A cidade autônoma espanhola de Ceuta, localizada no norte da África, registrou a entrada de cerca de 49 mil migrantes vindos do Marrocos nas últimas 24 horas, segundo estimativas das autoridades locais. A movimentação ocorre em meio a uma das maiores crises migratórias já enfrentadas pelo território, que tem pouco mais de 83 mil habitantes.
As travessias ocorreram principalmente por mar. Imagens registradas na quinta-feira (30) mostram milhares de pessoas nadando em direção à costa de Ceuta. Durante a madrugada desta sexta-feira (31), o fluxo continuou, acompanhado de confrontos isolados entre migrantes e forças de segurança.
De acordo com as autoridades espanholas, pelo menos 18 pessoas morreram nos últimos dias durante a tentativa de chegar ao território. Além disso, cerca de 7 mil dos migrantes que cruzaram a fronteira nas últimas 24 horas são menores de idade.
Fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais mostram grupos de migrantes dormindo nas ruas após a chegada à cidade e registros de objetos lançados sobre as passagens de fronteira.
Ceuta e Melilla, os dois enclaves espanhóis situados no norte da África, são há décadas uma das principais portas de entrada para pessoas que tentam alcançar a Europa. A recente onda migratória ocorre após uma decisão da Suprema Corte da Espanha, que determinou neste mês que migrantes interceptados no mar a caminho dessas cidades não podem ser devolvidos de forma imediata ao Marrocos.
Além de Ceuta, entre 300 e 400 pessoas também atravessaram a fronteira para Melilla no último dia, segundo as autoridades locais.
Diante da pressão sobre a estrutura da cidade, o governo espanhol mobilizou tropas do Exército para reforçar a segurança. O chefe do governo de Ceuta, Juan Jesús Vivas, pediu apoio imediato ao governo central e classificou a situação como uma emergência humanitária e social.
Segundo Vivas, caso o fluxo migratório permaneça no ritmo atual, a cidade poderá enfrentar um cenário semelhante ao registrado em 2021, quando milhares de pessoas cruzaram a fronteira em poucos dias, levando o governo espanhol a enviar militares e veículos blindados para controlar a situação.
Em resposta, o primeiro-ministro Pedro Sánchez informou que está mobilizando recursos em parceria com o governo do Marrocos para enfrentar a crise. O Ministério do Interior também anunciou o envio de mais agentes para reforçar o controle da fronteira, enquanto as Forças Armadas atuarão em apoio à Guarda Civil.
O ativista pelos direitos dos migrantes Zakaria Zarroqui afirmou que centenas de pessoas continuam se deslocando para a cidade marroquina de Fnideq com o objetivo de tentar a travessia para Ceuta. Segundo ele, o cenário permanece fora de controle.
A crise também repercutiu em outros países da Europa. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que a imigração irregular representa um desafio à segurança das fronteiras europeias e declarou que seu governo avalia medidas extraordinárias, incluindo a possibilidade de suspender a aplicação do Acordo de Schengen nas fronteiras com a Espanha.
Após as declarações, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, convocou o embaixador da Itália para tratar do assunto.