Uma auditoria técnica do Tribunal de Contas da União identificou indícios de irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília, operação frustrada em 2025. O relatório aponta que gestores da instituição, incluindo integrantes do Governo do Distrito Federal, podem ter atuado com falta de diligência e gestão temerária.
Segundo o documento, havia “fortes indícios” de que a cúpula do banco manteve as negociações mesmo diante de alertas e inconsistências apontadas pelo Banco Central do Brasil, responsável por barrar a operação. A decisão do BC foi unânime e baseada na ausência de comprovação da viabilidade econômico-financeira do negócio.
A análise do TCU foi realizada no contexto do processo de liquidação do Banco Master, que teve como controlador o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A instituição foi alvo de investigações por suspeitas de fraudes bilionárias, o que agravou sua situação financeira e levou à intervenção.
De acordo com a auditoria, o BRB teria ignorado inconsistências relevantes nos dados apresentados. Um dos pontos destacados foi a divergência nos valores dos ativos informados, que passaram de R$ 25 bilhões para mais de R$ 31 bilhões em curto intervalo de tempo, sem explicações consideradas suficientes pelos órgãos de controle.
O relatório também afirma que a tentativa de aquisição de uma instituição com indícios de insolvência e possíveis passivos ocultos poderia gerar prejuízo de dezenas de bilhões de reais aos cofres do Distrito Federal. Para os auditores, a ausência de uma análise adequada de riscos comprometeu a segurança da operação.
Outro ponto levantado foi a atuação do governo distrital junto ao TCU. Segundo o documento, houve tentativa de utilizar a Corte como uma via para reverter a decisão técnica do Banco Central, o que foi classificado como inadequado e contrário aos princípios da administração pública.
A auditoria concluiu que o Banco Central atuou de forma técnica e dentro da legalidade ao impedir a compra. Ao final, o TCU recomendou o envio das conclusões ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e ao Tribunal de Contas do Distrito Federal para aprofundamento das investigações e eventual responsabilização dos envolvidos.
O caso segue sob análise do ministro Jhonathan de Jesus, que decidiu suspender temporariamente o processo sobre a atuação do Banco Central, considerando o andamento de investigações paralelas conduzidas pela Polícia Federal, pelo Supremo Tribunal Federal e pela Controladoria-Geral da União.