Otimismo prevalece em meio à queda das ações da Embraer

Mesmo com recuo, investidores acreditam no potencial da Embraer

Embora as ações da Embraer tenham experimentado uma queda significativa de 11% no valor, fechando o pregão do dia 12 de outubro a R$ 74,62, o mercado continua a demonstrar confiança na fabricante brasileira. Essa foi a maior baixa diária dos últimos quatro anos.

Segundo o JP Morgan, um dos pontos chave da confiança dos investidores é o fato de que a Embraer negocia sob um desconto considerado injustificado em relação a seus concorrentes globais. O múltiplo EV/Ebitda, que compara o valor total da empresa à sua geração de caixa, está em 10,2 vezes para 2026, enquanto a média dos pares é de 15,7 vezes.

Além disso, o Goldman Sachs ressalta que a Embraer está ganhando espaço em todos os quatro segmentos do mercado e vem apresentando uma forte conversão de fluxo de caixa livre (FCF). No mercado internacional, os ADRs da Embraer, sob o ticker EMBJ, têm metas de preço bastante otimistas, com cerca de 80% das instituições recomendando a compra.

Entre os analistas, o BTG Pactual lidera o otimismo com um preço-alvo de US$ 97 para os ADRs da Embraer, enquanto o JP Morgan estabeleceu uma meta de US$ 84, considerando que o valor justo poderia atingir US$ 117 ao incluir a participação na subsidiária Eve.

No contexto local, as perspectivas também são positivas. O JP Morgan projeta um preço-alvo de R$ 109 para as ações na B3, enquanto a XP Research mantém uma visão mais conservadora, com previsão de R$ 79, e o Banco do Brasil projeta R$ 88.

O declínio nas ações foi impulsionado por fatores macroeconômicos como a aversão ao risco em mercados emergentes e a alta nos preços dos combustíveis, resultado de tensões geopolíticas no Irã. No entanto, analistas apontam que a queda é uma oportunidade para revisitar o investimento na Embraer, já que a empresa apresenta uma estrutura interna robusta.

Confiança dos Analistas na Embraer

O otimismo em relação à Embraer se baseia, principalmente, em sua sólida carteira de pedidos, que no final do quarto trimestre atingiu um nível recorde de US$ 31,6 bilhões, representando um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Isso garante uma previsibilidade de receitas para os próximos anos.

A divisão de Aviação Comercial lidera com US$ 14,5 bilhões em pedidos, destacando-se os novos contratos com a TrueNoord e Air Côte d’Ivoire. A Aviação Executiva também alcançou um recorde, com pedidos firmes no valor de US$ 7,6 bilhões.

Para 2025, a Embraer relatou receita líquida recorde de R$ 41,9 bilhões, superando suas próprias previsões. O Itaú BBA considera as metas de receita para 2026 como conservadoras devido a desafios na cadeia de suprimentos, mas vê potencial não precificado nas projeções atuais, especialmente com a recente isenção de tarifas nos EUA.

O fluxo de caixa livre foi um destaque, totalizando US$ 738 milhões no quarto trimestre, apoiando uma produção de até 255 jatos planejada para 2026. Além disso, o segmento de Defesa e Segurança continua a ser um catalisador de valor, com potencial de novos contratos na Índia impulsionando este setor.

No campo da inovação, a subsidiária Eve, focada na certificação de eVTOL para 2027, possui uma carteira de intenções de US$ 14 bilhões. A transição da Embraer para uma fase focada na execução está bem fundamentada, oferecendo uma base sólida para um futuro promissor.

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