Os indicadores mais recentes de saneamento básico colocam Cajueiro da Praia entre os municípios com maior déficit de infraestrutura no Piauí. Dados do Censo 2022 e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) mostram que o acesso a serviços essenciais ainda é extremamente limitado, mas foi justamente nessa cidade que o governo do Piauí por meio da Secretaria de Turismo (Setur) e o Investe Piauí, aportaram R$ 5,5 milhões.
No abastecimento de água, apenas 2,9% da população de Cajueiro da Praia recebe água potável por meio da rede geral de distribuição. Em números absolutos, são apenas 233 pessoas com acesso ao sistema público.
A maioria da população depende de soluções alternativas. Cerca de 63,4% utilizam poços rasos, cacimbas ou lençóis freáticos, enquanto outros recorrem a poços artesianos ou fontes diversas. Além disso, pelo menos 2.552 habitantes não possuem água encanada e precisam se abastecer com baldes ou outros meios precários.
O cenário do esgotamento sanitário é ainda mais crítico.
Apenas 0,1% da população possui acesso à rede de esgoto, o equivalente a cerca de 10 pessoas em todo o município. A maior parte utiliza fossas sépticas ou soluções improvisadas. Cerca de 35% vivem com fossas rudimentares ou buracos, enquanto outros 0,6% utilizam alternativas diversas.
Há ainda moradores sem acesso ao mínimo: 144 pessoas não possuem banheiro ou sanitário em casa.
Outro dado que chama atenção é a ausência de informações sobre coleta de resíduos sólidos. O município não declarou dados ao sistema nacional, o que indica fragilidade na gestão do serviço. Não há confirmação oficial sobre coleta seletiva ou cobertura da coleta domiciliar.
Em 2023, Cajueiro da Praia registrou taxa de mortalidade infantil de 17,7 óbitos por mil nascidos vivos, patamar acima da média nacional, que ficou entre 12,5 e 12,6 no mesmo período. A diferença evidencia um cenário mais sensível no município, diretamente associado à precariedade do saneamento básico.
Os próprios indicadores mostram o tamanho do problema. O acesso à água encanada é limitado, grande parte da população depende de poços ou fontes alternativas e a cobertura de esgotamento sanitário é praticamente inexistente. Há ainda registros de domicílios sem banheiro e ausência de coleta estruturada de resíduos.
Esse conjunto de carências impacta diretamente a saúde infantil, aumentando a exposição a doenças de veiculação hídrica, infecções e condições que elevam o risco de mortalidade nos primeiros anos de vida.
Na prática, isso significa que Cajueiro da Praia enfrenta um conjunto de problemas estruturais básicos: falta de água tratada, ausência quase total de esgoto e incerteza sobre a destinação do lixo.
Os números expõem uma realidade distante do potencial turístico da região, que abriga destinos como Barra Grande, conhecidos nacional e internacionalmente.
O contraste entre a vocação turística e a precariedade da infraestrutura básica levanta um alerta sobre a necessidade de priorização de investimentos em serviços essenciais.
Sem água, esgoto e gestão adequada de resíduos, o crescimento do turismo tende a pressionar ainda mais um sistema que já opera no limite, ampliando riscos ambientais e impactos diretos na qualidade de vida da população local.