Cuba registra sexto apagão e enfrenta colapso energético

Falta de combustível dificulta retomada do sistema elétrico.

Cuba voltou a sofrer um apagão nacional nesta segunda-feira (16), conforme informou o Ministério de Energia e Minas. Este é o sexto blecaute registrado no país em cerca de um ano e meio, em meio a uma crise energética que tem se agravado desde 2024. As causas da interrupção total do fornecimento ainda estão sendo investigadas.

Foto: Ramon Espinosa/AP Photo/dpa/picture alliance
Cuba sofre apagão

Segundo o governo, houve uma desconexão completa do Sistema Elétrico Nacional, e os protocolos para restabelecimento começaram a ser acionados. No entanto, experiências anteriores indicam que a normalização pode levar dias, já que o processo depende da geração inicial por fontes de menor porte, como energia solar, hidrelétrica e motores de geração, até que seja possível reativar as usinas termelétricas, responsáveis pela maior parte da produção de energia no país.

A situação atual é considerada mais grave do que as anteriores devido à escassez de combustível. Sem insumos suficientes para alimentar os motores de partida rápida, a retomada do sistema elétrico enfrenta obstáculos adicionais.

A crise energética cubana é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo o subfinanciamento histórico do setor e restrições externas. O governo aponta o embargo de petróleo imposto pelos Estados Unidos como principal causa, classificando a situação como uma “asfixia energética”. Especialistas independentes também destacam problemas estruturais e falta de investimentos ao longo dos anos.

Nos últimos meses, o cenário se agravou com a interrupção do fornecimento de petróleo por parte da Venezuela, principal parceira energética da ilha. O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou recentemente que o país não recebe carregamentos de petróleo há cerca de três meses, o que tem forçado a dependência de fontes alternativas, como energia solar e gás natural.

O impacto da crise vai além do setor energético. A economia cubana já acumula retração superior a 15% desde 2020, segundo dados oficiais, e os apagões têm sido um dos principais fatores de insatisfação popular, impulsionando protestos em diferentes regiões do país.

No cenário internacional, declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentaram a tensão. Ele afirmou que Cuba está próxima do colapso e mencionou a possibilidade de ações mais diretas em relação ao país, além de indicar interesse em um eventual acordo.

Enquanto isso, o governo cubano afirma que mantém diálogo com autoridades norte-americanas e avalia mudanças econômicas, como a abertura para investimentos de cubanos residentes no exterior, na tentativa de amenizar os efeitos da crise.

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