O Ministério da Fazenda revisou para baixo a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, passando de 2,5% para 2,3%, de acordo com o Boletim Macrofiscal divulgado nesta quinta-feira (11/9). A redução reflete a desaceleração da economia, confirmada pelo fraco desempenho do PIB no segundo trimestre, que avançou apenas 0,4%, frente a 1,3% no início do ano. O principal fator para esse cenário é o impacto da política monetária restritiva, com a taxa Selic mantida em 15% ao ano pelo Banco Central.
Apesar da revisão, a projeção da Fazenda segue mais otimista que a do mercado, cuja mediana, segundo o Boletim Focus, está em 2,16%. O relatório da Secretaria de Política Econômica (SPE) destaca que o setor agropecuário deve crescer 8,3%, enquanto a indústria teve sua previsão reduzida para 1,4% e os serviços mantiveram estimativa de 2,1%. Para 2026, a Fazenda prevê expansão de 2,4%, ainda acima da expectativa do mercado, de 1,85%.
O documento também aborda os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, mas destaca que o Plano Brasil Soberano deve mitigar pela metade o impacto negativo no PIB até 2026. Segundo a SPE, o pacote de medidas pode evitar a perda de 73 mil empregos e reduzir o impacto do tarifaço no crescimento econômico de 0,2 para 0,1 ponto percentual.
Por fim, o boletim ressalta a melhora nas projeções fiscais, com déficit primário estimado em R$ 69,99 bilhões para 2025, menor que o previsto anteriormente, e dívida pública bruta projetada em 79,74% do PIB. O ambiente externo, porém, segue adverso, influenciado por riscos geopolíticos e decisões de política monetária no exterior, fatores que permanecem no radar da equipe econômica para os próximos meses.