos normalmente, mas admitiu que pessoas com ligação direta ao CGRI poderão enfrentar restrições de entrada. Já o presidente da Fifa, Gianni Infantino, descartou mudanças na tabela e confirmou que os jogos do Irã seguirão programados em território norte-americano.
A equipe iraniana planeja instalar sua base em Tucson, no Arizona. A estreia será contra a Nova Zelândia, em Los Angeles, no dia 15 de junho. Depois, enfrenta a Bélgica, também em Los Angeles, antes de encerrar a fase de grupos diante do Egito, em Seattle.