Países liberam 400 milhões de barris para conter crise do petróleo

Medida coordenada pela AIE busca reduzir impacto da guerra no Oriente Médio

A Agência Internacional de Energia anunciou nesta quarta-feira (11) que os países integrantes da organização irão liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas para amenizar os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado global de energia.

Foto: Getty Image
Navio de petróleo

A medida representa a maior liberação de petróleo da história da entidade, que reúne 32 países, entre eles Estados Unidos, Austrália e diversas nações europeias. O objetivo é ampliar a oferta da commodity no mercado internacional e reduzir a pressão sobre os preços, que têm apresentado forte volatilidade desde o início da escalada militar na região.

Segundo o diretor-executivo da agência, Fatih Birol, a situação atual do mercado de petróleo é considerada excepcional. Ele afirmou que a resposta conjunta dos países-membros também é inédita em dimensão e foi necessária diante do impacto do conflito sobre o abastecimento energético mundial.

A liberação supera a realizada em 2022, quando os países da organização disponibilizaram 182 milhões de barris após a invasão da Ucrânia pela Rússia. De acordo com a agência, os volumes serão liberados gradualmente, conforme as condições e decisões internas de cada país, podendo ser acompanhados por outras medidas emergenciais.

O anúncio ocorreu enquanto líderes do Group of Seven discutiam, por videoconferência, os efeitos econômicos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, conflito que entrou na segunda semana. A reunião foi presidida pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

Antes mesmo da decisão coletiva, alguns países já haviam anunciado medidas próprias para enfrentar a crise energética. O Japão informou que começará a liberar petróleo de suas reservas estratégicas a partir do dia 16. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que a dependência do país em relação ao petróleo do Oriente Médio torna a situação especialmente sensível.

A Alemanha também comunicou que pretende liberar cerca de 2,4 milhões de toneladas de petróleo de seus estoques estratégicos, embora ainda não tenha divulgado a data para o início da operação.

A tensão geopolítica tem afetado diretamente o mercado de energia. Desde o fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã, os preços do petróleo passaram por fortes oscilações. A retaliação iraniana atingiu alvos no Golfo Pérsico, incluindo navios petroleiros, e provocou praticamente o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.

Durante o período mais crítico da crise, o barril chegou a atingir a marca de 120 dólares. Mesmo após o anúncio da liberação das reservas, o mercado continuou reagindo com cautela. Nesta quarta-feira, o petróleo do tipo Brent registrava alta superior a 4%, sendo negociado acima de 90 dólares por barril.

A instabilidade também alimenta previsões mais pessimistas. Um porta-voz militar iraniano declarou que o preço da commodity poderia chegar a 200 dólares por barril caso o conflito se prolongue.

Nos Estados Unidos, o secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou que o problema atual não está relacionado à escassez de energia, mas sim às dificuldades no transporte do petróleo. Segundo ele, a situação tende a ser temporária.

Especialistas avaliam que, apesar do volume expressivo, a liberação de 400 milhões de barris ainda representa uma parcela limitada diante do consumo diário dos países integrantes da agência. A analista sênior do Swissquote Bank, Ipek Ozkardeskaya, observou que as nações da organização consomem cerca de 45 milhões de barris por dia.

Enquanto isso, governos ao redor do mundo têm adotado medidas internas para conter os efeitos da alta do petróleo. Bangladesh mobilizou o Exército para proteger depósitos de combustível, a Índia reforçou controles sobre o fornecimento de gás natural e gás de cozinha, e autoridades francesas passaram a intensificar fiscalizações em postos de combustíveis para evitar aumentos abusivos de preços.

Atualmente, os países membros da agência mantêm mais de 1,2 bilhão de barris em reservas públicas de emergência, além de cerca de 600 milhões de barris em estoques industriais mantidos por exigência governamental.

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