Entidades de produtores rurais do Reino Unido pressionam o governo britânico por controles mais rígidos sobre a entrada de carne brasileira no país. A preocupação é que eventuais restrições da União Europeia levem exportadores do Brasil a redirecionar parte dos produtos para o mercado britânico, aumentando a concorrência com os produtores locais.
O alerta foi feito pela National Farmers Union (NFU), uma das principais organizações de produtores rurais do Reino Unido. A entidade afirma que o governo deve agir para evitar que uma mudança no fluxo comercial europeu pressione ainda mais pecuaristas e avicultores britânicos.
Em 2025, a União Europeia importou 211 mil toneladas de carne de frango brasileira, segundo dados citados pela NFU. Com esse volume, o Brasil foi o principal fornecedor do bloco. No mesmo ano, foram importadas 92 mil toneladas de carne bovina brasileira, incluindo 24 mil toneladas de carne in natura.
Para a entidade, parte desses produtos poderia ser direcionada ao Reino Unido caso as exportações brasileiras enfrentem novas restrições no mercado europeu.
“Existe um risco real de que a carne bovina e de frango brasileira originalmente destinada à UE seja desviada para o mercado do Reino Unido”, afirmou o presidente da NFU, Tom Bradshaw. Segundo ele, esse movimento poderia aumentar a oferta e pressionar os produtores domésticos.
Entidade pede auditoria no Brasil
Além de medidas para controlar o volume importado, a NFU quer que o governo britânico endureça os critérios de entrada de produtos de origem animal brasileiros.
A organização defende que eventuais restrições não sejam retiradas até que o Department for Environment, Food and Rural Affairs (Defra) faça uma auditoria presencial e abrangente dos sistemas brasileiros de produção e rastreabilidade.
A entidade também pede que o Reino Unido amplie os testes realizados nas fronteiras. Segundo a NFU, apenas 94 amostras de produtos brasileiros foram analisadas para detectar resíduos de medicamentos veterinários entre 2023 e 2024.
Outra reivindicação é a adoção de regras mais claras de rotulagem sobre o país de origem da carne, especialmente em restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação fora do lar.
Para a NFU, a identificação mais clara permitiria ao consumidor diferenciar produtos britânicos de importados e ajudaria a preservar a confiança na produção local.
Brasil busca preservar mercados
A pressão ocorre enquanto o Brasil procura ampliar e diversificar seus mercados para a carne bovina e manter destinos estratégicos, como a União Europeia e o Reino Unido.
Durante o Salão Internacional de Proteína Animal, em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo brasileiro trabalha para preservar os embarques das cadeias de produção mais curtas, especialmente a avicultura.
“Estamos focados para que os efeitos não possam chegar às cadeias cujo ciclo é menor”, disse o ministro, ao mencionar a expectativa de continuidade dos embarques já no início de setembro.
A preocupação apresentada pelos produtores britânicos está relacionada principalmente ao possível aumento da oferta de carne importada e aos efeitos desse movimento sobre a competitividade e os preços recebidos pelos produtores locais.