O Banco Central sinalizou que os juros deverão permanecer elevados por mais tempo, mesmo após a redução da Selic de 14,35% para 14% ao ano. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (11), os diretores afirmaram que as expectativas de inflação ainda estão desancoradas e exigem uma política monetária mais restritiva.
O documento também aponta sinais de desaceleração da economia, mas destaca que a atividade continua resiliente e o mercado de trabalho permanece aquecido. Para o Copom, esse cenário reduz a pressão sobre a inflação, mas ainda não é suficiente para permitir uma flexibilização mais rápida dos juros.
Todos os integrantes do comitê concordaram que a política monetária precisa permanecer restritiva por mais tempo diante das expectativas de inflação acima da meta. O Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução dos indicadores e evitou antecipar a magnitude do ciclo de cortes.
Inflação ainda preocupa
O IPCA acumulado em 12 meses até junho estava em 4,64%, acima do teto da meta, de 4,5%. No cenário de referência do Banco Central, a inflação deve terminar 2026 em 5,1%. Para 2027, a projeção é de 3,8%, enquanto a estimativa para o primeiro trimestre de 2028 é de 3,2%.
As expectativas do mercado também permanecem acima do centro da meta. Segundo o Boletim Focus, a previsão para o IPCA de 2026 caiu de 5,03% para 5,02%, enquanto a projeção para 2027 permaneceu em 4,22%.
O Copom avalia que expectativas persistentemente elevadas tornam mais caro o processo de levar a inflação de volta à meta. Entre os riscos de alta estão uma inflação de serviços mais resistente, eventual desvalorização persistente do real e estímulos que levem a economia a crescer acima de sua capacidade.
Economia começa a perder força
A ata aponta sinais de desaceleração entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, tanto pelo lado da oferta quanto da demanda. Para o BC, o enfraquecimento da atividade é parte do processo necessário para reduzir as pressões inflacionárias.
Apesar disso, o mercado de trabalho continua aquecido, com desemprego em níveis historicamente baixos. Os rendimentos médios desaceleraram, mas ainda avançam acima da produtividade do trabalho em termos reais.
O cenário internacional também adiciona incertezas, com destaque para conflitos no Oriente Médio, decisões de bancos centrais de economias avançadas e dúvidas sobre a política econômica dos Estados Unidos.
BC reforça alerta sobre contas públicas
A situação fiscal voltou a ser citada pelo Copom como um fator de risco para a inflação e para os juros. Segundo o comitê, uma política fiscal que estimule excessivamente a demanda pode dificultar o controle dos preços no curto prazo.
No longo prazo, dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública podem aumentar o risco percebido pelos investidores e elevar os juros da economia.
O Banco Central também afirmou que a perda de força das reformas estruturais, a expansão do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida podem elevar a taxa de juros neutra — nível que, em tese, não estimula nem freia a atividade econômica.
Para o Copom, a coordenação entre as políticas fiscal e monetária é necessária para aumentar a eficácia do controle da inflação.