A crise entre MDB e PSD no Piauí já começa a produzir efeitos diretos dentro do Palácio de Karnak. Nesta quinta-feira, lideranças do Partido dos Trabalhadores no estado realizaram uma reunião de urgência para discutir o impacto político da possível ruptura entre as duas siglas que integram a base do governador Rafael Fonteles.
O encontro contou com a participação remota do ministro Wellington Dias e teve como principal pauta as consequências eleitorais do rompimento entre MDB e PSD, cenário que ameaça dividir a base governista às vésperas da disputa de 2026.
Segundo relatos de bastidores, o deputado estadual Georgiano Neto teria informado ao governador Rafael Fonteles que o governo teria uma semana para encontrar uma solução política para evitar a ruptura definitiva entre os partidos.
A avaliação interna é de que a divisão pode afetar diretamente a estratégia eleitoral do governo, especialmente porque MDB e PSD são hoje dois dos principais pilares da base política de Rafael no estado.
Impacto na eleição majoritária
O maior temor discutido na reunião foi o impacto sobre a campanha ao Senado do senador Marcelo Castro (MDB), considerado o principal nome da base governista para a disputa.
Sem o PSD no mesmo palanque, aliados avaliam que a candidatura pode perder parte importante da capilaridade política no interior, já que o partido possui uma forte estrutura municipal.
Nos bastidores, prefeitos ligados ao PSD já estariam afirmando que foram liberados a partir de agora para votar e pedir votos “para Ciro”, sinalizando possível independência na disputa majoritária em apoio ao senador Ciro Nogueira (PP).
Força política do PSD
O receio dentro do governo se explica pelo peso político da legenda no estado. O PSD é atualmente uma das maiores estruturas eleitorais do Piauí, reunindo suas 65 prefeituras, uma senadora, um deputado federal e deputados estaduais na Assembleia. Isso para além de Georgiano Neto, o deputado estadual mais votado do estado.
Nos bastidores do governo, cresce a percepção de que o maior temor do Palácio de Karnak começa a se materializar: a revolta de parte da principal base política em volume eleitoral.
Possível aliança com o PP
Outro cenário que preocupa aliados do governo é a possibilidade de uma recomposição do tabuleiro político envolvendo o Progressistas (PP).
Já circula nos bastidores a hipótese de uma aliança entre PSD e PP, que poderia resultar em uma articulação eleitoral conjunta para 2026.
Nesse desenho, o PSD apoiaria uma estratégia que incluiria a candidatura de Georgiano Neto à Câmara Federal
e o apoio aos nomes ao Senado Júlio César (PSD) e Ciro Nogueira (PP).
Caso esse movimento se consolide, ele representaria uma mudança profunda no equilíbrio político do estado, com impacto direto tanto na campanha de reeleição de Rafael Fonteles quanto na tentativa de Marcelo Castro de manter a vaga no Senado.