Estudo alerta para risco de queda na renda do interior, com impacto no Piauí

Sem reajustes reais em benefícios sociais, renda pode recuar até 18% no interior piauiense

Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), ligado à Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), aponta que a estagnação ou os cortes nos benefícios sociais e previdenciários podem provocar retração econômica em cidades do interior do Brasil. A pesquisa destaca o peso de aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) na renda das famílias e no funcionamento do comércio local. Em municípios menores, esses recursos movimentam a economia, sustentam empregos e contribuem para a arrecadação pública.

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Segundo o levantamento, aproximadamente 4 mil dos 5.569 municípios brasileiros estão fora das regiões metropolitanas. Nessas localidades, a participação das transferências públicas na economia pode chegar ao dobro da registrada nos grandes centros urbanos. No Ceará, por exemplo, benefícios sociais e previdenciários representam 22% da renda agregada da capital e da região metropolitana, enquanto no interior essa proporção alcança 40%. A pesquisa ressalta que boa parte dos valores recebidos pelas famílias de menor renda é destinada à compra de alimentos e outros produtos essenciais, fazendo o dinheiro circular rapidamente nos estabelecimentos locais. 

As projeções para os próximos três anos indicam que, sem a valorização real dos benefícios, a renda agregada dos municípios do interior poderia ficar entre 6,8% e 10,8% abaixo do cenário em que os reajustes são mantidos. O Piauí está entre os estados com perspectiva de maior impacto: no interior piauiense, assim como no Rio Grande do Norte e no Amapá, a retração da renda total poderia variar de 17% a 18%. Amazonas, Sergipe e Pernambuco também aparecem entre os estados mais vulneráveis, com perdas estimadas em torno de 15%. 

O estudo também alerta para possíveis consequências sociais. Simulações indicam que a ausência de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 teria levado cerca de 2,7 milhões de pessoas à pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas, sendo aproximadamente 2,4 milhões à extrema pobreza. Para a economista Luiza Nassif, codiretora do Made-USP, a redução do poder de compra das famílias pode desencadear efeitos em cadeia que atingem até quem não depende diretamente dos programas sociais. A pesquisa, portanto, destaca a importância dos reajustes para a proteção da renda, o combate à pobreza e a manutenção da atividade econômica nas cidades do interior. 

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