O Irã passou a cobrar taxas que podem chegar a US$ 2 milhões por viagem de embarcações comerciais que cruzam o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. A medida ocorre em meio à escalada do conflito na região e reforça o controle do país sobre a passagem marítima.
Além das cobranças, autoridades iranianas exigem informações detalhadas sobre tripulação, carga e rota das embarcações para autorizar a travessia. O processo, conduzido com participação da Guarda Revolucionária Islâmica, varia de caso a caso e tem sido descrito como um “pedágio informal” por fontes ligadas ao setor marítimo.
As taxas têm sido direcionadas principalmente a petroleiros, navios de gás e embarcações com cargas de alto valor. Os pagamentos são feitos por meio de intermediários e sem transparência sobre critérios ou valores fixos, o que aumenta a incerteza para operadores logísticos e companhias de navegação.
Desde o início dos ataques envolvendo Estados Unidos e Israel, há cerca de um mês, o fluxo no estreito foi significativamente reduzido. Apenas um número limitado de navios tem conseguido atravessar a região, muitos deles ligados ao próprio Irã ou à China.
Em comunicado recente, o governo iraniano afirmou que a navegação segue permitida para países aliados, desde que haja coordenação com autoridades locais, enquanto embarcações de nações consideradas hostis enfrentam restrições mais severas. Em alguns casos, navios foram impedidos de seguir viagem por descumprirem protocolos exigidos.
A possibilidade de formalizar a cobrança como política oficial no pós-guerra já é discutida internamente no país, o que tem gerado reação internacional. A Índia, uma das mais afetadas pela interrupção no fornecimento de energia, afirmou que o direito de livre navegação na rota é garantido por leis internacionais e não pode ser condicionado a taxas.
Autoridades chinesas também demonstraram preocupação com a medida, embora relatos indiquem que algumas embarcações do país já tenham efetuado pagamentos para garantir a travessia.
O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo e gás comercializados globalmente, além de grandes volumes de alimentos e outras mercadorias. A instabilidade na região tem provocado impactos diretos no abastecimento energético, especialmente em países asiáticos.
Enquanto negociações diplomáticas seguem em curso, incluindo pressões internacionais para reabrir a rota, o Irã condiciona a normalização completa da navegação ao fim das ameaças militares no entorno do Golfo Pérsico.