Uma pesquisa recente revelou que as mulheres são as principais responsáveis pelo cuidado de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), evidenciando a sobrecarga feminina nas tarefas de assistência familiar. O levantamento destaca que mães e outras familiares do sexo feminino costumam assumir a maior parte das responsabilidades relacionadas ao acompanhamento diário, tratamentos e rotinas das pessoas autistas.
Os dados mostram que esse cenário faz parte de um contexto mais amplo no Brasil, onde cerca de 90% dos cuidadores informais são mulheres. Esse grupo é formado principalmente por mães, filhas e esposas, que muitas vezes precisam reorganizar a vida profissional e pessoal para atender às demandas de cuidado, frequentemente sem remuneração ou reconhecimento formal.
O estudo também aponta que essa responsabilidade pode gerar impactos significativos na vida dessas mulheres, como interrupção dos estudos, redução da participação no mercado de trabalho e sobrecarga emocional. Segundo especialistas, a situação está relacionada a fatores culturais que historicamente associam às mulheres o papel de cuidadoras dentro das famílias.
Diante desse cenário, pesquisadores defendem a ampliação de políticas públicas voltadas ao apoio de cuidadores, incluindo assistência psicológica, programas de suporte social e reconhecimento desse trabalho como atividade essencial. A expectativa é que medidas desse tipo contribuam para reduzir desigualdades e garantir melhores condições tanto para as pessoas com autismo quanto para quem assume o papel de cuidado.