Contas públicas têm déficit de R$ 10 bi e dívida chega a 82,9% do PIB

Endividamento avançou 11,2 pontos no governo Lula e atingiu R$ 11,05 trilhões

As contas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Banco Central. Com o resultado, a dívida pública avançou para 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 11,05 trilhões, maior nível desde março de 2021.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Dívida pública brasileira atingiu 82,9% do PIB em agosto.

O resultado primário considera as receitas e despesas de governo federal, estados, municípios e empresas estatais, mas não inclui o pagamento dos juros da dívida. Apesar do déficit, o desempenho de agosto foi melhor que o registrado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo havia chegado a R$ 17,3 bilhões.

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O governo federal respondeu pela maior parte do déficit de agosto, com resultado negativo de R$ 14,7 bilhões. Estados e municípios, por outro lado, registraram superávit de R$ 2,7 bilhões. As empresas estatais também fecharam o mês no azul, com saldo positivo de R$ 2 bilhões.

Nos oito primeiros meses de 2026, o setor público acumulou déficit primário de R$ 88,9 bilhões, correspondente a 1% do PIB. No mesmo intervalo do ano passado, o resultado negativo havia sido de R$ 61,8 bilhões, ou 0,74% do PIB.

Considerando apenas o governo federal, o déficit acumulado neste ano chegou a R$ 97,1 bilhões, ante R$ 84,6 bilhões no mesmo período de 2025.

A meta estabelecida para 2026 prevê resultado negativo equivalente a 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal admite uma margem de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.

Pelas regras, o objetivo será considerado cumprido caso o resultado fique entre déficit zero e superávit de R$ 68,6 bilhões. O cálculo, porém, permite excluir até R$ 67,3 bilhões em determinadas despesas, incluindo recursos destinados ao pagamento de precatórios e gastos com defesa e educação.

Juros ampliam resultado negativo

Quando os juros da dívida são incluídos na conta, o resultado das contas públicas fica mais negativo. Esse cálculo, conhecido como resultado nominal, apontou déficit de R$ 116 bilhões somente em agosto.

Em 12 meses até agosto, o déficit nominal acumulado chegou a R$ 1,26 trilhão, equivalente a 9,48% do PIB. Esse indicador é acompanhado pelas agências de classificação de risco na avaliação da situação fiscal dos países e também é considerado por investidores.

As despesas com juros nominais somaram R$ 1,18 trilhão em 12 meses até agosto, o equivalente a 8,86% do PIB.

Endividamento chega a R$ 11,05 trilhões

A dívida bruta do setor público consolidado aumentou 0,3 ponto percentual em agosto e alcançou 82,9% do PIB. Em valores, o montante corresponde a R$ 11,05 trilhões.

É o maior percentual desde março de 2021, quando a dívida estava em 85,1% do PIB. No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o indicador aumentou 11,2 pontos percentuais.

Em outro critério de cálculo, utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e que inclui títulos públicos mantidos na carteira do Banco Central, o endividamento brasileiro chegou a 94,5% do PIB em agosto.

Esse conceito é usado internacionalmente para comparar a dívida entre países. Pelos dados apresentados no texto, o nível brasileiro supera o registrado por países emergentes e da América do Sul e também fica acima da média da Zona do Euro.

Arcabouço fiscal

O governo aprovou em 2023 o chamado arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos. A regra estabelece limites para o crescimento das despesas e prevê que os gastos avancem abaixo das receitas.

Há, porém, despesas que ficam fora desses limites e continuam pressionando o endividamento. Analistas defendem um corte expressivo de gastos como forma de conter a trajetória da dívida e criar condições para a redução dos juros básicos.

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