Transporte dispara entre os maiores gastos das famílias brasileiras

Alta dos combustíveis impulsiona despesas e amplia pressão sobre o orçamento doméstico.

O transporte voltou a ganhar peso no orçamento das famílias brasileiras, impulsionado pela alta dos combustíveis em meio às tensões no Oriente Médio. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) mostra que o item foi o que mais avançou entre as principais despesas dos brasileiros em um ano, enquanto alimentação, contas de serviços públicos e moradia seguem liderando os gastos.

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Alta dos combustíveis elevou o peso do transporte no orçamento das famílias brasileiras.

Levantamento da 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem do Mercado de Trabalho, divulgado pela FGV Ibre, aponta que 27,6% dos entrevistados passaram a citar o transporte entre as três despesas que mais comprometem o orçamento familiar em junho deste ano. No mesmo mês de 2025, esse percentual era de apenas 2%, um avanço de 25,6 pontos percentuais.

Segundo o superintendente-adjunto da FGV Ibre, Rodolpho Tobler, o aumento está diretamente ligado à elevação dos custos de deslocamento, especialmente dos combustíveis. Na avaliação do pesquisador, as oscilações no mercado internacional de petróleo, agravadas pelos conflitos no Oriente Médio, pressionaram os preços e elevaram o impacto do transporte nas contas das famílias.

Apesar da mudança, a alimentação continua sendo a principal despesa dos brasileiros, citada por 75% dos entrevistados. Em seguida aparecem as contas de serviços públicos, lembradas por 50,3%, e os gastos com aluguel ou financiamento da moradia, mencionados por 45,6%.

O estudo também revela que ficou mais difícil equilibrar as finanças. Entre abril e junho, 69,1% dos participantes afirmaram conseguir pagar todas as despesas essenciais, percentual inferior aos 72,4% registrados em fevereiro. Para a FGV, o resultado indica que o aumento do custo de vida, mais do que uma queda na renda, tem reduzido a capacidade financeira das famílias.

Especialistas ouvidos pela pesquisa afirmam que o orçamento permanece concentrado em despesas consideradas indispensáveis, enquanto a pressão inflacionária reduz a sensação de bem-estar dos trabalhadores.

O levantamento mostra ainda uma queda na satisfação com o emprego. No trimestre encerrado em junho, 64% dos trabalhadores disseram estar satisfeitos com o trabalho, abaixo dos 68% registrados no início do ano. A baixa remuneração aparece como o principal fator de insatisfação, citada por 57,9% dos entrevistados, enquanto 41% avaliam que conseguir um novo emprego no país ainda é uma tarefa difícil.

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