A Dataprev, empresa estatal responsável pelo processamento de dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), confirmou nesta terça-feira (26) que o vazamento de informações na plataforma “Meu INSS” atingiu cerca de 2,8 milhões de beneficiários. O problema ocorreu após uma falha na trava de segurança do sistema registrada em 19 de abril, mas só veio a público na última semana.
Inicialmente, técnicos do governo estimavam de forma reservada que o incidente teria alcançado cerca de 1,5 milhão de pessoas. Na ocasião, a Dataprev informou que o caso ainda estava sob investigação e não divulgou números oficiais.
Segundo o INSS, aproximadamente 97% dos dados acessados pertencem a pessoas já falecidas. Já a Dataprev informou que 98,19% dos registros consultados eram referentes a segurados com óbito registrado. Ainda assim, cerca de 50 mil pessoas sem registro de morte também tiveram informações expostas.
O vazamento foi revelado pelo jornal Folha de São Paulo e confirmado oficialmente pelos órgãos públicos na semana passada. Após a identificação dos acessos indevidos, Dataprev e INSS afirmaram ter adotado medidas emergenciais de contenção e comunicado a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Em nota, o INSS afirmou que não houve concessão irregular de benefícios nem contratação fraudulenta de empréstimos. O órgão destacou que o sistema possui mecanismos de proteção, como autenticação por biometria facial e outras barreiras de segurança para análise de benefícios previdenciários.
Especialistas em segurança digital, porém, consideram o episódio preocupante devido ao volume de informações acessadas. O banco de dados do INSS reúne dados pessoais sensíveis, incluindo CPF, vínculos empregatícios e informações de filiação, que podem ser utilizados em golpes e fraudes.