Os Estados Unidos incluíram o Brasil em um relatório da Casa Branca que identifica mais de 40 países considerados de risco para o chamado “transbordo” ilegal de mercadorias, prática utilizada para redirecionar produtos por terceiros países com o objetivo de ocultar sua origem e evitar tarifas de importação. O documento, divulgado nesta quinta-feira (13), aponta especialmente para mercadorias ligadas à China e coloca o Brasil entre as nações que podem funcionar como plataformas de produção, logística ou distribuição para produtos destinados ao mercado americano.
De acordo com o levantamento, o Brasil foi classificado no segundo nível de risco da chamada “Shadow Transshipment Network”, ao lado de países como Turquia, Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã. A avaliação americana considera a possibilidade de utilização desses territórios para modificar, processar, armazenar ou reembalar mercadorias de origem chinesa antes de sua entrada nos Estados Unidos. O relatório também menciona outros países latino-americanos, como Argentina e Colômbia, identificados como possíveis corredores para transporte e armazenamento desses produtos.
A preocupação do governo americano está relacionada à tentativa de impedir que empresas e comerciantes contornem as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos chineses por meio de rotas alternativas. Segundo as informações divulgadas, a Casa Branca estima que entre US$ 40 bilhões e US$ 75 bilhões por ano estejam envolvidos nesse tipo de operação. Para reforçar o controle, o governo anunciou o uso de dados aduaneiros e de inteligência artificial por meio do sistema “Detective Border”, desenvolvido para identificar padrões suspeitos e auxiliar as autoridades na fiscalização das cadeias internacionais de comércio.
Os Estados Unidos já impuseram tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, enquanto o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar medidas americanas. A nova classificação não significa, por si só, que o governo americano tenha acusado empresas ou autoridades brasileiras de participação direta em operações ilegais, mas sinaliza que o país será monitorado como possível rota de triangulação comercial. A Casa Branca também indicou que futuros acordos comerciais poderão incluir mecanismos de punição contra países que permitam esse tipo de prática.